Américo Sousa
28-04-05, 22:50
CURSO SUPERIOR DE FISIOTERAPIA
4º Ano
2002/2003
O papel do Fisioterapeuta na Equipa de Saúde Escolar
AMÉRICO SOUSA
Orientador:
Dr.ª Isabel Bessa
Porto
DEZEMBRO/2003
À minha família
Agradecimentos
Ao Daniel, à Inês, à Amélia,
aos meus Pais, à Tita e a todos os que tornaram possível este trabalho, especialmente quem me orientou, que foi uma verdadeira Estrela do Oriente.
Às crianças e professores que participaram neste trabalho, a minha eterna gratidão.
RESUMO
RESUMO
Este trabalho tem por objectivo avaliar a qualidade da retenção de informação a curto, médio e longo prazo, de alunos da Escola Primária, sobre mensagem preventiva acerca de Raquialgias e de promoção de hábitos de Higiene Postural , e a partir daí, demonstrar um possível forma de intervenção dos Fisioterapeutas nas equipas de Saúde Escolar.
Sendo a população alvo as crianças que frequentam 3º e 4º anos de Escolaridade, foi constituída umaAmostra de Conveniência constituída por cerca 35 alunos de 3º e 4º anos, pertencentes a duas Turmas da EB 1 do Taralhão e da EB1 do Souto, pertencentes ao Agrupamento de Gondomar São Cosme, do concelho de Gondomar, distrito do Porto.
Após a realização de um Teste de Diagnóstico, foi realizada uma Acção de Formação sobre Higiene Postural e Prevenção de Raquialgias, após a qual foi realizado novamente o mesmo Teste. Este Teste foi repetido em 3 alturas posteriores: uma semana, 3 meses e 6 meses depois.
Houve retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
Os resultados obtidos parecem indicar a necessidade de incluir Fisioterapeuta nas Equipas de Saúde Escolar, realizando acções formativas e informativas com o objectivo de prevenir possíveis patologias e de promover atitudes e comportamentos saudáveis.
Palavras-chave:
Retenção de Informação, Prevenção/Promoção, Fisioterapia, Saúde Escolar
Índice
1- Introdução........................................ ............................................. 6
2- Objectivos........................................ ........................................... 12
3- População e Métodos........................................... ........................12
4- Resultados........................................ ........................................... 15
5- Discussão......................................... ........................................... 18
6- Conclusão......................................... ........................................... 20
1- Introdução
A dimensão que o problema das raquialgias das crianças em idade escolar está a tomar nos países ocidentais e a ineficiência das estratégias tradicionais para lidar com a situação, conferem a este tema uma importância cada vez maior nos programas de promoção da saúde nas escolas.
Os factores que determinam a manifestação das raquialgias extravasam as fronteiras dos cuidados médicos. Foster e col., (1), constatando não existir evidência de que as dores de origem músculo-esquelética, nomeadamente as raquialgias, estejam a diminuir com os cuidados actuais, afirmam que, em relação àquela situação, as abordagens segundo um modelo biomédico são claramente insuficientes.
A mensagem da Directora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, no relatório de 2002 (2), indica o sentido que devem tomar as estratégias de promoção da saúde: reduzir os factores de risco. E as intervenções para almejarem o sucesso devem ser contextualizadas, pois que os factores de risco variam no espaço e no tempo. Para tal é necessário avançar para o terreno e avaliar a realidade, identificando os factores de risco. Só assim se podem definir objectivos e elaborar estratégias com bases mais sólidas e mais fiáveis.
É necessário concretizar a proximidade do Centro de Saúde com a Comunidade, neste caso com a Escola, conforme apontam as orientações do Ministério da Saúde (3,4).
Como é evidenciado por Frank e col. (5), relativamente às abordagens actuais com maior sucesso nas lombalgias dos adultos, a resolução dos problemas não se encontra habitualmente no contexto do ambiente clínico mas sim, quase sempre, no contexto real onde o problema surge. É preciso pois, sair da clínica e ir para o terreno.
Intervir na infância ganha pertinência se atender aos estudos epidemiológicos que identificaram uma associação entre queixas de raquialgias nas crianças em idade escolar e raquialgias na idade adulta.
Os custos económicos que as raquialgias comportam são difíceis de calcular e não passam de estimativas grosseiras que pecam sempre por defeito. Em Inglaterra (6) as estimativas sugerem um valor aproximado de €200. Assim, com referência aos valores mais baixos de Inglaterra, a implementação de uma intervenção que pudesse reduzir em 5% a incidência de problemas nas costas, apesar deste valor ser estatística e clinicamente pouco significativo, poderia equivaler, para além dos benefícios em saúde dos indivíduos protegidos, a uma poupança de cerca de 80 milhões de euros por ano na Inglaterra.
Investir agora, na criança, para poupar no futuro, no adulto, parece pois ser uma estratégia que começa a ter eco em vários países (7) e faz uso de uma abordagem multidimensional. Contudo os trabalhos realizados são ainda incipientes na óptica de Ebbehoj e col, não sendo ainda possível divisar as melhores estratégias de intervenção. Num estudo de Lister-Sharp e col (8) , que faz uma revisão sistemática dos programas de promoção de saúde nas escolas e das escolas promotoras de saúde constata-se a mesma realidade. Ebbehoj e col., na conclusão do seu trabalho defendem que a investigação nesta área deve assumir carácter prioritário, para que tão cedo quanto possível sejam disponibilizados dados sobre as mais relevantes estratégias de prevenção/promoção.
Os estudos conduzidos pela OMS no seu programa sobre os comportamentos das crianças em idade escolar (Health Behaviour in School-Aged Children: a World Health Organization Cross-National Study Research) enquadra-se neste contexto (9) e tipifica a proximidade que deve existir entre o sistema educativo, o sistema de saúde e os recursos sociais.
É neste contexto que o presente projecto se enquadra e se pretende desenvolver.
1.1 Epidemiologia das Raquialgias
No inquérito nacional sobre a saúde dos adolescentes portugueses, integrado no estudo nacional da Rede Europeia sobre os comportamentos de saúde das crianças em idade escolar (n=6903), Matos (10) identificou que são as raparigas e o grupo adolescente de mais idade (16 anos) que mais referem raquialgias (uma vez por semana ou mais) em percentagens que se aproximam dos 40% (39,8%); cerca de 26,3% dos adolescentes de 11 anos referem as mesmas queixas.
Na população adulta, considera-se que as raquialgias representam um sério problema de saúde (11). Afecta anualmente cerca de metade da população, sendo a principal causa de incapacidade e de dias de trabalho perdidos, acarretando custos sociais elevadíssimos. Segundo Kersens (12), cerca de ¼ das consultas de fisioterapia estão relacionadas com o atendimento de utentes com raquialgias. Desconhecem-se os dados relativos às consultas de fisioterapia neste grupo.
São apontados vários factores como estando na origem das raquialgias.
Burke e Peper, (13) numa amostra de conveniência (n=212) determinaram que 15% dos estudantes referiam desconforto físico na forma de raquialgias e atribuíam tal facto à utilização de computador.
