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View Full Version : Força ou não força?... Eis a questão



Ricky
14-02-06, 00:16
Olá pessoal

Bem creio que este forum de neuromuscular tem andado um pouco em baixo e como tal gostava mesmo que toda a gente participasse.... Contem as vossas experiências, relatem o que as vossas mãos sentiram, manifestem-se sem medo de serem julgados.

Como primeiro tema vou abordar os Aidentes Vasculares Cerebrais, e como tal gostava de saber a vossa opinião:

Será que existem alterações de força muscular nos membros afectados? Se sim qual é o principal contributo para esta falta de força? Até que ponto estamos limitados no tratamento por Espasticidade/Aumento de tónus/Força Muscular?


Mais uma vez peço... PARTICIPEM... e não tenham receio de dar ideias... se formos a ver Galileu sabia que a terra andava á volta do sol e o resto do mundo dizia o contrário.

Um abraço para Todos :biggrin:

Ricky
14-02-06, 00:28
Olá pessoal

Bem creio que este forum de neuromuscular tem andado um pouco em baixo e como tal gostava mesmo que toda a gente participasse.... Contem as vossas experiências, relatem o que as vossas mãos sentiram, manifestem-se sem medo de serem julgados.

Como primeiro tema vou abordar os Aidentes Vasculares Cerebrais, e como tal gostava de saber a vossa opinião:

Será que existem alterações de força muscular nos membros afectados? Se sim qual é o principal contributo para esta falta de força? Até que ponto estamos limitados no tratamento por Espasticidade/Aumento de tónus/Força Muscular?


Mais uma vez peço... PARTICIPEM... e não tenham receio de dar ideias... se formos a ver Galileu sabia que a terra andava á volta do sol e o resto do mundo dizia o contrário.

Um abraço para Todos :biggrin:

Fportela
14-02-06, 01:52
Caro colega!!

Tudo depende do tipo e gravidade do AVC, mas de todos os que já me passatam pelas mãos, em todos há comprometimento da força muscular! Quando não por mais, pela falta de movimento do(s) membro(s) e pela consequente perda de massa muscular e força muscular!! A espasticidade, apesar de ser vista como uma agravante, não tem necessariamente que ser só mais um factor negativo, pois até a pudemos usar para estabilizar o paciente em pé!!

Ricky
09-03-06, 23:17
Caro colega e amigo, Ricky. E relativamente à falta de força que alguns (senão todos) os pacientes neurológicos apresentam, foi possível para ti encontrar a solução neste(s) método(s)?

Abraço.
Hélder Abreu

Olá a todos

Obrigado Hélder por salientares a importância do PNF na nossa prática clínica e a sua utilidade no complemento do tratamento de várias patologias (Tenho tido resultados bastante satisfatórios com pacientes com Parkinson).

Quanto á pergunta relacionada com a falta de força nos doentes neurológicos temos de ter em atenção a relatividade da pergunta. Diferentes doentes\Diferentes necessidades.
É claro que num doente que apresente limitação da actividade normal (um tónus elevado,espasticidade, hipoactividade... entre outros) o ganho de força será todo direccionado para a actividade anti-gravítica, e para a capacidade de recrutar actividade muscular para executar uma tarefa. Estes doentes ao simplesmente executarem o gesto já estão a fazer um treino de força, até as actividades da vida diária se tornam um grande plano de ganho de força. (Isto porque para ganho de força é preciso lembrar que primeiro vêm as beneces de uma boa acção neural)
Se o doente não for ao encontro dos impeditivos anteriormente referidos ou mesmo de outros, não vejo nenhuma razão para não optarmos por um plano de fortalecimento muscular dito "normal"

Um abraço amigo :wink:



P.S. Estes dois posts são originários do tema Conceitos e técnicas, sendo posicionados aqui para a eventualidade de alguém querer comentar ou adicionar alguma coisa. Abraço a todos

Fportela
10-03-06, 00:58
Caro colega Ricky!!

