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View Full Version : Teste da artéria basilar



Francisco Neto
08-10-04, 03:40
Teste da artéria basilar... Quando fazer? Como fazer? Que indicações nos dá?... Este é um tema que, actualmente, é bastante polémico e que gostaria de discutir com os colegas.

Adérito Seixas
08-10-04, 17:43
Em primeiro lugar devo dizer que o teste da artéria vertebral não é muito "específico". Existem pacientes em risco de lesão, ou morte, que não são detectados pelo teste. E existem sintomas que por vezes são interpretados como isquemia central e que não são realmente indicadores de tal. Dos sintomas tonturas, náuseas, visão desfocada, disfasia, nistagmo e hemianópsia apenas o 3 últimos são mesmo indicadores de isquemia central (Manual Therapy 9 (2004))

Em relação ao como fazer, segundo um artigo que estive a ler (Manual Therapy 9 (2004)) a rotação é o movimento que mais oclui o fluxo da artéria vertebral. A artéria basilar é alongada cerca de 5mm durante a rotação máxima da cervical sendo que 50-90% deste movimento ocorre na articulação C1-C2. O local onde a artéria é mais tensionada será no ponto em que ela deixa o nível de C2 e corre verticalmente e lateralmente para C1.

Francisco Neto
08-10-04, 19:59
Mais uma acha para a fogueira... 8)
A maior lacuna que se aponta aos procedimentos pré-manipulativos é a sua diminuta sensibilidade e especificidade.
Refshauge (1994) refere 100% de falsos positivos para a rotação cervical, enquanto que Thiel et al. (1994) e Rivett et al. (1999) apontaram uma taxa de 100% de falsos positivos...
Os falsos positivos podem ocorrer devido a alterações na transmissão de propriocepção a partir das cápsulas articulares cervicais (Hulse, 1983), enquanto que falsos negativos podem ocorrer no caso da estenose arterial se der num quadro em que as colaterais de Willis estão intactas (Terenzi, 1986).
Como acham que estes resultados (entre outros) interferem com a nossa prática clínica, nomeadamente com considerações éticas?

Helder Fonseca
09-10-04, 12:40
Bom isso são boas nutícias, é que o teste da Artéria basilar deu positivo na minha pessoa.

E olhem para mim, sou uma pessoa perfeitamente saudável.
AAAAAARGH...... Dor...... No..... Coração :lol:

OOOH Behave

Agora a sério, para além da angiografia ou do Doppler, que meios poderemos ter ao nosso alcance enquanto fisioterapeutas, para além deste teste, que nos possam dar informações sobre uma possível oclusão??

Outra coisa...
Que interesse poderá ter para nós a oclusão da artéria, senão como forma de exclusão de certas pessoas para certo tipo de manobras (manipulações, tracção e mobilização)??
Se este teste não reproduz sintomas, até que ponto a falta de sensibilidade ou viabilidade do teste poderá ser importante?
Será que um falso negativo poderia desenvolver sintomas à mobilização ou à tracção?
Ou até que ponto é que poderemos negar certas técnicas a um falso positivo??

Gostaria que me respondessem a esta pergunta, já que acho que mais importante do que a capacidade preditiva, será a utilidade clínica para nós enquanto fisioterapeutas.

Adérito Seixas
10-10-04, 17:30
que meios poderemos ter ao nosso alcance enquanto fisioterapeutas, para além deste teste, que nos possam dar informações sobre uma possível oclusão??
Bem, apesar de tudo acho que se deve utilizar o teste. No caso de o teste ser negativo e no caso de decidirmos avançar para a "manioulação" acho que devemos usar um outro teste que costuma se designado nos artigos como "pre-manipulative hold". Ele consiste em manter a posição de manipulação por um mínimo de 10 segundos, para assegurar que nenhum sintoma de insuficiencia vertebro-basilar é reproduzido (Arnold C. et al, 2003)