Num estudo sobre obesidade e outras queixas físicas, Toyran e col (14)., investigaram o efeito do tempo passado a ver televisão num grupo de 886 adolescentes. As crianças que passavam mais tempo a ver televisão (mais de 2 horas por dia) referiam mais queixas físicas (cefaleias, raquialgias problemas da visão e do sono) e eram mais obesas.
1.2 Associação entre Factores Biomecânicos e Raquialgias
É crescente o número de estudos que se dedicam à análise dos factores biomecânicos e aos efeitos que a carga das mochilas exerce sobre a coluna.
Yoganandan e col. (15), estudaram as características biomecânicas dos tecidos moles da região cervical nos adultos e nas crianças de 3 a 6 anos, concluindo que essas eram as estruturas principais de absorção de carga. Os autores sugeriam, por fim, o aprofundamento dos estudos de forma a ser possível predizer realisticamente as respostas dos tecidos moles da coluna cervical em função da idade das crianças.
Chansirinukor e col, (16)numa análise biomecânica do efeito do peso das mochilas dos estudantes (n=13), concluíram que cargas superiores a 15% da massa corporal provocam alterações significativas da postura dos ombros e região cervical.
Numa amostra de pessoas adultas que manipulavam cargas, Skotte e col (17), determinaram que os parâmetros biomecânicos analisados na coluna lombar eram mais dependentes da tarefa que do indivíduo. Registaram ainda que, em tarefas de levantar pesos a massa corporal do próprio tem uma associação positiva com as forças de compressão na região lombar. Curiosamente, pela aplicação da escala de percepção de esforço os resultados obtidos sugeriam que a percepção do esforço era mais dependente do sujeito que da tarefa.
Merati e col.(18), a partir do estudo misto de aplicação de questionário e avaliação de parâmetros biomecânicos que efectuaram com crianças (n=115), defendem existir associação, embora não directa, entre peso da mochila e raquialgias, que se processa eventualmente através da fadiga e tempo de transporte da mochila e condição física do adolescente
Numa revisão sistemática de 53 estudos sobre a biomecânica do tronco, Davis e Marras (19), concluem que o movimento do tronco tem um efeito importante sobre a força do tronco e sobrecarga exercida nas estruturas da coluna podendo favorecer o aparecimento de problemas da mesma. Realçam a importância de serem avaliados os factores relacionados com as tarefas de levantar e transportar cargas e os factores individuais.
Pesquisando o efeito das cargas repetitivas na biomecânica da coluna, Dolan e Adams (20), concluem que o levantamento repetitivo de pesos induz fadiga nos músculos extensores da coluna e aumenta substancialmente o momento de flexão que actua sobre a região lombar. Com as devidas reservas, poderemos especular que o tempo de transporte de uma mochila pesada poderá ter influências na biomecânica da coluna e eventualmente condicionar o aparecimento de raquialgias.
1.3 Associação entre Causas Orgânicas e Raquialgias
Embora pouco frequentes, é importante que se identifiquem causas orgânicas na ocorrência das raquialgias nos adolescentes. Ginsburg e Bassett, (21) afirmam que as raquialgias nas crianças e adolescentes que recorrem aos cuidados médicos têm uma origem orgânica identificável; e apontam como causas mais frequentes a espondilólise, a espondilolistese, a escoliose, a cifose de Scheuermann, as hérnias discais, as infecções e tumores.
1.4 Associação entre Factores Psico-sociais e Raquialgias
No estudo de Jones e col. (22), problemas psico-sociais e de comportamentos de risco estavam associados a raquialgias.
Kristjansdottire e Rheefour, (23), chamam a atenção para os estilos de vida e factores sociais ao determinarem no seu estudo de uma amostra nacional de 2173 adolescentes que a idade, a fadiga matinal, os hábitos alimentares e o suporte parental emergiam como factores associados com raquialgias.
1.5- Tipos de Memória
Existem vários tipos de memória e com diferentes características, conforme se mostra no quadro seguinte:
Quadro 1– Tipos de memória e sua características(24)
Acumulação Sensorial
Memória de Curto Prazo
Memória de Longo Prazo
Duração
Até 3 segundos
+/- 30 segundos
Prolongada
Codificação
Literal
Abstracta
Muito Abstracta
Capacidade
Muito grande
5 a 7 itens
Muito grande
Características
Input em paralelo
Processamento informacional
Armazenamento informacional
Origem da Informação
Várias fontes sensoriais
Informação seleccionada
Informação significante
Aquisição
Instantânea
Rápida
Lenta
Perda
Instantânea
Rápida
Lenta
Do quadro 1 ressaltam os seguintes factos: a memória de longo prazo é a de maior duração, de perda mais lenta e a única que usa informação significante, razões pelas quais deve ser esta a área de memória a trabalhar, se queremos ter uma intervenção que promova hábitos e comportamentos saudáveis, prevenindo o aparecimento de raquialgias.
Em resumo, a manifestação de raquialgias nas crianças é uma situação que tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. As raquialgias parecem resultar da interacção de vários factores: 1) os orgânicos, menos prevalentes e mais fáceis de identificar e de intervir na esfera dos cuidados médicos; 2) os factores biomecânicos que requerem uma atenção e avaliação cuidadosa para não serem sub ou sobrestimados; 3) e sobretudo os factores psico-sociais que emergem de várias origens – hábitos e estilos de vida, factores sócio-económicos, familiares, ambiente escolar, rede de suporte social e características psicológicas (personalidade e competências pessoais de resolução de problemas).
Deve ser realçado, contudo, como pode ser constatado da revisão bibliográfica efectuada, a dificuldade em garantir que um factor, individualmente, possa ser considerado como a principal causa das raquialgias nas crianças. A combinação de vários factores parece melhor predizer aquela situação, mas, como se pode verificar existem informações por vezes contraditórias em relação à sua influência.
O nível de incerteza do conhecimento actual constitui um desafio à realização de estudos que integrem várias metodologias que permitam melhor avaliar os fenómenos em contexto real e por esse meio possam fazer e/ou refazer as teorias que hoje procuram descrever a realidade.
Intervir nas escolas na promoção da saúde e prevenção das raquialgias exigirá em primeiro lugar uma avaliação multi-factorial, holística e integradora. Será da análise contextualizada dos resultados obtidos que se poderão estabelecer objectivos e estratégias de intervenção susceptíveis de maior probabilidade de sucesso
2- OBJECTIVOS
O estudo que se apresenta procurou:
Perceber se existe retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
3- POPULAÇÃO E MÉTODOS
3.3 Descrição Geral do Estudo
É um estudo observacional analítico, que acompanhou uma população de 35 alunos de 3º e 4º ano, ao longo de 6 meses, englobando 2 anos lectivos, em cinco momentos, analisando a capacidade de retenção relativo ao saber e saber fazer acerca de biomecânica e anatomia da coluna vertebral e conceitos de higiene postural.