Consegue transcrever de que maneira tem usado PNF em Parkinson ?!
Abraço!

palves
07-10-06, 03:18
Nos AVCs o compromisso motor deve-se a falta de controlador central, acreditando nas teorias da neuro plasticidade quanto mais cedo se iniciar a reeducação funcional melhor sera o prognostico. Na minha experiencia tenho recorrido frequentemente ao uso precoce da electro estimulação (fase sub-aguda), com o intuito de proporcionar desde cedo a reactivação da contração muscular, acho que esta pratica alem de evitar problemas recorrentes como a luxação da gleno-umeral, previne espasticidade severa e permite que o paciente tome consciencia da perturbação do hemicorpo afectado mais cedo, esta pratica (muito polemica eu sei) tem tambem proporcionado excelentes resultados na recuperação funcional dos membros afectados, assim digo-te meu caro força com força.

Ismaelsilva
08-10-06, 22:53
Nos AVCs o compromisso motor deve-se a falta de controlador central, acreditando nas teorias da neuro plasticidade quanto mais cedo se iniciar a reeducação funcional melhor sera o prognostico. Na minha experiencia tenho recorrido frequentemente ao uso precoce da electro estimulação (fase sub-aguda), com o intuito de proporcionar desde cedo a reactivação da contração muscular, acho que esta pratica alem de evitar problemas recorrentes como a luxação da gleno-umeral, previne espasticidade severa e permite que o paciente tome consciencia da perturbação do hemicorpo afectado mais cedo, esta pratica (muito polemica eu sei) tem tambem proporcionado excelentes resultados na recuperação funcional dos membros afectados, assim digo-te meu caro força com força.

Esta questão necessitava de um bom estudo para provar a sua veracidade, não estou a por em caso se e verdade ou não, eu a dizer que devia ser melhor estuda, pois os estudo revelam que a força tem de se estimular mas activamente e a utilização de electro estimulaçao em termos centrais, nao vai ter qualquer influencia, porque o aparelho poderá estar a trabalhar e o individuo estar nas "nuvens", nao ter percepçao do que está a acontecer e assim n controlando o movimento muscular.
De qualquer das formas a força tem que ser trabalhada, disso não à dúvida, mas de uma forma activa, a promover a percepçao do movimento ao individuo. Claro que esta questão continuará sempre a levantar duvidas, assim como todas as questoes que se relacionem com o sistema nervoso central.

palves
09-10-06, 17:27
caro ismael , não há duvida que as afecções centrais têm de ser trabalhadas manualmente, apenas digo que baseado na evidencia clinica (na minha) os resultados da tradicional mobilização (abençoada seja) são potenciados quando se utiliza a electro estimulação. Quanto a estudos existem varios nesse sentido que comprovam a validade da utilização desta tecnica sobre tudo no alivio da espasticidade severa e redução das luxações do ombro. Já o treino de força activo só é possivel quando existe funcinalidade após a afecção ora esta tecnica será valida numa fase anterior (estado sub-agudo) em que a funcionalidade na maioria dos casos esta comprometida não sendo possivel o trabalho muscular activo.


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não negue a partida uma ciencia que desconhece.