Francisco Neto
10-10-04, 18:44
Resumindo, acho que nunca podemos ter a certeza absoluta que uma manipulação não vai originar um acidente isquémico... Deveremos basear-nos no nosso raciocínio clínico.
Relativamente à avaliação subjectiva, os guidelines clínicos são unânimes quando referem que deverão ser efectuadas perguntas especiais relacionadas com factores de risco de insuficiência vertebro-basilar (VBI) (APA 1988, Barker et al. 2000, Grant 1996, Magarey et al. 2000). No entanto, estes factores de risco não estão bem definidos (Rivett 1995) e variam de autor para autor. Alguns são referidos com bastante frequência (drop attacks, nauseas, vómito, tonturas, alterações a nível visual, disartria, história passa de sintomas isquémicos) (Grant 1994, Rivett 1995, Rivett 1997). No entanto, é ncessário diferencias esses sintomas dos relacionados com distúrbios vestibuares ou vertigem paraoxismal benigna (Van der Velde 1999). Tanto quanto sei, não existem estudos que refiram o poder descriminativo de testes de diferenciação... Alguém quer fazer um? :smile: História de trauma cervical, história anterior de IVB, respostas anteriores negativas à manipulação e existência de patologias que envolvam a existência de sintomas e sinais neurológicos são, também, considerados factores de risco (Frisoni e Anzola 1991, Grant 1998, Haldeman et al. 1999). Não existe evidência que outros factores frequentemente associados a IVB, como hipermobilidade cervical, hipertensão, consumo de contraceptivos orais e hábitos tabágicos aumentem o risco (Haldeman et al. 1999). Os factores de risco deverão ser encarados como factores de alerta, uma vez que a sua especificidade e sensiblidade ainda não foram estabelecidas (DiFabio 1999). Avaliar a presença destes factores de risco não exclui a possibilidade de manipulação nem garante que não haverão lesões decorrentes da manipulação (DiFabio 1999, Haldeman et al. 2002).

Adérito Seixas
10-10-04, 19:14
Em relação aos sintomas temos que ter em conta aqueles que realmente indicam isquemia central e aqueles que não indicam obrigatóriamente a sua presença:
VBI está definida como episódios de isquemia cerebral ou do tronco cerebral que provocam sintomatologia (Grant, 1994 cit in Arnold et al, 2003)

Sintomas de isquemia central:
- disfasia

- nistagmo

- hemianópsia



Sintomas não obrigatoriamente de isquemia central:

- tonturas

- náuseas

- visão desfocada

Francisco Neto
10-10-04, 19:32
Apesar da sensibilidade e especifidade dos sinais e sintomas anteriormente referidos não ter sido comprovada, estes contra-indicam a manipulação e, também, o teste da artéria basilar (seja ele qual for: Maigne, George, Hautant, DeKleyn, Wallenberg...). No caso de não existirem esses sinais e sintomas, deverá ser incorporado na avaliação física, mas só após termos consentimento informado por parte do paciente. É que os testes pré-manipulativos também envolvem risco de lesão, uma vez que são provocativos (Cote et al. 1996). Põe-se, agora, uma questão ética... Será ético informar os pacientes dos riscos que correm, incluindo a morte, ou, pelo contrário, será ético não o alarmar com a possibilidade da ocorrência desses problemas, uma vez que o risco é reduzidissimo?? Legalmente, o que deveremos fazer????
Será a manipulação um tratamento a considerar, tendo em conta os seus riscos, se a sua maior eficácia comparativamente a outros métodos de tratamento (incluindo o placebo) ainda não está comprovada (Hurwitz et al. 1996)????
O paciente deve ser informado que esta é uma hipótese de tratamento eficaz mas que existe a possibilidade de ocorrerem complicações, mesmo após uma avaliação detalhada (Rivett 1994). É importante que a decisão seja do paciente e que nós a aceitemos, seja ela qual for!

Adérito Seixas
10-10-04, 19:47
Tens toda a razão, o paciente é que deve decidir... é sem dúvida uma questão que nos faz andar às voltas e voltamos sempre à mesma questão, é um assunto muito complexo.

Helder Fonseca
10-10-04, 19:48
Só um pequeno parêntesis

é necessário diferenciar os diferentes tipos de nistagmos.

Os nistagmos são "movimentos lentos numa direcção sucedidos por movimentos sacádicos na direcção contrária. Estes movimentos são denominados jerk nystagmus, e são denominados pela componente do movimento rápido" (adaptado de Practical Management of The Balance Disorder Patient - Shepard & Telian)
Estes estão mais frequentemente associados a problemas do sistema vestibular, seja por lesões do labirinto, seja por lesão do(s) nervos vestibulares (e respectivas eferências), seja por lesão do sistema nervoso central (lesões do tronco cerebral, cerebelo, vias olivo-ponto-cerebelosas, etc.)

Outra coisa, Quanto à vertigem benigna paroxística, o teste utilizado (manobra de Hallpike) apesar de ser semelhante não é bem o mesmo, e será inclusive utilizado como manobra terapêutica.

São dois assuntos que espero abordar em breve no fórum vestibular.

Francisco Neto
10-10-04, 19:56
Sem dúvida. O problema é que o diagnóstico diferencial é complicado!

