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View Full Version : Contra-indicações e precauções da massagem



Francisco Neto
07-10-04, 10:47
Batavia (2004) publicou uma revisão bibliográfica em que pretendia verificar se diversas fontes bibliográficas (livros e revistas científicas revistas por pares publicadas em inglês nos últimos 10 anos) apresentavam unanimidade relativamente a contra-indicações e precauções da massagem. Das 21 fontes revistas, eram apresentadas desde 3 até 81 contra-indicações. De um modo geral, não existe consenso relativamente a este aspecto. É de realçar que apenas 24% das publicações revistas apresentavam referenciação bibliográfica como justificação para a apresentação de determinadas CI's e precauções. A maioria delas apresentava fontes secundárias como fundamento, maioritariamente baseadas em opiniões pessoais, teoria e senso comum, e não em evidência científica.
Numa altura em que a nossa prática clínica deverá ser, cada vez mais, baseada em evidência, parece-me que esta falta de consenso é deveras preocupante... Existe necessidade urgente em se efectuar investigação nesta área, assim como haver guidelines clínicos, baseados em evidências, que possam guiar a nossa prática clínica...
Quem estiver interessado em ler o artigo completo, deverá consultar Journal of Bodywork and Movement Therapies (2004) 8, 48–57.

Adérito Seixas
07-10-04, 20:13
Já li o artigo e devo dizer que tens toda a razão, é como a história dos ultrasons serem contra-indicados nas fracturas... nós na fisioterapia não deveríamos trabalhar com "achismos", o "eu acho que é contra-indicação" tem de acabar, dos artigos que ele citou, pela falta de correcção existente só alguns seriam cientificamente válidos... temos, cada vez mais, que fazer fisioterapia baseada no que as evidencias nos dizem meus amigos. Leiam todos o artigo, vale a pena, o título é "Contraindications for therapeutic massage - do sources agree?"

mfonseca
08-10-04, 03:43
Caros colegas,

Venho-me aqui intrometer para vos dizer que existem 2 tipos de contra-indicações: absolutas e relativas. E, como em todos as técnicas de aplicação em fisioterapia, existem contra-indicações que poderão sofrer um grau de ponderação. Ponderação essa que vai ter em conta o peso que tem o benefício em deterimento do malefício (basicamente!!!).

Opiniões...
Marco

Francisco Neto
08-10-04, 03:53
Venho-me aqui intrometer para vos dizer que existem 2 tipos de contra-indicações: absolutas e relativas.
Julgo que ninguém tem dúvidas relativamente a isso, Marco. Mas o que está aqui em questão é que não existe consenso relativamente a que situações podem contra-indicar, em absoluto ou não, a aplicação de massagem terapêutica. De todas as publicações revistas, existe um desacordo total... Neste momento, não existe evidência científica ou guidelines clínicos que possam orientar o nosso raciocínio clínico no que diz respeito a este assunto. Parece-me que é urgente a investigação para que a nossa prática seja baseada na evidência, não só nesta área mas também em muitas outras.

mfonseca
08-10-04, 04:01
Manda o bom senso que se respeite o que está descrito na bibliografia anterior.
Até novos estudos serem efectuados, só assim poderemos garantir que nenhum mal ocorrerá ao paciente.

Conheces casos bibliográficos onde ocorram grandes diferenças em termo de contra-indicação das aplicações massoterapeuticas?
P.F. envia em formato PDF ou o site onde encontras-te.

