View Full Version : A Massagem transversa Profunda (MTP)
Adérito Seixas
05-10-04, 22:02
O grupo que modera este fórum decidiu lançar este tema de discução, qual a vossa experiência com o uso desta técnica? Podem referir todos os aspectos que achem necessários tais como o nível de sucesso de utilização da técnia, a tolerância à massagem por parte do doente, as complicações para o terapeuta decorrentes da sua utilização... enfim, tudo o que acharem pertinente.
Podem especificar com casos, o que tornaria a discução bem mais interessante, estudos, tudo...
Francisco Neto
07-10-04, 02:39
Brosseau et al. (2004) sugerem que não existe evidência científica que comprove os benefícios da massagem transversal profunda no tratamento de tendinites, muito embora esta seja bastante utilizada na prática clínica. No entanto, é de salientar a escassez de ensaios clínicos randomizados de qualidade, à excepção dos publicados por Schwellnus (1992) e Stratford (1989). Consequentemente, é necessária mais investigação nesta área para que melhor se possa avaliar a eficácia desta técnica no tratamento de tendinites.
Aconselho os colegas interessados a ler a seguinte revisão:
Brosseau L, Casimiro L, Milne S, Robinson V, Shea B, Tugwell P, Wells G. Deep transverse friction massage for treating tendinitis (Cochrane Review). In: The Cochrane Library, Issue 1, 2004. Chichester, UK: John Wiley & Sons, Ltd.
Caso este assunto desperte o interesse a alguém, poderei indicar mais referências bibliográficas, assim como os seus principais resultados e conclusões.
Interssante este estudo da MTP em tendinites...mas ai eu te pergunto, será que existia mesmo a patologia tendinite ou apenas a dor localizada no tendão confundiu o diagnóstico? tenho lá minhas dúvidas, pois dificilmente são encontrados pacientes com envolvimento apenas no tendão..veja isso pelas novas evidências sobre controle motor do grupo de estabilização segmentar da Austrália...um grande abraço
Adérito Seixas
24-01-05, 23:32
Será que podes desenvolver um pouco mais a tua iodeia pada? Lança a discussão :wink:
Vitor Santos
25-01-05, 02:14
Não conheço o estudo referido pelo Francisco Neto. Mas peço aos colegas do fórum que estejam porventura ligados à investigação que me esclareçam: É possível fazer um estudo quando lidamos com um "substrato" que não conhecemos? Melhor dizendo podemos testar as nossas técnicas nas "algias" " ites" e "omas " médicos? Sinceramente não sei. Mas se alguém tiver paciência para me explicar, "sou todo olhos ":rolleyes:
Francisco Neto
27-01-05, 01:50
Como fisioterapeutas, os diagnósticos médicos apenas servem para nos ajudar (em alguns casos, como é óbvio). Um diagnóstico de ombro congelado ou afins não nos diz absolutamente nada e a nossa intervenção deverá ser baseada nos sinais provenientes da nossa avaliação e consequente diagnóstico de fisioterapia. Seleccionamos técnicas de tratamento em função do que encontramos na avaliação efectuada. Consequentemente, é importante que a eficácia dessas técnicas seja avaliada através de investigação científica. Nos estudos que o fazem, os critérios de inclusão e exclusão utilizados são bastante "apertados", de modo que as "algias", "ites" ou "omas" sejam o mais homogéneos possível na amostra em estudo. Por exemplo, Vicenzino, numa das suas investigações, define epicondilalgia lateral como dor no aspecto lateral do cotovelo, provocada por palpação do epicondilo lateral e por tarefas de preensão. Para além disso, a dor teria que ser reproduzida através de, pelo menos, um dos seguintes: contracção isométrica dos extensores do punho ou curto extensor radial do carpo ou estiramento dos extensores. Para não me alongar muito e transcrever todo o artigo, os critérios de exclusão incluia factores que pudessem indiciar origem cervical e outros factores importantes no diagnóstico diferencial. Esta é definição e operacionalização de conceitos seleccionada por este autor. Não se baseia na sensibilidade ou especificidade dos testes que aplica. No entanto, não refere que existe apenas envolvimento no tendão, mas estuda indivíduos com dor ao nível da face lateral do cotovelo podendo esta, obviamente, ter envolvimento neural ou articular.
A meu ver, mais importante que a terminologia utilizada, é a investigação da eficácia de técnicas de tratamento que seleccionamos frequentemente, perante determinado quadro clínico. Só assim poderemos escolher a técnica X em deterimento da Y, baseados em evidência que sugira melhores resultados no tratamento, quer para nós, enquanto terapeutas, quer para o utente. Já se questionaram ou fizeram uma pesquisa bibliográfica relativa à eficácia das técnicas que habitualmente utilizam? Julgo que este é o caminho a seguir, para que técnicas com efeitos não comprovados e, por vezes, de eficácia igual a tratementos placebo deixem de ser utilizadas. Para bem da profissão e dos pacientes. Bem... já estou a divagar demais...