Helder Fonseca
10-10-04, 20:07
Não foi bem isso que quiz dizer:

Se bem me lembro, na escola aprendemos como nistagmo um movimento repetitivo da pupila (contracções repetitivas). Outro conceito de nistagmo foi o que referi atrás.

Estes movimentos são diferentes e controlados por músculos diferentes
- o primeiro é efectuado por músculos intrínsecos do olho (penso que são controlados pelo nervo óptico)
- O segundo é efectuado por músculos extrínsecos do olho (controlados pelos nervos abducente e oculomotor).

Gostaria de saber se o primeiro termo também será classificado como nistagmo, e se for, deixar aqui a distinção.

Francisco Neto
11-10-04, 01:55
Alguns autores sugerem que os pacientes devem ser submetidos a uma avaliação por Doppler. Licht et al. (2000) demonstraram a sua eficácia em indivíduos com falsos positivos e Rivett et al (1998) na identificação de falsos negativos.
No entanto, a incorporação desta avaliação na prática clínica é utópica pelos elevados custos envolvidos, complexidade e disponibilidade de equipamento. Aproxima-se uma alternativa viável... Existe já evidência preliminar que a velocimetria por Dupplex fornece resultados 100% concordantes com o Doppler (k=1, p=0.01) e da sua elevada fiabilidade quando utilizada por um operador com 4 anos de experiência no método e outro com 4 horas (Haynes 2000). No entanto, é necessária mais investigação no que concerne à validade, fiabilidade e aplicabilidade da velocimetria por Duplex na prática clínica. Parece-me uma alternativa viável, que pode ajudar-nos bastante na tomada de decisões e raciocínio clínico! A ver vamos...

Adérito Seixas
16-10-04, 00:09
Em relação ao teste da artéria basilar, muito temos falado aqui mas... em que consiste o teste? É claro que sei em que consiste mas gostaria de discutir isso um pouco aqui.

Francisco Neto
16-10-04, 01:21
Diversos testes foram desenvolvidos com o objectivo de stressar, mecanicamente, a artéria vertebral. Na bibliografia podem-se encontrar diversas nomenclaturas, como teste de Maigne, George, Hautant, Smith e Estridge, DeKleyn e Wallenberg. Todos eles incorporam uma combinação de rotação e extensão cervicais. No entanto, as guidelines da MPAA recomendam, como requisito mínimo, a rotação completa sustida, em decúbito dorsal ou sentado.

Adérito Seixas
16-10-04, 14:33
Era aí que queria chegar Francisco... na faculdade até aprendi que o teste era uma combinação de extensão, rotação e inclinação lateral. Hoje em dia sabe-se que apenas a rotação é mandatória e que a extensão até pode reduzir o stress na artéria...

Francisco Neto
16-10-04, 14:58
Cyriax recomenda que o teste seja efectuado com extensão, inclinação lateral e rotação e que esta posição seja mantida durante 30 segundos, a não ser que os sintomas sejam reproduzidos antes.

Adérito Seixas
16-10-04, 20:38
Sim Francisco, tudo bem. Mas isso já foi há muito tempo. Segundo a APA/MPA, como já foi dito, o movimento mandatório é a rotação sustida para ambos os lados, isto após uma extensa consulta e tendo em consideração estudos de fluxo sanguíneo da artéria vertebral. Como é que vocês executam o teste na vossa prática? Acham que apenas a rotação é suficiente?

Francisco Neto
27-01-05, 22:18
Aconselho a leitura do seguinte artigo:
Thiel H., Rix G. Is it time to stop functional pre-manipulation testing of the cervical spine? Manual Therapy (in press).
Aqui fica o resumo:

Abstract
The combined extended and rotated cervical spine position has been postulated to affect vertebral artery blood flow by primarily causing a narrowing of the vessel lumen, usually within the artery contralateral to the side of head rotation. The production of brainstem symptoms during the manoeuvre has generally been considered to be a positive test result. As a consequence, functional pre-manipulation testing of the cervical spine has been part of clinical screening undertaken by chiropractors and other manual practitioners to rule out the risk of possible injury to the vertebral artery. To date, these testing procedures are taught to students and carried out in daily clinical practice, despite the considerable controversy that exists about their validity.
This paper considers and discusses the usefulness of functional pre-manipulation testing for clinical scenarios, involving dissection, spasm or stenosis of the vertebral artery, and makes the following recommendations: (1) Practitioners must assess the patient thoroughly, through careful history taking and physical examination, for the possibility of vertebral artery dissection. It is important to note that vertebral artery dissection (VAD) may present as pain only, and may not be associated with symptoms and signs of brainstem ischaemia. (2) If there is a strong likelihood of VAD, provocative pre-manipulation tests should not be performed, and the patient must be referred appropriately. (3) In the patient presenting with symptoms of brainstem ischaemia due to non-dissection stenotic vertebral artery pathologies, provocative testing is very unlikely to provide any useful additional diagnostic information. (4) In the patient with unapparent vertebral artery pathology, where spinal manipulative therapy (SMT) is considered as the treatment of choice, provocative testing is very unlikely to provide any useful information in assessing the
probability of manipulation induced vertebral artery injury.