Marco

Francisco Neto
08-10-04, 04:15
O problema, Marco, é que "o bom senso fica um pouco confuso". :lol:
O artigo que referi
Journal of Bodywork and Movement Therapies (2004) 8, 48–57. é uma revisão sistemática em que se verifica que existe pouca concordância entre o que se encontra bibliograficamente descrito como contra-indicações relativas, absolutas e precauções. Dependendo do livro que um Fisioterapeuta lê, o bom senso é direccionado em determinado sentido... Se o colega do lado lê outro, tem outra opinião... Creio que situações deste género não são muito benéficas para uma área que tem a ambição de ser reconhecida como uma ciência. Daí a extrema necessidade de haver investigação científica que fundamente a nossa intervenção! É lógico que o mundo não é perfeito e isso não vai acontecer de hoje para amanhã... Mas não podemos deixar que o "bom senso" (muito subjectivo, não achas?) impere, correndo o risco da evolução da profissão estagnar... e de não melhorarmos a qualidade dos serviços de saúde que prestamos!

mfonseca
08-10-04, 04:31
Para isto não virar um diálogo. Vou colocar no fórum este artigo (devo arranjar lá na faculdade!) e deixar que também façam observações sobre este assunto.
Não posso deixar de concordar contigo, mas o bom senso que referi, não era estava directamente realcionado com o senso comum que se adopta na atribuição das contra-indicações da massoterapia. Nem tão pouco da electroterapia (que aí sim é bem mais discutível - se tiveres curiosidade dá uma vista de olhos no fórum de electro!!!).
Mas se atentares à maior parte dos efeitos fisiológicos da massagem, e com o conhecimento que tens da fisiopatologia, consegues perceber e estabelecer determinadas contra-indicações absolutas.

Acho que já falei disto noutro fórum, mas... - o problema da delineação de hipóteses de um determinado problema é que o que se tenta rejeitar é a hipótese nula. Se se rejeita, aceita-se a hipótese alternativa. É meramente uma questão de "se não é boi... é vaca".
E todos nós sabemos que existem milhentas variáveis que não podemos controlar.

Neste assunto passa-se o mesmo. Até aqui provou-se que existe contra-indicação pura e simplesmente pela associação de um ou mais factores de risco à aplicação de determinada técnica. E para já ninguém o pode contrariar porque ainda não morreu ninguém...
Mas, calma!!!! Não comeces a tomar conclusões precipitadas!!!

Até aqui tem funcionado assim. Está correcto? Possivelmente não.
Para que é que serve a investigação. Ainda vamos a tempo de a fazer, não achas?
Eu estou disponível... para estudos futuros, claro! :wink: (sou muito macho e sou um homem casado) :lol:

Um abraço,
Marco

Francisco Neto
08-10-04, 04:52
Obviamente que temos que partir de hipóteses baseadas em conhecimentos anatomo-fisiológicos, patológicos, bioquímicos e outros... Mas, à posteriori, deveremos tentar comprovar as nossas hipóteses cientificamente! Acho que disso não restam dúvidas! Não nos podemos basear em meras HIPÓTESES, mas temos que buscar a EVIDÊNCIA! Senão o que andarão a fazer estes desgraçados dos investigadores, anos a fio, metidos em laboratório!?? Se quisessem só as hipóteses, de certeza que tinham ficado em casa descansadinhos! Querem procurar evidências para que a prática clínica seja direccionada do modo a se atingirem resultados o mais eficazes possivel! Daí a necessidade de guidelines clínicos, para que não se ande a perder tempo e a fazer perder tempo com "banha da cobra".
Acho que a nossa conversa já está a fugir à situação do artigo, em concreto, e a tornar-se mais abrangente! Mas é algo que afecta todas as áreas da Fisioterapia!

Adérito Seixas
08-10-04, 09:27
Como já disse numa mensagem anterior, eu já li o artigo, e a ideia com que fiquei foi que a bibliografia existente define contraindicações que muitas vezes nem justifica a fonte... isto não é válido cientificamente, ou é? O problema na área da fisioterapia é que se trabalha, ainda, muito no ar, nos "achismos". Felizmente a tendencia hoje em dia é outra, as investigações estão a decorrer mais frequentemente na nossa área. Já dei o exemplo e volto a dar, a aplicação dos US está contra-indicada (eu aprendi assim) em fracturas, no entanto hoje eu sei que não é bem assim. Com a massoterapia passa-se a mesma coisa...
Eu não posso acreditar num artigo que diz que existe uma contra-indicação x para a aplicação de massoterapia e não refere a fonte, a não ser que o estudo tentasse provar que esse mesmo factor era contra-indicado.
Como disse o Francisco, se queremos que a nossa profissão seja vista como uma ciência, as contra-indicações de uma determinada prática não podem ter como base o bom senso mas sim a evidência científica que no caso da massoterapia parece tão escassa... guidelines clínicos, precisamos de guidelines clínicos urgentemente meus amigos.