3.4 População e Amostra
Alunos de 3º e 4º ano de Escolaridade das EB 1 do Souto e do Taralhão, num total de 35 alunos. Amostra escolhida por conveniência, dado serem as únicas turmas deste ano das respectivas Escola e por serem aquelas que, de menor idade, pelo seu nível de escolaridade, tinham capacidade de escrita e leitura para perceber e resolver os teste propostos. As escolas foram escolhidas por serem geograficamente as mais acessíveis ao investigador.
3.5 Variáveis
Dependente: Qualidade e quantidade de retenção de informação.
Independente: Momento da avaliação
3.6 Medição de Variáveis
A variável dependente foi medida através da aplicação de um questionário criado por Gomes (25).
O questionário é constituído por duas partes:
Parte Teórica, a que corresponde a cotação máxima de 20 valores
A parte teórica está subdividida em três grupos:
Assinalar as opções correctas e incorrectas (8,5 valores de cotação);
Assinalar as posturas correctas e incorrectas (10 valores de cotação);
Desenhar a Coluna Vertebral vista de face e de perfil (1,5 valores de cotação máxima);
Parte Prática, a que corresponde a cotação máxima de 10 valores, e está subdividida em três grupos:
Uma que avaliou as posturas em pé e sentado;
Uma que avaliou tarefas simples, permitindo observar a manutenção da rectidão da Coluna Vertebral durante o desempenho de tarefas leves;
Uma que avaliou o manuseamento de cargas pesadas;
Os três grupos contêm um total de 10 testes, cada um cotado com 1 valor para o desempenho correcto e 0 para o oposto.
3.6 Procedimentos
Foi pedida autorização ao Agrupamento de Escolas de São Cosme para a realização do estudo, tendo sido apresentados os seus objectivos e metodologias.
Foi pedido aos pais das crianças o consentimento informado, o qual foi dado em formulário a criado especificamente para esse fim, onde foram fornecidas todas as informações relativas aos objectivos do estudo, assim todas as garantias de anonimato, confidencialidade e de informação de qualquer achado relevante. Este formulário ficou junto da Agrupamento.
Foi pedido aos sujeitos da amostra que realizassem o teste pela primeira vez (1º momento de avaliação);
Foi ministrada a Unidade de Informação, seguida de repetição do teste (2º momento de avaliação);
Uma semana depois, foi realizado novo teste (3ª momento deavaliação);
Três e seis meses depois realizaram-se o 4º e 5º momentos de avaliação, respectivamente.
3.7 Tratamento Estatístico
Para o tratamento de dados, foram utilizados os cálculos da média, como medida de tendência central, e desvio padrão, como medida de dispersão
Para a inferência de varáveis, foi utilizado o Teste de Wilcoxon, designadamente para avaliar a diferença das médias em momentos diferentes. Em todos os cálculos estatísticos foi usado um nível de significância de 5%. O tratamento dos dados estatísticos foi feito com recurso ao Programa SPSS 11.0 para Windows da Microsoft®.
4- RESULTADOS
4.1 Caracterização da Amostra
Nos Gráficos 1 e 2 mostra-se a caracterização da amostra em estudo, composta por 35 elementos (12 de sexo feminino e 23 de sexo masculino), alunos das EB1 do Souto e da EB1 do Taralhão, que iniciaram o estudo no 3º Ano e o concluiriam já no 4º Ano. As idades variam entre os 7 e os 9 anos, sendo 2,9% de elementos com 7 anos, 62,9% de com 8 anos e 34,3% com 9 anos.
Gráfico 1 – Distribuição dos alunos por idades Gráfico 1 - Distribuição dos alunos por género
4.2 Resultados
O quadro 2 mostra os resultados obtidos em todos os Momentos de Avaliação.
Quadro 2 – Médias e desvios-padrão obtidos na avaliação teórica
e prática
Avaliação Teórica
Avaliação Prática
Média
Desvio Padrão
Média
Desvio Padrão
1º Momento
2003/5/20
11,92
2,55
5,74
1,91
2º Momento
2003/5/27
14,66
1,78
7,89
1,51
3º Momento
2003/6/27
13,38
2,25
8,66
1,49
4º Momento
2003/9/16
14,49
2,88
8,34
2.17
5º Momento
2003/11/17
14,35
1,85
8,29
1,24
Pela observação dos valores da média obtidos nos diferentes momentos de avaliação, verificam-se algumas diferenças. Assim, as médias são mais baixas no 1º momento em ambas as avaliações, sendo que as médias mais altas se verificam no 2º momento para a avaliação teórica e no 3º momento para a avaliação prática.
Quanto aos desvios padrão, eles são semelhantes e inferiores a 2 em todos os momentos, com excepção dos 3º (apenas na avaliação teórica) e 4º (em ambas as avaliações), o que demonstra uma maior dispersão dos resultados, nestes casos..
Para verificar se essas diferenças são ou não significativas foi utilizado um teste de comparação de médias. Para a escolha do teste a aplicar, o primeiro passo foi verificar se as variáveis seguiam uma distribuição normal para tal, atendendo à dimensão da amostra (n <50) foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk.
Não se tendo verificado, em todos os momentos, a normalidade da distribuição das variáveis recorreu-se à aplicação do teste não paramétrico de Wilcoxon, cujos resultados da avaliação prática se apresentam no quadro 2.
Quadro 3 – Resultados obtidos na comparação das médias entre o 1º e os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação prática
Aval P2 /
Aval P1
Aval P3 /
Aval P1
Aval P4 /
Aval P1
Aval P5 /
Aval P1
Z
4,169
4.560
3,941
3,941
Sig.
0,000
0,000
0,000
0,000
Segundo a análise dos dados, verificam-se diferenças significativas entre as médias obtidas no 1º momento de avaliação e as obtidas em todos os momentos seguintes.
Já a comparação entre as médias de dos 2º,3º,4ºe 5º momento entre si, apresentada no quadro 4, não mostra diferenças significativas entre as mesmas, com excepção da comparação entre o 2º e o 3º momento, onde há uma diferença significativa.
Quadro 4 – Resultados obtidos na comparação das médias entre os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação prática
Aval P3 /
Aval P2
Aval P4 /
Aval P2
Aval P5 /
Aval P2
Aval P4 /
Aval P3
Aval P5 /
Aval P3
Aval P5 /
Aval P4
Z
2,094
1,276
1,209
-0,793
-0,538
-0,479
Sig.
0,036
0,202
0,227
0,428
0,591
0,632
Quanto à avaliação teórica, cujos resultados se apresentam no quadro 5, verifica-se que há diferenças significativas entre as médias do 1º e dos 2º, 4º e 5º momentos de avaliação, não havendo entre o 1º e o 3º.
Quadro 5 – Resultados obtidos na comparação das médias entre o 1º e os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação teórica
Aval T2 /
Aval T1
Aval T3 /
Aval T1
Aval T4 /
Aval T1
Aval T5 /
Aval T1
Z
3,630
1,860
3,621
3,695
Sig.