Adérito Seixas
28-01-05, 00:16
Encontrei uma referencia (Gibbons & Tehan, 2002) que aconselhava para testar a artéria vertebral os seguintes procedimentos:

- Movimentos activos:
. rotação para ambos os lados
. extensão
. extensão com rotação para ambos os lados

- Movimentos passivos:
. rotação para ambos os lados
. extensão
. extensão com rotação para ambos os lados

Eles usavam movimentos activos e passivos... o que acham desse protocolo?

Em relação ao artigo Francisco, vou tentar arranjar e depois comento.

sutrigueirinho
28-01-05, 00:32
eu concordo com o teste da arteria vertebrobasilar atraves dessas duas formas já que ao realizar numa primeira etapa o teste com movimentos activos, temos um primeiro resultado com muito menos impacto para o paciente da existencia da sua compressao. Na segunda etapa, realizada com os ditos movimentos passivos, o teste é muito mais agressivo para o paciente. Daí, a meu ver, a vantagem da utilização deste protocolo.

mfonseca
21-03-05, 10:04
Eu concordo com os argumentos apresentados pelo Ft. Adérito. De acordo com a mais recente pesquisa, a extensão da cervical diminui a compressão sobre a mesma. Sendo somente a manobra de rotação lateral essencial para que o teste seja completa e sintomatologicamente reprodutível.

Um abraço,
Marco Fonseca

Adérito Seixas
21-03-05, 13:27
Aconselho a leitura do seguinte artigo:
Thiel H., Rix G. Is it time to stop functional pre-manipulation testing of the cervical spine? Manual Therapy (in press).
Aqui fica o resumo:

Abstract
The combined extended and rotated cervical spine position has been postulated to affect vertebral artery blood flow by primarily causing a narrowing of the vessel lumen, usually within the artery contralateral to the side of head rotation. The production of brainstem symptoms during the manoeuvre has generally been considered to be a positive test result. As a consequence, functional pre-manipulation testing of the cervical spine has been part of clinical screening undertaken by chiropractors and other manual practitioners to rule out the risk of possible injury to the vertebral artery. To date, these testing procedures are taught to students and carried out in daily clinical practice, despite the considerable controversy that exists about their validity.
This paper considers and discusses the usefulness of functional pre-manipulation testing for clinical scenarios, involving dissection, spasm or stenosis of the vertebral artery, and makes the following recommendations: (1) Practitioners must assess the patient thoroughly, through careful history taking and physical examination, for the possibility of vertebral artery dissection. It is important to note that vertebral artery dissection (VAD) may present as pain only, and may not be associated with symptoms and signs of brainstem ischaemia. (2) If there is a strong likelihood of VAD, provocative pre-manipulation tests should not be performed, and the patient must be referred appropriately. (3) In the patient presenting with symptoms of brainstem ischaemia due to non-dissection stenotic vertebral artery pathologies, provocative testing is very unlikely to provide any useful additional diagnostic information. (4) In the patient with unapparent vertebral artery pathology, where spinal manipulative therapy (SMT) is considered as the treatment of choice, provocative testing is very unlikely to provide any useful information in assessing the
probability of manipulation induced vertebral artery injury.

Já li o artigo, muito interessante...
Segundo o autor, a evidencia sugere que os testes não têm sensibilidade de forma a serem preditores fiáveis de risco. Um teste negativo não nos diz que é seguro manipular a cervical...
O autor refere uma review em que de 64 casos medicolegais de acidentes cerebrovasculares associados a técnicas de manipulação cervical, 27 são casos em que a pessoa que manipulou refere ter utilizado um teste de avaliação, teste esse que foi negativo antes da manioulação... muito interessante. Recomenda-se novamente a leitura.

Helder Fonseca
21-03-05, 17:53
Novidades, pessoal...