gramendes
19-11-06, 20:31
Olá caros colegas

Sou um membro iniciado mas uma fisio já "cota" (como dizem os meus filhos).
Ando nisto há mais de 20 anos e tenho ampla experiência em lesão neurológica, apesar da minha paixão ser a lesão vertebro-medular.
Acho interessante este assunto mas ninguém parece referir a importância da fadiga neuronal na abordagem do paciente neurológico e sobre isto gostava de vos dizer que devem procurar saber um pouco deste item uma vez que utilizam electro-estimulação em fases sub-agudas de AVCs para manuseio do tónus. Cuidado, não se esqueçam dos princípios da neuroplasticidade. O tecido nervoso é extremamente complexo e extremamente plástico, adapta-se com uma velocidade estrondosa e um manuseio pouco cuidado pode dar resultados dramáticos a longo prazo. Interessa a função, mas sempre com qualidade, sendo esta a aproximação a um grau de normalidade. Já agora gostava de vos deixar a questão: " num AVC em fase sub-aguda qual é a vossa prioridade?". No meu caso, eu preocupo-me, antes de mais, com a estabilidade e a normalização tónica no neuro-eixo e deixo o movimento dos membros sempre para o fim. Até á data tenho tido bons resultados com esta abordagem, não só em AVCs como noutro tipo de patologias neurológicas. Segundo este conceito, só poderei trabalhar força, isto é reforço muscular, depois de obter um grau satisfatório de estabilidade nas estructuras e um tónus de repouso próximo da normalidade. Nunca reforço com electro-estimulação um musculo hipotónico uma vez que posso estar a induzir um grau demasiado de fadiga o que vai diminuir ainda mais a âmplitude do reflexo miotáctico. Nos músculos hipertónicos, o reforço pode ainda aumentar mais a âmplitude deste reflexo e assim obter-se a longo prazo um aumento da espasticidade, quando o paciente deixa o centro de fisioterapia e retoma á rotina da sua vida diária. Existem alguns estudos sobre isto que apontam no sentido da aplicação do reforço eléctrico para o tratamento da espasticidade, porém os avanços ao nível da fisiologia neuronal parecem indicar o oposto, na minha modesta opinião.
Penso que o vosso trabalho tem sido excelente, e é a partir da troca de experiência que todos vamos evoluindo um bocadinho mais. Os meus parabéns e preparem-se para me aturar (isto se os administradores do site não me classificarem como "membro banido":confused: ).
Um abraço
Graça:wink:

rita afonso
08-12-06, 17:41
Olá, Graça! Eu tenho apenas a experiência que o bacharelato me deu, por isso estou sempre disposta a aprender mais.
Por acaso, a minha paixão também é a LVM. Quanto aos AVC´s, também concordo consigo em relação à estimulação eléctrica. Claro que é importante a estalibidade e a normalização tónica no neuro-eixo, mas penso que o movimento dos membros não deveria ser deixado para o fim, pois é custoso para uma pessoa que sofre um AVC ver um lado parado, a sua prioridade ou é andar ou mexer o braço. Por que não tratar a estabilidade e a normalização tónica, e também os movimentos dos membros?

gramendes
09-12-06, 10:53
Olá
A experiência diz-me que a resposta ao nível dos membros afectados surge mais rápidamente e com melhor qualidade de função quando se inicia o trabalho sobre o neuro-eixo. Nunca podemos ter uma boa funcionalidade do membro superior se a omoplata "não se agarrar" convenientemente ao tronco.
Considero a estabilidade do neuro-eixo prioritária e quando inicio o trabalho com alguém a primeira coisa que faço é explicar ao paciente o que se passa e quando surge o resultado mantê-lo informado do progresso e fazê-lo sentir isso, quer seja bom ou não. A maior parte dos pacientes aceita muito bem o manuseio e dum modo geral não desenvolvem níveis muito elevados de ansiedade. Há pacientes que, pelo facto de terem iniciado a recuperação ainda no hospital ou porque resolveram contratar um fisio particular, já passaram pelas mãos doutros colegas e aqui é onde noto que surge maior resistência ao trabalho. Já foram ensinados a auto-mobilizar, a pôr-se de pé, ou mesmo a fazer marcha com pirâmide. Mas com uma boa explicação e os primeiros resultados a aparecerem, dum modo geral acabam por concordar com a intervenção.