0,000
0,063
0,000
0,000
A comparação entre as médias do 2º, 3º, 4º e 5º momentos, cujos resultados se apresentam no quadro 6, não mostra diferenças significativas, excepto entre o 1º e o 3º momento, onde a diferença é significativa.
Quadro 6 – Resultados obtidos na comparação das médias entre os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação teórica
Aval T3 /
Aval T2
Aval T4 /
Aval T2
Aval T5 /
Aval T2
Aval T4 /
Aval T3
Aval T5 /
Aval T3
Aval T5 /
Aval T4
Z
-2,644
-0,664
-0,957
1,869
1,475
-0,664
Sig.
0,008
0,507
0,338
0,062
0,140
0,507
5- DISCUSSÃO
5.1 Discussão da Metodologia
Dado a dificuldade, para um investigador isolado e a trabalhar num projecto de pequena dimensão, em constituir uma amostra verdadeiramente aleatória, uma amostra de conveniência é aceitável. Assim, foram escolhidas como amostra deste estudo duas turmas de 3º ano das escolas EB1 do Taralhão e da EB1 do Souto, dada a proximidade geográfica e a facilidade de acesso.
A unidade de informação previu a transmissão de informação relativa aos pontos mais importantes relativamente a Anatomia da Coluna Vertebral, Higiene Postural, Hábitos Posturais (Estáticos e Dinâmicos). A transmissão foi complementada com a utilização de imagens e esqueleto humano, tendo sido dada oportunidade aos alunos para apresentarem questões e servirem de exemplo. Esta foi previamente discutida com os professores das turmas seleccionadas, de forma a apreciar da sua adequação ao nível etário e de compreensão. Teve a duração aproximada de 45 minutos e foi dividida em 2 partes, a primeira de transmissão e a segunda composta por exemplos práticos e jogos.
Esta metodologia foi escolhida porque, como diz Andrade (26), a educação para a saúde pressupõe uma interacção planeada de experiências de aprendizagem, destinadas a facilitar a adopção de voluntária de comportamentos que conduzam à saúde. Esta interacção implica a complementaridade de métodos. Assim, iniciou-se a acção por uma transmissão de alguns conhecimentos, que serviram de pistas para, na segunda parte da mesma, se proceder à descoberta, através de jogos e da experimentação de posturas, de novos saberes. A assimilação de um saber faz-se pela descoberta , pela experiência, pela criatividade e pela autonomia (26).
Em relação à avaliação da retenção, procurou-se o mesmo formato utilizado na transmissão de informação. Deste modo, quando a informação foi verbal, avaliou-se por intermédio de um teste com questões do tipo verdadeiro/falso; da mesma forma, a informação fornecida por imagens foi avaliada pedindo aos alunos que classificassem em correctas e incorrectas um série de imagens; a informação adquirida através do manuseio do esqueleto foi avaliada pedindo aos alunos um desenho da coluna vertebral; por fim, o saber fazer foi avaliado através de um teste prático.
Foi escolhido um intervalo de tempo de 6 meses para a avaliação dos alunos para desta forma poder verificar a retenção na memória a longo prazo. Segundo Gomes (27), quanto maiores conhecimentos nesta fase, tanto mais a aprendizagem será facilitada, permitindo, assim, que futuras acções deste tipo venham a reforçar esta primeira, contribuindo para o objectivo de promover hábitos e comportamentos saudáveis.
5.2 Discussão dos Resultados.
Tal como em Gomes e em Barros (28) verificou-se que houve retenção da memória a curto e a longo prazo, cumprindo-se assim o objectivo do estudo, verificando-se a retenção de informação ao longo de seis meses, isto é, parece que se conseguiu-se influenciar a memória de longo prazo.
Comparando entre si as médias obtidas nos 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação, verificamos não haver diferenças significativas entre os mesmos. Exceptuam-se os valores da comparação entre o 2º e 3º momentos de avaliação, revelam uma incongruência (diferença significativa de médias), que pode ser talvez explicada pelo facto de o 3º Momento de Avaliação ter decorrido na última semana de aulas, tendo os alunos demonstrado grande euforia e fala de atenção, dada a proximidade temporal das férias grandes.
Verifica-se uma ligeira diminuição das médias no 4º e 5º momentos, embora não sejam significativas, o que parece indicar a necessidade de realização de novas acções, com este ou outro formato, com vista a reforçar os conhecimentos adquiridos e as vantagens de os pôr em prática.
6- CONCLUSÃO
Houve retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
Os resultados obtidos parecem indicar a necessidade de incluir Fisioterapeuta nas Equipas de Saúde Escolar, realizando acções formativas e informativas com o objectivo de prevenir possíveis patologias e de promover atitudes e comportamentos saudáveis.
Parece também importante que, para além do trabalho a desenvolver junto das crianças, no futuro, estender esse mesmo trabalho ao resto da Comunidade Educativa (Pais, Professores, Funcionários não Docente e População da área de inserção da Escola), de forma a estender a difusão de informação pelo tempo e a dotar os responsáveis pelas crianças de saberes que lhes permitam reforçar positivamente os comportamentos considerados correctos e corrigir os incorrectos. Se podemos considerar um sucesso o facto de conseguirmos uma retenção de informação na memória a longo prazo, não podemos esquecer que a repetição e o reforço são factores essenciais para a memorização. Assim, é importante que as acções atrás referidas para professores e pais sejam efectivamente realizadas, de modo a habilitar ambos para a repetição e o reforço acima referidos.
Deste modo, seria importante que os Centros de Saúde, instituições a quem estão atribuídas importantes funções na área da Promoção da Saúde, integrem nas suas Equipas de Saúde Escolar Fisioterapeutas que desenvolvam este tipo de actividades.
De notar que o planeamento destas actividades é extremamente importante, designadamente a sua calendarização. Os resultados apontam para que se evite a realização de acções em alturas próximas do final dos períodos escolares, pois as normais alterações comportamentais destas alturas parecem influenciar a forma com estas acções poderão ser encaradas e talvez desvalorizadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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18. Merati G, Negrini S, Sarchi P, Mauro F, Veicsteinas A. Cardio-respiratory adjustments and cost of locomotion in school children during backpack walking (the Italian Backpack Study). Eur J Appl Physiol 2001;85(1-2):41-48
19. Davis KG, Marras WS. The effects of motion on trunk biomechanics. Clinical Biomechanics 2000;15:703-717
20. Dolan P, Adams MA. Repetitive lifting tasks fatigue the back muscles and increase the bending moment acting on the lumbar spine. Journal of Biomechanics 1998;31:713–721.
21. Grinsburg GM, Basset GS. Back Pain in children and adolescent: Evaluation and Differential Diagnosis. J Am Acad Orthop Surg 1997;5(2):67-78.