A questão que se tem colocado passa também pelo facto de ser um pouco "perigoso" realizar mobilização em extremos, manipulação, ou tracção vertebral. Isto, porque a artéria basilar seria comprimida, havendo hipoperfusão nas zonas irrigadas pelas artérias cerebelares, nomeadamente, os labirintos membranosos, resultando num consequente nistagmo (associado, por vezes, a outros fenómenos de carácter vestibular como a náusea ou a vertigem).

Mas segundo estudos com Doppler a percentagem de indivíduos com insuficiência vertebro-basilar é de 1 para 4 milhões.

Por isso, se realizarem o teste e der positivo, ou é porque têm muito azar e apanharam um dos 2 ou 3 casos existentes em Portugal, ou então é porque realizaram o movimento rapidamente e estão na realidade a testar um dos canais semi-circulares do sistema vestibular e a pessoa tem BPPV (Benign Paroxismal Positional Vertigo).

Helder Fonseca
21-03-05, 18:00
Para além do mais, num estudo realizado por Cote,P. B.G. Kreitz, et al., em 1996 ("The validity of the extension-rotation test as a clinical screening procedure before neck manipulation: a secondary analysis"), no Journal of Manipulative & Physiological Therapeutic, onde foi comparado o teste de extensão-rotação com o Doppler, resultou numa sensibilidade de 0% :shock: , e num valor preditivo de 0%:shock: .
Uma questão se coloca, então... Será necessário realizar o movimento em supino??? Novos estudos estão a ser realizados para validar um teste (que se diferencia mais do Hallpike-dix) em que é realizada a rotação com extensão, mas com o paciente sentado.

Francisco Neto
21-03-05, 20:53
Por isso, se realizarem o teste e der positivo,

O próprio teste, por si só, é provocatório e pode resultar em lesão, embora seja pouco provável que tal aconteça... No entanto, e para nos precavermos, é importante que, mesmo para a realização do teste, haja consentimento informado por parte do paciente. Muitas vezes, a avaliação subjectiva pode-nos dar informações úteis relativamente à ocorrência de complicações e evitar que aconteçam surpresas. No entanto, a sensibilidade e especificidade desta avaliação subjectiva continua uma incógnita, uma vez que ainda não foi estudada...
Alguns autores sugerem que os pacientes com resultados positivos no teste deverão ser submetidos a uma avaliação por ultrasonografia. No entanto, tal é impraticável, devido aos custos envolvidos. Actualmente, a velocimetria por Doppler apresenta-se como uma alternativa viável, económica, fiável, válida, sensível e específica. Haynes já publicou uma série de artigos acerca desta alternativa.

Adérito Seixas
22-03-05, 01:30
Mesmo a velocimetria Doppler não é propriamente "praticável" para nós... mas podiamos referenciar os pacientes claro... existem vários artigos acerca do método.

Francisco Neto
22-03-05, 14:02
Mesmo a velocimetria Doppler não é propriamente "praticável" para nós... mas podiamos referenciar os pacientes claro... existem vários artigos acerca do método.

Concordo que não, mas sempre é menos dispendiosa. No entanto, julgo que uma avaliação completa e detalhada do paciente, quer subjectiva, quer objectiva, e a análise rigorosa e consciente do risco-benefício da aplicação de uma manipulação pode ser suficiente, embora possam sempre acontecer surpresas desagradáveis... É de referir que a ocorrência de complicações é muito pequena...

Adérito Seixas
23-03-05, 01:25
Sem dúvida Francisco, sem dúvida, uma boa avaliação, um exame cuidado é essencial, de qualquer forma é necessário estarmos atentos aos poucos casos em que podem ocorrer complicações, nada nos garante que não nos venha um parar às nossas mãos...

mfonseca
23-03-05, 02:53
Mas... voltamos à estaca zero!
Como disse o Viciouzzz e mt bem:

Para além do mais, num estudo realizado por Cote,P. B.G. Kreitz, et al., em 1996 ("The validity of the extension-rotation test as a clinical screening procedure before neck manipulation: a secondary analysis"), no Journal of Manipulative & Physiological Therapeutic, onde foi comparado o teste de extensão-rotação com o Doppler, resultou numa sensibilidade de 0% , e num valor preditivo de 0% .

e,

a percentagem de indivíduos com insuficiência vertebro-basilar é de 1 para 4 milhões.

Sendo a maioria destes testes positivos da artéria vertebro-basilar, complicações do foro labiríntico.
Concordo plena e integramente na avaliação pormenorizada e específica.