gramendes
09-12-06, 11:24
Desculpe-me Rita,

Acabei por não responder qo resto da questão. Partilho da opinião que o corpo deve ser avaliado e manuseado como um todo, ou seja, por exemplo, quando inclino a cabeça em posição supina de um paciente em fase flácida, posso fazê-lo lentamente ou aplicar uma certa velocidade e obsevo o tipo de resposta que o paciente me dá ao nível dos membros e do tronco. Se há resistência ao movimento ela pode ser devida a quê? ao aumento do tónus na cadeia extensora, que tipo de respostas associadas é que o paciente me deu? abduziu os membros? houve resposta labiríntica? houve alteração do tónus a seguir? O reflexo miotáctico sofeu alterações ao nível dos membros? apareceu hipereflexia dos osteotendinosos e dos cutâneos abdominais?,...
Quando falo em que inicio o trabalho pelo neuro-eixo não significa que não vou procurar resposta ou tentar produzi-la nos restantes componentes. Tento pôr o indivíduo o mais precocemente em pé, mas só o treino para a marcha quando sentir que há estabilidade do tronco nesta posição. Mas estou mais interessada que ele seja capaz de agarrar num copo e o leve á boca do que em conseguir um bom movimento analítico. O Bobath, Talmo, Alexander são métodos excelentes com bons conceitos de base para aplicação nos AVCs.

Carlinha
21-12-06, 20:01
ãchei uma coisa:

"Efeitos da estimulação elétrica neuromuscular sobre o gasto energético de lesados medulares"

dissertação de mestrado, na USP.
http://www.teses.usp.br/

danym
20-04-08, 17:15
Olá todos concordo com a opinião do nosso colega gramendes.
Tem toda a lógica que se inicie o tratamento dos pacientes primeiro ao nível do tronco e deixarmo-nos de preocupar tanto com os membros é claro que não nos vamos esquecer deles.
Mas o tronco é a chave de tudo é nele que os MS's e MI's vão ter a sua estabilidade (chamada estabilidade proximal) para se poderem deslocar no espaço (chamada estabilidade distal). Não é possível fazer um movimento correctamente com Msup se não tivermos estabilidade da região torácica e do complexo articular do ombro para termos um ponto de fixação estável e ao mesmo tempo dinâmico para se ajustar ao movimento pretendido.
E penso que na minha opinião as alterações de tónus que depois ocorrem ao nível dos MS's e MI's acontecem porque o nosso tronco não tem estabilidade suficiente para realizar o movimento pretendido e então têm que começar a existir compensações = alterações do tónus.

Uma pergunta:
o que fazem numa abordagem inicial a um paciente que sofreu um AVC à cerca de 24/48horas enquanto ele ainda está meio insconciente ou melhor com um nível de arousal muito baixo? Na minha opinião não nos adianta mto mobilizar MS e MI porque o paciente não tem capacidade para perceber isso, devemos sim ir a trabalhar a propriocepção e estimular a região cervical no sentido de tentar estimular subida desse arousal....comentem:biggrin:

gramendes
06-05-08, 12:05
OLÁ

Actualmente não trabalho com lesões agudas de nenhuma patologia. Infelizmente!!:confused:
Com AVC's muito menos, já que me dedico só á LVM crónica. De qualquer maneira, concordo plenamente com a estimulação proprioceptiva em todo o neuro-eixo, não só com a cervical. A normalização da tensão intra-abdominal, por exemplo feita através do treino da tosse, ou de "claping" abdominal,...é possível mesmo com um arousal baixo. Num estado de semi-consciência as respostas ditas "defensivas" e ás quais o tonus de suporte está intimamente associado, podem estar presentes. Ao estimularmos uma resposta tónica através delas, seguramente estamos a "preservar" indirectamente a proprioceptivade dos segmentos ou estructuras onde ela se originou. A observação directa da qualidade da resposta produzida nos dirá a eficácia do treino. Convém referir, que quando estamos perante um estado de arousal baixo, temos que ter cuidado de forma a nunca produzir um efeito de "sobrecarga" num sistema que está em "repouso" pela actividade dos nucleos da base.

Abraços
(Há muito que não entrava no foro, mas é bom voltar)

É positivo