22. Jones GT, Watson KD, Silman AJ, Symmons DP, Macfarlane GJ. Predictors of low back pain in British schoolchildren: a population-based prospective cohort study. Pediatrics 2003;111(4 Pt 1):822-828
23. Kristjansdottir G, Rhee H. Risk factors of back pain frequency in schoolchildren: a search for explanations to a public health problem. Acta Paediatrica 2002;91(7):849-854
24. http://www.fmh.utl.pt/Cmotricidade/ca/at4_ca/at4_ca_2003.pdf (http://www.fmh.utl.pt/Cmotricidade/ca/at4_ca/at4_ca_2003.pdf)
25. Gomes, M H. Educação postural das crianças como forma de prevenção de futuras raquialgias. Monografia apresentada no 3º ano de Fisioterapia na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto, Porto, 1999, Setembro
26. Andrade M I. Educação para a saúde – Guia para professores; Texto Editora; 1995; Lisboa
27. Gomes M H A memória e o sucesso escolar (Recensão critica dão livro de Alain Liery www.educare.pt/BibliotecaDigitalPE/ Memoria_sucesso_escolar.pdf
28. Barros, R F. Educação postural das crianças. Monografia apresentada no 4º ano do curso de Fisioterapia no Instituto Superior de Saúde do Vale do Sousa
4º Ano
2002/2003
O papel do Fisioterapeuta na Equipa de Saúde Escolar
AMÉRICO SOUSA
Orientador:
Dr.ª Isabel Bessa
Porto
DEZEMBRO/2003
À minha família
Agradecimentos
Ao Daniel, à Inês, à Amélia,
aos meus Pais, à Tita e a todos os que tornaram possível este trabalho, especialmente quem me orientou, que foi uma verdadeira Estrela do Oriente.
Às crianças e professores que participaram neste trabalho, a minha eterna gratidão.
RESUMO
RESUMO
Este trabalho tem por objectivo avaliar a qualidade da retenção de informação a curto, médio e longo prazo, de alunos da Escola Primária, sobre mensagem preventiva acerca de Raquialgias e de promoção de hábitos de Higiene Postural , e a partir daí, demonstrar um possível forma de intervenção dos Fisioterapeutas nas equipas de Saúde Escolar.
Sendo a população alvo as crianças que frequentam 3º e 4º anos de Escolaridade, foi constituída umaAmostra de Conveniência constituída por cerca 35 alunos de 3º e 4º anos, pertencentes a duas Turmas da EB 1 do Taralhão e da EB1 do Souto, pertencentes ao Agrupamento de Gondomar São Cosme, do concelho de Gondomar, distrito do Porto.
Após a realização de um Teste de Diagnóstico, foi realizada uma Acção de Formação sobre Higiene Postural e Prevenção de Raquialgias, após a qual foi realizado novamente o mesmo Teste. Este Teste foi repetido em 3 alturas posteriores: uma semana, 3 meses e 6 meses depois.
Houve retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
Os resultados obtidos parecem indicar a necessidade de incluir Fisioterapeuta nas Equipas de Saúde Escolar, realizando acções formativas e informativas com o objectivo de prevenir possíveis patologias e de promover atitudes e comportamentos saudáveis.
Palavras-chave:
Retenção de Informação, Prevenção/Promoção, Fisioterapia, Saúde Escolar
Índice
1- Introdução........................................ ............................................. 6
2- Objectivos........................................ ........................................... 12
3- População e Métodos........................................... ........................12
4- Resultados........................................ ........................................... 15
5- Discussão......................................... ........................................... 18
6- Conclusão......................................... ........................................... 20
1- Introdução
A dimensão que o problema das raquialgias das crianças em idade escolar está a tomar nos países ocidentais e a ineficiência das estratégias tradicionais para lidar com a situação, conferem a este tema uma importância cada vez maior nos programas de promoção da saúde nas escolas.
Os factores que determinam a manifestação das raquialgias extravasam as fronteiras dos cuidados médicos. Foster e col., (1), constatando não existir evidência de que as dores de origem músculo-esquelética, nomeadamente as raquialgias, estejam a diminuir com os cuidados actuais, afirmam que, em relação àquela situação, as abordagens segundo um modelo biomédico são claramente insuficientes.
A mensagem da Directora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, no relatório de 2002 (2), indica o sentido que devem tomar as estratégias de promoção da saúde: reduzir os factores de risco. E as intervenções para almejarem o sucesso devem ser contextualizadas, pois que os factores de risco variam no espaço e no tempo. Para tal é necessário avançar para o terreno e avaliar a realidade, identificando os factores de risco. Só assim se podem definir objectivos e elaborar estratégias com bases mais sólidas e mais fiáveis.
É necessário concretizar a proximidade do Centro de Saúde com a Comunidade, neste caso com a Escola, conforme apontam as orientações do Ministério da Saúde (3,4).
Como é evidenciado por Frank e col. (5), relativamente às abordagens actuais com maior sucesso nas lombalgias dos adultos, a resolução dos problemas não se encontra habitualmente no contexto do ambiente clínico mas sim, quase sempre, no contexto real onde o problema surge. É preciso pois, sair da clínica e ir para o terreno.
Intervir na infância ganha pertinência se atender aos estudos epidemiológicos que identificaram uma associação entre queixas de raquialgias nas crianças em idade escolar e raquialgias na idade adulta.
Os custos económicos que as raquialgias comportam são difíceis de calcular e não passam de estimativas grosseiras que pecam sempre por defeito. Em Inglaterra (6) as estimativas sugerem um valor aproximado de €200. Assim, com referência aos valores mais baixos de Inglaterra, a implementação de uma intervenção que pudesse reduzir em 5% a incidência de problemas nas costas, apesar deste valor ser estatística e clinicamente pouco significativo, poderia equivaler, para além dos benefícios em saúde dos indivíduos protegidos, a uma poupança de cerca de 80 milhões de euros por ano na Inglaterra.
Investir agora, na criança, para poupar no futuro, no adulto, parece pois ser uma estratégia que começa a ter eco em vários países (7) e faz uso de uma abordagem multidimensional. Contudo os trabalhos realizados são ainda incipientes na óptica de Ebbehoj e col, não sendo ainda possível divisar as melhores estratégias de intervenção. Num estudo de Lister-Sharp e col (8) , que faz uma revisão sistemática dos programas de promoção de saúde nas escolas e das escolas promotoras de saúde constata-se a mesma realidade. Ebbehoj e col., na conclusão do seu trabalho defendem que a investigação nesta área deve assumir carácter prioritário, para que tão cedo quanto possível sejam disponibilizados dados sobre as mais relevantes estratégias de prevenção/promoção.
Os estudos conduzidos pela OMS no seu programa sobre os comportamentos das crianças em idade escolar (Health Behaviour in School-Aged Children: a World Health Organization Cross-National Study Research) enquadra-se neste contexto (9) e tipifica a proximidade que deve existir entre o sistema educativo, o sistema de saúde e os recursos sociais.
É neste contexto que o presente projecto se enquadra e se pretende desenvolver.
1.1 Epidemiologia das Raquialgias
No inquérito nacional sobre a saúde dos adolescentes portugueses, integrado no estudo nacional da Rede Europeia sobre os comportamentos de saúde das crianças em idade escolar (n=6903), Matos (10) identificou que são as raparigas e o grupo adolescente de mais idade (16 anos) que mais referem raquialgias (uma vez por semana ou mais) em percentagens que se aproximam dos 40% (39,8%); cerca de 26,3% dos adolescentes de 11 anos referem as mesmas queixas.