Um abraço,
Marco Fonseca

Francisco Neto
23-03-05, 15:46
Mesmo a investigação efectuada acerda da validade destes testes não é conclusiva. Os seus resultados são contraditórios... Por um lado, Côté et al. (199), Thiel et al. (1994), Rivett (2000) e Licht et al. (2000) não encontraram alterações significativas no fluxo sanguíneo na artéria vertebral. Por outro lado, Refshauge (1994), Licht et al. (1998), Rivett et al. (1999) e Licht et al. (2000) verificaram a existência de uma diminuição significativa ao nível do fluxo na artéria vertebral, sugerindo que os testes que incorporam rotação poderão, eventualmente, testar a adequabilidade da circulação colateral.
Para além da avaliação física ("objectiva"), também é necessário que haja mais investigação ao nível dos factores de risco para a ocorrência de complicações, assim como a sua sensibilidade e especificidade.

mfonseca
23-03-05, 17:11
Certíssimo Francisco.
Um abraço,
Marco Fonseca

ftnunosilva
25-03-05, 02:23
Também é essa ideia que eu tinha!

Francisco Neto
29-03-05, 23:14
<H2>

Sugiro a leitura de um artigo recente, a publicar na Manual Therapy (in press). Aqui fica o resumo:



Is it time to stop functional pre-manipulation testing of the cervical spine?


Haymo Thielhttp://www.sciencedirect.com/scidirimg/entities/REcor.gif (http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6WN0-4DGD9B8-1&_user=3143469&_handle=V-WA-A-W-AZ-MsSAYWA-UUW-U-AAAVZZBAZB-AAAWWVBEZB-AWAZZAEE-AZ-U&_fmt=full&_coverDate=10%2F05%2F2004&_rdoc=15&_orig=browse&_srch=%23toc%236948%239999%239#cor1), http://www.sciencedirect.com/scidirimg/entities/REemail.gif (hthiel@aecc.ac.uk) and George Rix

Anglo-European College of Chiropractic, 13-15 Parkwood Road, Bournemouth BH5 2DF, UK

Received 19 September 2003; revised 2 April 2004; accepted 30 June 2004. Available online 5 October 2004.




Abstract



The combined extended and rotated cervical spine position has been postulated to affect vertebral artery blood flow by primarily causing a narrowing of the vessel lumen, usually within the artery contralateral to the side of head rotation. The production of brainstem symptoms during the manoeuvre has generally been considered to be a positive test result. As a consequence, functional pre-manipulation testing of the cervical spine has been part of clinical screening undertaken by chiropractors and other manual practitioners to rule out the risk of possible injury to the vertebral artery. To date, these testing procedures are taught to students and carried out in daily clinical practice, despite the considerable controversy that exists about their validity. This paper considers and discusses the usefulness of functional pre-manipulation testing for clinical scenarios, involving dissection, spasm or stenosis of the vertebral artery, and makes the following recommendations: (1) Practitioners must assess the patient thoroughly, through careful history taking and physical examination, for the possibility of vertebral artery dissection. It is important to note that vertebral artery dissection (VAD) may present as pain only, and may not be associated with symptoms and signs of brainstem ischaemia. (2) If there is a strong likelihood of VAD, provocative pre-manipulation tests should not be performed, and the patient must be referred appropriately. (3) In the patient presenting with symptoms of brainstem ischaemia due to non-dissection stenotic vertebral artery pathologies, provocative testing is very unlikely to provide any useful additional diagnostic information. (4) In the patient with unapparent vertebral artery pathology, where spinal manipulative therapy (SMT) is considered as the treatment of choice, provocative testing is very unlikely to provide any useful information in assessing the probability of manipulation induced vertebral artery injury.






</H2>

Adérito Seixas
29-03-05, 23:50
Esse não é o que colocaste atrás? Esse já li :wink:

Francisco Neto
30-03-05, 00:09
ups...

mfonseca
30-03-05, 02:14
Tsss. Tás a falhar, Chico!
Marco

Helder Fonseca
01-04-05, 19:52
Era precisamente esse teste ao qual me referi atrás, a da extensão com rotação, sentado....