mfonseca
08-10-04, 09:51
Eu ouço a mesma lenga-lenga à mais de 4 anos. O que é que se tem ensinado nestes últimos 2 anos nas principais escolas de fisioterapia do país?
Estará tudo errado por causa de um simples artigo? E se o artigo em si também for inconclusivo na abordagem?...
Não digo que não concordo convosco de que existe a necessidade de se confirmarem a totalidade das contra-indicações. Mas por causa de um artigo vamos mudar todo o nosso raciocínio clínico. Estão-me a fazer lembrar os recém-fisioterapeutas que quando acabam uma licenciatura e aprendem uma nova técnica. Pensam que essa nova técnica vai curar tudo e passam a usá-la em todos os doentes. Tsss...
Mantenho a minha disponibilidade para futuros estudos.
Um grande abraço,
Marco

PS - Ainda vou ler o artigo. Calma!!!

Adérito Seixas
08-10-04, 13:22
Não vamos mudar o nosso raciocínio clínico mas podemos alterar a visão das coisas... nomeadamente daquilo que se "acha" que é uma contra-indicação ou pura precaução.

Francisco Neto
08-10-04, 19:14
Mas por causa de um artigo vamos mudar todo o nosso raciocínio clínico.
Não quero dizer que devemos mudar o nosso raciocínio clínico! Ele deverá ser baseado, entre outros factores, na melhor evidência científica disponível no momento! E o que Batavia (2004) critica é que não há evidência nem consenso no que diz respeito às CI's e precauções da massagem! Em muitos dos casos analisados, são referidas CI's e precauções sem base em nenhuma investigação.
É óbvio que não nos podemos prender em demasia aos resultados da evidência científica, mas devemos integrar a existente na nossa prática clínica e investigar a eficácia das técnicas que aplicamos. Devemos evitar o "Síndrome da prática baseada na evidência" e utilizar a evidência como uma ferramenta no nosso raciocínio clínico. Sem expertise clínico, a prática corre o risco de ser "tiranizada" por evidências externas. Mesmo evidência de excelente qualidade pode não ser aplicável a determinado paciente. Sem evidência externa actual e de qualidade, corre-se o risco que a prática esteja, rapidamente, desactualizada e, consequentemente, a qualidade dos serviços prestados não seja a melhor possível.

Estão-me a fazer lembrar os recém-fisioterapeutas que quando acabam uma licenciatura e aprendem uma nova técnica.
Julgo que estás a fazer uma leitura errada da situação. É salutar que se desenvolva em nós um espírito crítico que nos leve a questionar a própria prática clínica... Só deste modo é que pode haver evolução. De outro modo, ficaríamos na idade da pedra... É bom que questionemos toda a nossa prática. Só desse modo é que crescemos... Se as pessoas não o fizessem, não haveria investigação em Fisioterapia, não achas???

mfonseca
09-10-04, 02:21
Já vi que cada um tenta defender a sua dama!
Francisco:
Basicamente tens razão. Mas, eu não critico fisioterapeutas recém licenciados ou os que investem na formação. Longe disso. Chamo a atenção para os cuidados a ter com as novas abordagens terapeuticas. A sua utilização deve ser ponderada e não vamos começar a rotular prescrições sucessivas a todos os doentes, só porque determinada técnica está na moda.
Isto não é o canal Fashion TV :lol:

Agora...
Parabenizo todos aqueles que, pela sua dedicação à classe, investem na formação de qualidade. E que gerem, de uma forma muito cuidadosa, o tratamento a aplicar a cada doente.