Na população adulta, considera-se que as raquialgias representam um sério problema de saúde (11). Afecta anualmente cerca de metade da população, sendo a principal causa de incapacidade e de dias de trabalho perdidos, acarretando custos sociais elevadíssimos. Segundo Kersens (12), cerca de ¼ das consultas de fisioterapia estão relacionadas com o atendimento de utentes com raquialgias. Desconhecem-se os dados relativos às consultas de fisioterapia neste grupo.
São apontados vários factores como estando na origem das raquialgias.
Burke e Peper, (13) numa amostra de conveniência (n=212) determinaram que 15% dos estudantes referiam desconforto físico na forma de raquialgias e atribuíam tal facto à utilização de computador.
Num estudo sobre obesidade e outras queixas físicas, Toyran e col (14)., investigaram o efeito do tempo passado a ver televisão num grupo de 886 adolescentes. As crianças que passavam mais tempo a ver televisão (mais de 2 horas por dia) referiam mais queixas físicas (cefaleias, raquialgias problemas da visão e do sono) e eram mais obesas.
1.2 Associação entre Factores Biomecânicos e Raquialgias
É crescente o número de estudos que se dedicam à análise dos factores biomecânicos e aos efeitos que a carga das mochilas exerce sobre a coluna.
Yoganandan e col. (15), estudaram as características biomecânicas dos tecidos moles da região cervical nos adultos e nas crianças de 3 a 6 anos, concluindo que essas eram as estruturas principais de absorção de carga. Os autores sugeriam, por fim, o aprofundamento dos estudos de forma a ser possível predizer realisticamente as respostas dos tecidos moles da coluna cervical em função da idade das crianças.
Chansirinukor e col, (16)numa análise biomecânica do efeito do peso das mochilas dos estudantes (n=13), concluíram que cargas superiores a 15% da massa corporal provocam alterações significativas da postura dos ombros e região cervical.
Numa amostra de pessoas adultas que manipulavam cargas, Skotte e col (17), determinaram que os parâmetros biomecânicos analisados na coluna lombar eram mais dependentes da tarefa que do indivíduo. Registaram ainda que, em tarefas de levantar pesos a massa corporal do próprio tem uma associação positiva com as forças de compressão na região lombar. Curiosamente, pela aplicação da escala de percepção de esforço os resultados obtidos sugeriam que a percepção do esforço era mais dependente do sujeito que da tarefa.
Merati e col.(18), a partir do estudo misto de aplicação de questionário e avaliação de parâmetros biomecânicos que efectuaram com crianças (n=115), defendem existir associação, embora não directa, entre peso da mochila e raquialgias, que se processa eventualmente através da fadiga e tempo de transporte da mochila e condição física do adolescente
Numa revisão sistemática de 53 estudos sobre a biomecânica do tronco, Davis e Marras (19), concluem que o movimento do tronco tem um efeito importante sobre a força do tronco e sobrecarga exercida nas estruturas da coluna podendo favorecer o aparecimento de problemas da mesma. Realçam a importância de serem avaliados os factores relacionados com as tarefas de levantar e transportar cargas e os factores individuais.
Pesquisando o efeito das cargas repetitivas na biomecânica da coluna, Dolan e Adams (20), concluem que o levantamento repetitivo de pesos induz fadiga nos músculos extensores da coluna e aumenta substancialmente o momento de flexão que actua sobre a região lombar. Com as devidas reservas, poderemos especular que o tempo de transporte de uma mochila pesada poderá ter influências na biomecânica da coluna e eventualmente condicionar o aparecimento de raquialgias.
1.3 Associação entre Causas Orgânicas e Raquialgias
Embora pouco frequentes, é importante que se identifiquem causas orgânicas na ocorrência das raquialgias nos adolescentes. Ginsburg e Bassett, (21) afirmam que as raquialgias nas crianças e adolescentes que recorrem aos cuidados médicos têm uma origem orgânica identificável; e apontam como causas mais frequentes a espondilólise, a espondilolistese, a escoliose, a cifose de Scheuermann, as hérnias discais, as infecções e tumores.
1.4 Associação entre Factores Psico-sociais e Raquialgias
No estudo de Jones e col. (22), problemas psico-sociais e de comportamentos de risco estavam associados a raquialgias.
Kristjansdottire e Rheefour, (23), chamam a atenção para os estilos de vida e factores sociais ao determinarem no seu estudo de uma amostra nacional de 2173 adolescentes que a idade, a fadiga matinal, os hábitos alimentares e o suporte parental emergiam como factores associados com raquialgias.
1.5- Tipos de Memória
Existem vários tipos de memória e com diferentes características, conforme se mostra no quadro seguinte:
Quadro 1– Tipos de memória e sua características(24)
Acumulação Sensorial
Memória de Curto Prazo
Memória de Longo Prazo
Duração
Até 3 segundos
+/- 30 segundos
Prolongada
Codificação
Literal
Abstracta
Muito Abstracta
Capacidade
Muito grande
5 a 7 itens
Muito grande
Características
Input em paralelo
Processamento informacional
Armazenamento informacional
Origem da Informação
Várias fontes sensoriais
Informação seleccionada
Informação significante
Aquisição
Instantânea
Rápida
Lenta
Perda
Instantânea
Rápida
Lenta
Do quadro 1 ressaltam os seguintes factos: a memória de longo prazo é a de maior duração, de perda mais lenta e a única que usa informação significante, razões pelas quais deve ser esta a área de memória a trabalhar, se queremos ter uma intervenção que promova hábitos e comportamentos saudáveis, prevenindo o aparecimento de raquialgias.
Em resumo, a manifestação de raquialgias nas crianças é uma situação que tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. As raquialgias parecem resultar da interacção de vários factores: 1) os orgânicos, menos prevalentes e mais fáceis de identificar e de intervir na esfera dos cuidados médicos; 2) os factores biomecânicos que requerem uma atenção e avaliação cuidadosa para não serem sub ou sobrestimados; 3) e sobretudo os factores psico-sociais que emergem de várias origens – hábitos e estilos de vida, factores sócio-económicos, familiares, ambiente escolar, rede de suporte social e características psicológicas (personalidade e competências pessoais de resolução de problemas).
Deve ser realçado, contudo, como pode ser constatado da revisão bibliográfica efectuada, a dificuldade em garantir que um factor, individualmente, possa ser considerado como a principal causa das raquialgias nas crianças. A combinação de vários factores parece melhor predizer aquela situação, mas, como se pode verificar existem informações por vezes contraditórias em relação à sua influência.
O nível de incerteza do conhecimento actual constitui um desafio à realização de estudos que integrem várias metodologias que permitam melhor avaliar os fenómenos em contexto real e por esse meio possam fazer e/ou refazer as teorias que hoje procuram descrever a realidade.