Adérito Seixas
22-09-05, 12:34
POSTERIOR PONTICLES AND ROTATIONAL STENOSIS OF VERTEBRAL ARTERIES. A PILOT STUDY USING DOPPLER ULTRASOUND VELOCIMETRY AND MAGNETIC RESONANCE ANGIOGRAPHY


Michael J. Haynes, BAppSc(Chiro), PhD,a Lesley A. Cala, MB, MD,b Alison Melsom,c
Frank L. Mastaglia, MB, MD,d Nicholas Milne, PhD,e and John K. McGeachie, DScf

Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics - June 2005

Objective: To determine whether the presence of posterior ponticles markedly increases by 30% or more, the incidence of major rotational stenosis of vertebral arteries. Methods: Doppler ultrasound studies were performed in 3 private chiropractic clinics and in the radiology department of a public hospital, and magnetic resonance angiography (MRA) studies were made in the latter location. Thirty-two chiropractic patients had Doppler velocimetery, and 16 of these patients had MRA scanning. The outcome measures included changes in Doppler velocimetry signals and MRA images indicative of marked rotational stenosis of vertebral arteries.


Results: All vertebral arteries from the 32 patients displayed no signs indicative of marked rotational stenosis.


Conclusion: The findings of this study show that the incidence of major rotational stenosis of vertebral arteries is notmarkedly increased by the presence of posterior ponticles. (J Manipulative Physiol Ther 2005;28:323-329)


Key Indexing Terms: Vertebral Artery; Cervical Vertebrae; Posterior Ponticle; Ultrasonography, Doppler; Magnetic Resonance Angiography; Chiropractic


É um artigo giro "dentro" do tema... deu para aprender algumas coisas giras :)

Francisco Neto
13-04-06, 23:51
Dois documentos recentes da MACP (Manipulation Association of Chartered Physiotherapists) relacionados com este tema:

Clinical summary: http://www.macpweb.org/home/index.php?m=file&f=155

New cervical assessment framework: http://www.macpweb.org/home/index.php?m=file&f=154

Hélder Abreu
14-04-06, 00:14
Isto vem dizer que convém termos o seguro de responsabilidade civil em dia! :wink:

Adérito Seixas
15-04-06, 12:13
Documentos interessantes, obrigado Francisco.

black_jack
05-05-06, 12:41
Vou recuperar aqui um assunto antigo.
Na minha formação base aprendi, penso que como todos nós, que um dos movimentos combinados a executar na realização deste teste é o de extensão cervical. Movimento este que, segundo a opinião fundamentada dos vários colegas alivia a tensão na artéria. Sobre isto também estou de acordo.
Há uns tempos fiz uma formação em terapia manual em que a formadora nos indicou uma forma mais eficaz de realizar o teste, a qual passo a indicar:

Decúbito Dorsal
1 - Flexão cervical, estabilizando esta região da coluna.
2 - Extensão cranio-vertebral.
3 - Movimento combinado de inclinação e rotação.

Qual a vossa opinião? :biggrin:

Bruno Campos
14-11-07, 13:10
Aqui vai um link para um ficheiro pdf. que vão achar interessante.
"Cervical Spine adjusting and the Vertebral Artery".

CVA Final Version 2006.ppt (http://www.driveway.com/bztdz90579)

ana maria
14-11-07, 17:07
Boas a todos...
muito interessante este assunto :)
antes de mais nada... quando falamos de manipulaçao é high trust velocity, senao utilizamos o termo mobilizaçao.
Na minha pratica, quando faço o teste, uso o decubitus dorsal (nao o faço sentado) pelo simples facto que se provocar algo no paciente, ele esta numa posiçao que nao me vai cair nos braços!
Estou de acordo de sempre começar pelos movimentos activos antes dos passivos, pois se provocar algo de maneira activa nao o vou fazer de maneira passiva, so para ter certeza que era realmente positivo... Penso que devemos usar nossa logica.
Segundo... o stress na arteria vertebral é mais do lado contrario, é o facto de ela ficar esticada (mais que o facto de ela ficar comprimida) que provocam os simptomas. O teste vai verificar nao somente a arteria vertebral mas a eficiencia do sistema circulatorio colateral. Dai o teste ser positivo em pessoas que nao apresentam simptomas clinicos.
Nos artigos mais recentes foi concluido que a rotaçao simples provoca mais stress do que qualquer outro tipo de movimento a nao ser a tecnica de manipulative pré-hold. Por isso podemos continuar a fazer os testes como nos foram ensinados na escola, mas temos de fazer obrigatoriamente a rotaçao e a pré-hold.
A nivel do acordo do paciente... É obrigatorio ter um consentimento esclarecido da parte do paciente. Se pensamos que uma manipulaçao cervical é o mais indicado para o paciente, devemos explicar tanto os beneficios como os contra e deixar o pacinete decidir se quer correr o risco (seja ele minimo) ou nao.
A nivel da literatura.. se bem me lembro ha muitas contradiçoes... e vai de um risco de 1 sobre 400 000 a 1 sobre 5milloes.
Espero ter ajudado :)

ana maria
14-11-07, 17:12
ia-me esquecendo...
uma forma de diferenciar a arteria do sistema vestibular... é que quando provocamos um sintoma, ele nao diminui se ficamos na posiçao se for a arteria, se for o sistema vestibular a sensaçao ressentida pelo paciente diminui.
E nao devemos esquecer a resposta latenta quando verificamos a arteria!

diana
17-11-07, 17:01
Aqui vai um artigo da Physical Therapy que aborda os riscos e beneficios da manipulação cervical. Saliento que é de 1999.