Um abraço,
Marco

Francisco Neto
09-10-04, 02:36
Chamo a atenção para os cuidados a ter com as novas abordagens terapeuticas. A sua utilização deve ser ponderada e não vamos começar a rotular prescrições sucessivas a todos os doentes, só porque determinada técnica está na moda. Isto não é o canal Fashion TV

Subscrevo as tuas palavras. O "síndrome do curso de fim de semana" deve ser evitado. Devemos ser sempre cépticos até prova em contrário! Mas há que haver uma certa abertura a técnicas e conceitos ainda pouco divulgados, pelo menos no país. Devemos seguir as "modas" se elas realmente forem eficazes... Quer clinicamente, quer com evidência científica. Também não podemos deixar que a Fisioterapia se torne a consulta e aplicação de um livro de receitas. A prática baseada na evidência não é isso! A evidência deve ser utilizada como um dos meios para orientar o nosso raciocínio clínico, mas não o único! Até porque tratamos seres humanos e não máquinas. Cada paciente tem a sua individualidade e devemos adoptar um modelo biopsicossocial no seu tratamento. E os guidelines não são "Vade-Mecums" de nova geração. São apenas guias de orientação clínica, elaborados a partir da melhor evidência disponível no momento. O padrão de reconhecimento e o raciocínio hipotético-dedutivo são ferramentas que temos que utilizar e não podemos, de modo algum, abandonar.
A prática baseada na evidência:
- É o processo consciente, explícito e judicioso que consiste na utilização da melhor evidência actual na tomada de decisões em casos individuais (Sackett et al. 2000);
- Consiste na integração da melhor evidência disponível com expertise e raciocínio clínico, tendo em vista a melhoria da qualidade das decisões (Sackett et al. 2000).

Resumindo e concluindo, acho que divagamos um pouco nesta discussão... Mas que soube bem... Ai isso soube! 8)

mfonseca
09-10-04, 02:42
Qual era mesmo o assunto? :lol:

Francisco e Manbeleth:
Já consegui o artigo que mencionaram. Mas ainda não tive tempo de o ler cuidadosamente. Quando o fizer... venho para aqui mandar mais uns "bitaites", ou então não...

Penso eu de que!
Marco

Adérito Seixas
10-10-04, 18:39
Espero bem que o leias e que o comentes aqui ;)

Elisa Petiz
03-11-04, 20:11
Marco, é mesmo bom que leias o artigo...
Ensinado nestes ultimos 2 anos, só? Será sempre de todo o nosso interesse que sejamos sempre receptivos a novas perpectivas e. ..até prova em contrário, vai-se aceitando com moderação e saudável sentido crítico o que há de novo. É isso que nos faz crescer os níveis de conhecimento.
A nossa grande aposta na qualidade e afirmação enquanto profissionais autónomos, passa sem dúvida pela evidência.
Um abraço

brenda
09-04-08, 22:39
Ola, onde é possivel eu encontrar artigos fidedignos, e que nao sejam a pagar? Tou com imensas dificuldades em encontrar fundamentos em artigos para a teoria... Preciso para uma trabalho, de fundamentar com evidência clinica sobre instrumentos avaliativos e formas de intervenção, como o calor humido, a massagem, etc.
Podiam me ajudar?
Abraço

rita afonso
02-05-08, 14:20
A PubMed tem vários artigos de acesso livre. A PEDro tem mais qualidade mas menos acessibilidade.

danym
02-05-08, 15:38
Alguns artigos da PEdro estão disponíveis em:
www.cebp.nl

No canto superior dto existe uma parte que se refere a "Articles From PEDro"
e nesse site também tem algumas guidelines interessante....
cumprimentos