Intervir nas escolas na promoção da saúde e prevenção das raquialgias exigirá em primeiro lugar uma avaliação multi-factorial, holística e integradora. Será da análise contextualizada dos resultados obtidos que se poderão estabelecer objectivos e estratégias de intervenção susceptíveis de maior probabilidade de sucesso
2- OBJECTIVOS
O estudo que se apresenta procurou:
Perceber se existe retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
3- POPULAÇÃO E MÉTODOS
3.3 Descrição Geral do Estudo
É um estudo observacional analítico, que acompanhou uma população de 35 alunos de 3º e 4º ano, ao longo de 6 meses, englobando 2 anos lectivos, em cinco momentos, analisando a capacidade de retenção relativo ao saber e saber fazer acerca de biomecânica e anatomia da coluna vertebral e conceitos de higiene postural.
3.4 População e Amostra
Alunos de 3º e 4º ano de Escolaridade das EB 1 do Souto e do Taralhão, num total de 35 alunos. Amostra escolhida por conveniência, dado serem as únicas turmas deste ano das respectivas Escola e por serem aquelas que, de menor idade, pelo seu nível de escolaridade, tinham capacidade de escrita e leitura para perceber e resolver os teste propostos. As escolas foram escolhidas por serem geograficamente as mais acessíveis ao investigador.
3.5 Variáveis
Dependente: Qualidade e quantidade de retenção de informação.
Independente: Momento da avaliação
3.6 Medição de Variáveis
A variável dependente foi medida através da aplicação de um questionário criado por Gomes (25).
O questionário é constituído por duas partes:
Parte Teórica, a que corresponde a cotação máxima de 20 valores
A parte teórica está subdividida em três grupos:
Assinalar as opções correctas e incorrectas (8,5 valores de cotação);
Assinalar as posturas correctas e incorrectas (10 valores de cotação);
Desenhar a Coluna Vertebral vista de face e de perfil (1,5 valores de cotação máxima);
Parte Prática, a que corresponde a cotação máxima de 10 valores, e está subdividida em três grupos:
Uma que avaliou as posturas em pé e sentado;
Uma que avaliou tarefas simples, permitindo observar a manutenção da rectidão da Coluna Vertebral durante o desempenho de tarefas leves;
Uma que avaliou o manuseamento de cargas pesadas;
Os três grupos contêm um total de 10 testes, cada um cotado com 1 valor para o desempenho correcto e 0 para o oposto.
3.6 Procedimentos
Foi pedida autorização ao Agrupamento de Escolas de São Cosme para a realização do estudo, tendo sido apresentados os seus objectivos e metodologias.
Foi pedido aos pais das crianças o consentimento informado, o qual foi dado em formulário a criado especificamente para esse fim, onde foram fornecidas todas as informações relativas aos objectivos do estudo, assim todas as garantias de anonimato, confidencialidade e de informação de qualquer achado relevante. Este formulário ficou junto da Agrupamento.
Foi pedido aos sujeitos da amostra que realizassem o teste pela primeira vez (1º momento de avaliação);
Foi ministrada a Unidade de Informação, seguida de repetição do teste (2º momento de avaliação);
Uma semana depois, foi realizado novo teste (3ª momento deavaliação);
Três e seis meses depois realizaram-se o 4º e 5º momentos de avaliação, respectivamente.
3.7 Tratamento Estatístico
Para o tratamento de dados, foram utilizados os cálculos da média, como medida de tendência central, e desvio padrão, como medida de dispersão
Para a inferência de varáveis, foi utilizado o Teste de Wilcoxon, designadamente para avaliar a diferença das médias em momentos diferentes. Em todos os cálculos estatísticos foi usado um nível de significância de 5%. O tratamento dos dados estatísticos foi feito com recurso ao Programa SPSS 11.0 para Windows da Microsoft®.
4- RESULTADOS
4.1 Caracterização da Amostra
Nos Gráficos 1 e 2 mostra-se a caracterização da amostra em estudo, composta por 35 elementos (12 de sexo feminino e 23 de sexo masculino), alunos das EB1 do Souto e da EB1 do Taralhão, que iniciaram o estudo no 3º Ano e o concluiriam já no 4º Ano. As idades variam entre os 7 e os 9 anos, sendo 2,9% de elementos com 7 anos, 62,9% de com 8 anos e 34,3% com 9 anos.
Gráfico 1 – Distribuição dos alunos por idades Gráfico 1 - Distribuição dos alunos por género
4.2 Resultados
O quadro 2 mostra os resultados obtidos em todos os Momentos de Avaliação.
Quadro 2 – Médias e desvios-padrão obtidos na avaliação teórica
e prática
Avaliação Teórica
Avaliação Prática
Média
Desvio Padrão
Média
Desvio Padrão
1º Momento
2003/5/20
11,92
2,55
5,74
1,91
2º Momento
2003/5/27
14,66
1,78
7,89
1,51
3º Momento
2003/6/27
13,38
2,25
8,66
1,49
4º Momento
2003/9/16
14,49
2,88
8,34
2.17
5º Momento
2003/11/17
14,35
1,85
8,29
1,24
Pela observação dos valores da média obtidos nos diferentes momentos de avaliação, verificam-se algumas diferenças. Assim, as médias são mais baixas no 1º momento em ambas as avaliações, sendo que as médias mais altas se verificam no 2º momento para a avaliação teórica e no 3º momento para a avaliação prática.
Quanto aos desvios padrão, eles são semelhantes e inferiores a 2 em todos os momentos, com excepção dos 3º (apenas na avaliação teórica) e 4º (em ambas as avaliações), o que demonstra uma maior dispersão dos resultados, nestes casos..
Para verificar se essas diferenças são ou não significativas foi utilizado um teste de comparação de médias. Para a escolha do teste a aplicar, o primeiro passo foi verificar se as variáveis seguiam uma distribuição normal para tal, atendendo à dimensão da amostra (n <50) foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk.
Não se tendo verificado, em todos os momentos, a normalidade da distribuição das variáveis recorreu-se à aplicação do teste não paramétrico de Wilcoxon, cujos resultados da avaliação prática se apresentam no quadro 2.
Quadro 3 – Resultados obtidos na comparação das médias entre o 1º e os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação prática
Aval P2 /
Aval P1
Aval P3 /
Aval P1
Aval P4 /
Aval P1
Aval P5 /
Aval P1
Z
4,169
4.560
3,941
3,941
Sig.
0,000
0,000
0,000
0,000
Segundo a análise dos dados, verificam-se diferenças significativas entre as médias obtidas no 1º momento de avaliação e as obtidas em todos os momentos seguintes.
Já a comparação entre as médias de dos 2º,3º,4ºe 5º momento entre si, apresentada no quadro 4, não mostra diferenças significativas entre as mesmas, com excepção da comparação entre o 2º e o 3º momento, onde há uma diferença significativa.