Hélder Abreu
17-11-07, 19:23
Aqui vai um artigo da Physical Therapy que aborda os riscos e beneficios da manipulação cervical. Saliento que é de 1999.

Uma revisão desta ano sobre este tema.

Mr.Dan
19-12-07, 22:22
Penso que na área da terapia manual existem outras formas tão eficazes na resolução de problemas cervicais quanto a manipulação e com muito menor risco.
Contudo é fundamental que antes de realizar o teste da artéria vertebral ter muita atenção às questões do exame subjectivo (idade, patologia, exames complementares, etc)...

Algo que pode ajudar (mas penso que a politica na Australia já é diferente daquela que existia quando o documento foi criado...)

http://apa.advsol.com.au/members/documents/download/AssessingVertebrobasilarInsuffic.pdf

Ismaelsilva
09-01-08, 01:40
Se recorrem aos estudos americanos nesta área, irão reparar que a percentagem de acidentes é muitíssimo baixa, e que os casos que ocorrem, são referentes ao quiropraticos, que só usam a Manipulação como abordagem terapêutica!

Mr.Dan
13-02-08, 20:58
Sim a percentagem é muito baixa: cerca de 8 em 1000 .... mas se for um doente nosso um desses 8... acho que não é de arriscar!

Hélder Abreu
13-02-08, 23:32
Engraçado. Apareceu-me há pouco uma paciente em que o teste deu positivo. Náusea e desconforto extremo na colocação da posição de teste. Os sintomas não demoraram 10 segundos sequer a instalar-se. Se tiver um tempito, abordo o caso dela no fórum dos "Casos-Clínicos"

Ismaelsilva
14-02-08, 00:04
Claro que não é de arriscar se não souberes avaliar convenientemente o caso, muitas das vezes poderás ter os ditos Falsos-negativos, e ai terás uma surpresa, mas nós nunca devemos fazer um único teste, e mais se estivermos a falar de Osteopatia (manipulação) nem sequer é necessário a manipulação para corrigir a hipomobilidade, temos sempre, em caso de dúvida, técnicas alternativas!
Por isso o ponto mais importante aqui é avaliar convenientemente e ponderar a técnica a utilizar!

Abraço

tcampox
25-02-08, 00:58
ola, tudo bem??Será que dá para me arrajares esse artigo completo??obrigado, abraço grande

Maky
25-03-08, 23:01
Pois é meus colegas.. Não querendo parecer que estou a tentar ensinar algo a tantos colegas experientes e sendo eu apenas um "maçarico" na matéria, gostaria de partilhar convosco os meus pensamentos e saber qual a vossa opinião acerca deles..
é um facto que existem diversas teorias acerca de como se deve testar a artéria basilar, e é também um facto que não existe consenso e razões estatísticas suficientes para em quase todos os testes propostos se ter alguma certeza que não estamos na presença de um falsos-positivos ou um falsos-negativos.. no entanto, é da minha opinião que os falsos-negativos é que são verdadeiramente preocupantes e em que a nossa prática clínica pode pôr seriamente em causa a vida do paciente, pois se estivermos na presença de um falso-positivo, concerteza que o nosso bom-senso irá prevalecer e iremos jogar pelo seguro, ou seja, não iremos aplicar a manipulação!!

PS: de salientar que o BONS osteopatas gabam-se de em 10 paciente manipularem 1!! :shock: Porque haveremos nós de utilizar uma técnica agressiva e tendencialmente perigosa senão em casos extremos?!.. :confused:
Existem N técnicas que muitos de nós até dominamos e que podem perfeitamente atingir o nosso problema (que neste caso será um desalinhamento articular).

PS2: a propósito do que disse anteriormente, estou neste momento a fazer o curso de crochetagem (ou fibrólise por ganchos ou tenofibrólise, como queiram chamar-lhe!!:wink::wink:), e estou bastante agradado com a técnica e com alguns resultados na pouca prática que possuo..e era para vos dizer que também esta técnica pode servir para alcançarmos o nosso problema!!..