Helder Fonseca
28-01-05, 19:21
Ora nem mais.... Será que aqueles artigos que se referem a "low back pain" e não homogenizam a amostra serão válidos. Cada tratamento tem um efeito diferente e consequentemente deverá ser aplicado apenas em casos em que esse mesmo efeito esteja comprovado.
Neste caso, será que todas as tendinites melhoram com o MTP. Na minha (limitada) experiência uso o MTP com resultados algo conflituosos. Alguns doentes sentem melhorias mais significativas a partir daí, outros não... Pelo menos dá para "anestesiar", nem que seja só por umas horas.
Já agora... E que achados é que existem em tratamentos de lesões ligamentares e musculares?? Eu acho que neste tipo de situações os resultados são melhores.
Francisco Neto
28-01-05, 19:51
Cada tratamento tem um efeito diferente e consequentemente deverá ser aplicado apenas em casos em que esse mesmo efeito esteja comprovado.
Não nos podemos limitar a aplicar apenas tratamentos com eficácia comprovada mas, como é óbvio, esses serão os de eleição. O problema é que grande parte da nossa prática clínica ainda não tem evidência que a suporte. Nesses casos, aplicamos determinado tratamento porque, efectivamente, resulta, embora não exista investigação que explique o porquê. Mas, para isso, é preciso que o hábito de efectuar avaliações antes e após a aplicação de técnicas se torne um hábito.
Logicamente, não podemos, também tirar conclusões precipitadas por 2 ou 3 artigos terem chegado à conclusão que determinada técnica é eficaz em determinado tipo de paciente. Há muitos artigos publicados com inúmeras limitações metodológicas (e não só). É preciso que existam diversos artigos científicos com elevado nível de evidência (RCT's). Os guidelines fazem recomendações para a prática clínica, mais ou menos "fortes", com base na melhor evidência disponível no momento, da melhor qualidade possível.
Muitas vezes, é complicado e arriscado extrapolarmos directamente resultados de investigação científica para a prática clínica. Tudo tem que ser ponderado. Não só a evidência, como a experiência profissional (expertise clínica) e os valores do paciente.
olá...muitas vezes nos deparamos com conflitos entre os sintomas x diagnóstico clínico durante a avaliação fisioterapêutica. a terminologia tendinite sugere uma disfunção local, ou seja, naquela região do tendão ou próxima a ele...entretanto, se a gente analizar os diversos casos que encontramos, dificilmente existe uma tendinite pura e simples. Sarhmann (2003) descreve que movimentos repetitivos e posturas sustentadas são os grandes resposáveis pelas alterações de movimento ou sindrome de movimentos alterados, como ela propõe. Portanto, acredito, de acordo com os resultados insatisfatórios para tratamento de tendinites com MTP, US, TENS, que existe toda uma alteração no controle motor local e global das articulações e talvez, por apenas ficarmos preocupados com o tendão em si, nossos resultados clínicos sejam confusos...um grande abraço
Vitor Santos
06-02-05, 19:23
Será que pelo atrás exposto a nossa grande meta seja investigar ou mesmo criar um modelo de diagnóstico em fisioterapia?
Pois como diz o ditado é dificil " fazer omoletes sem ovos" isto serve para dizer que o saber baseado na acumulação de Skills fazendo crer que quem tem mais skills tem maior sapiência terapêutica já foi tempo, na minha opiniâo.
Ana Santos
04-02-06, 01:12
Só para desmistificar um pouco esta questão do diagnóstico médico (entendendo-se por clínico) e da sua importância para a nossa prática devo dizer que cada vez menos os recebo.
Sim! Um utente chegar a um consultório, referir dor nas costas e sair de lá com diagnóstico de LOMBALGIA, como se o Sr Dr. tivesse descoberto o mal para todos os seus problemas deveria pedir era que o médico lhe pagasse a consulta a ele.
Quem diz da lombalgia, diz da cervicalgia, da dorsalgia, da raquialgia, da omoalgia...enfim, da totalgia!
Sou estudante de fisioterapia e estou a fazer um trabalho sobre a eficácia da massagem transversal profunda (MTP) na epicondilite, já consegui alguns RCTs mas pelo que me deu a entender não à muito apoio cientifico nesta àrea, a`té porque já estive a procurar na medline e não tem assim tanta coisa, o que me sugerem?
Boa Tarde,
Estou a realizar um trabalho universitario acerca da eficácia da MTP, especificamente da tendinite rotuliana. Seria possivel enviar-me mais alguma referencia bibliografica, uma vez que ja tinha a Revisao Sistematica citada?
cumprimentos
DianaArraia
24-02-10, 12:31
Boas. Tou no 4º ano e preciso fazer um trabalho sobre MTP. Qualquer informação que me possam enviar, agradeço.
Cumprimentos
DA
muitas vezes é Tendinose e não tendinite. Segundo alguns estudos há presença de degenerações. Por isso o termo tendinite tem vindo a ser menos utilizado.
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