Quadro 4 – Resultados obtidos na comparação das médias entre os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação prática
Aval P3 /
Aval P2
Aval P4 /
Aval P2
Aval P5 /
Aval P2
Aval P4 /
Aval P3
Aval P5 /
Aval P3
Aval P5 /
Aval P4
Z
2,094
1,276
1,209
-0,793
-0,538
-0,479
Sig.
0,036
0,202
0,227
0,428
0,591
0,632
Quanto à avaliação teórica, cujos resultados se apresentam no quadro 5, verifica-se que há diferenças significativas entre as médias do 1º e dos 2º, 4º e 5º momentos de avaliação, não havendo entre o 1º e o 3º.
Quadro 5 – Resultados obtidos na comparação das médias entre o 1º e os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação teórica
Aval T2 /
Aval T1
Aval T3 /
Aval T1
Aval T4 /
Aval T1
Aval T5 /
Aval T1
Z
3,630
1,860
3,621
3,695
Sig.
0,000
0,063
0,000
0,000
A comparação entre as médias do 2º, 3º, 4º e 5º momentos, cujos resultados se apresentam no quadro 6, não mostra diferenças significativas, excepto entre o 1º e o 3º momento, onde a diferença é significativa.
Quadro 6 – Resultados obtidos na comparação das médias entre os 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação teórica
Aval T3 /
Aval T2
Aval T4 /
Aval T2
Aval T5 /
Aval T2
Aval T4 /
Aval T3
Aval T5 /
Aval T3
Aval T5 /
Aval T4
Z
-2,644
-0,664
-0,957
1,869
1,475
-0,664
Sig.
0,008
0,507
0,338
0,062
0,140
0,507
5- DISCUSSÃO
5.1 Discussão da Metodologia
Dado a dificuldade, para um investigador isolado e a trabalhar num projecto de pequena dimensão, em constituir uma amostra verdadeiramente aleatória, uma amostra de conveniência é aceitável. Assim, foram escolhidas como amostra deste estudo duas turmas de 3º ano das escolas EB1 do Taralhão e da EB1 do Souto, dada a proximidade geográfica e a facilidade de acesso.
A unidade de informação previu a transmissão de informação relativa aos pontos mais importantes relativamente a Anatomia da Coluna Vertebral, Higiene Postural, Hábitos Posturais (Estáticos e Dinâmicos). A transmissão foi complementada com a utilização de imagens e esqueleto humano, tendo sido dada oportunidade aos alunos para apresentarem questões e servirem de exemplo. Esta foi previamente discutida com os professores das turmas seleccionadas, de forma a apreciar da sua adequação ao nível etário e de compreensão. Teve a duração aproximada de 45 minutos e foi dividida em 2 partes, a primeira de transmissão e a segunda composta por exemplos práticos e jogos.
Esta metodologia foi escolhida porque, como diz Andrade (26), a educação para a saúde pressupõe uma interacção planeada de experiências de aprendizagem, destinadas a facilitar a adopção de voluntária de comportamentos que conduzam à saúde. Esta interacção implica a complementaridade de métodos. Assim, iniciou-se a acção por uma transmissão de alguns conhecimentos, que serviram de pistas para, na segunda parte da mesma, se proceder à descoberta, através de jogos e da experimentação de posturas, de novos saberes. A assimilação de um saber faz-se pela descoberta , pela experiência, pela criatividade e pela autonomia (26).
Em relação à avaliação da retenção, procurou-se o mesmo formato utilizado na transmissão de informação. Deste modo, quando a informação foi verbal, avaliou-se por intermédio de um teste com questões do tipo verdadeiro/falso; da mesma forma, a informação fornecida por imagens foi avaliada pedindo aos alunos que classificassem em correctas e incorrectas um série de imagens; a informação adquirida através do manuseio do esqueleto foi avaliada pedindo aos alunos um desenho da coluna vertebral; por fim, o saber fazer foi avaliado através de um teste prático.
Foi escolhido um intervalo de tempo de 6 meses para a avaliação dos alunos para desta forma poder verificar a retenção na memória a longo prazo. Segundo Gomes (27), quanto maiores conhecimentos nesta fase, tanto mais a aprendizagem será facilitada, permitindo, assim, que futuras acções deste tipo venham a reforçar esta primeira, contribuindo para o objectivo de promover hábitos e comportamentos saudáveis.
5.2 Discussão dos Resultados.
Tal como em Gomes e em Barros (28) verificou-se que houve retenção da memória a curto e a longo prazo, cumprindo-se assim o objectivo do estudo, verificando-se a retenção de informação ao longo de seis meses, isto é, parece que se conseguiu-se influenciar a memória de longo prazo.
Comparando entre si as médias obtidas nos 2º, 3º, 4º e 5º momentos de avaliação, verificamos não haver diferenças significativas entre os mesmos. Exceptuam-se os valores da comparação entre o 2º e 3º momentos de avaliação, revelam uma incongruência (diferença significativa de médias), que pode ser talvez explicada pelo facto de o 3º Momento de Avaliação ter decorrido na última semana de aulas, tendo os alunos demonstrado grande euforia e fala de atenção, dada a proximidade temporal das férias grandes.
Verifica-se uma ligeira diminuição das médias no 4º e 5º momentos, embora não sejam significativas, o que parece indicar a necessidade de realização de novas acções, com este ou outro formato, com vista a reforçar os conhecimentos adquiridos e as vantagens de os pôr em prática.
6- CONCLUSÃO
Houve retenção de informação elementar sobre biomecânica e anatomia da coluna vertebral, e conceitos de higiene postural, a curto e a longo prazo.
Os resultados obtidos parecem indicar a necessidade de incluir Fisioterapeuta nas Equipas de Saúde Escolar, realizando acções formativas e informativas com o objectivo de prevenir possíveis patologias e de promover atitudes e comportamentos saudáveis.
Parece também importante que, para além do trabalho a desenvolver junto das crianças, no futuro, estender esse mesmo trabalho ao resto da Comunidade Educativa (Pais, Professores, Funcionários não Docente e População da área de inserção da Escola), de forma a estender a difusão de informação pelo tempo e a dotar os responsáveis pelas crianças de saberes que lhes permitam reforçar positivamente os comportamentos considerados correctos e corrigir os incorrectos. Se podemos considerar um sucesso o facto de conseguirmos uma retenção de informação na memória a longo prazo, não podemos esquecer que a repetição e o reforço são factores essenciais para a memorização. Assim, é importante que as acções atrás referidas para professores e pais sejam efectivamente realizadas, de modo a habilitar ambos para a repetição e o reforço acima referidos.
Deste modo, seria importante que os Centros de Saúde, instituições a quem estão atribuídas importantes funções na área da Promoção da Saúde, integrem nas suas Equipas de Saúde Escolar Fisioterapeutas que desenvolvam este tipo de actividades.
De notar que o planeamento destas actividades é extremamente importante, designadamente a sua calendarização. Os resultados apontam para que se evite a realização de acções em alturas próximas do final dos períodos escolares, pois as normais alterações comportamentais destas alturas parecem influenciar a forma com estas acções poderão ser encaradas e talvez desvalorizadas.
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