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View Full Version : Troca de experiências



fisio85
27-08-07, 21:01
Caros colegas:
Sou uma Fisioterapeuta recém-licenciada, e encontro-me actualmente a trabalhar numa clínica em Lisboa, que embora tenha outros profissionais, conta apenas comigo durante aquele horário.
Recentemente tratei um doente que devido a um sub-diagnóstico, desenvolveu problemas secundários à condição para a qual tinha sido encaminhado para a Fisioterapia.
Reiniciou tratamentos para essa "nova" condição clínica, e eu penso ter feito de tudo para obter bons resultados. No entanto, em nova consulta, o médico da CUF que o estava a acompanhar, constatou que tinha havido regressão da mesma, e atribuiu essa situação à minha intervenção. Pelo que me foi explicado pelo doente, a intervenção deveria ter sido mais "intensa", e uma vez que eu não tinha conseguido desempenhar o meu papel, o doente começou a fazer tratamentos na CUF.
O que gostaria de partilhar convosco é o que o meu doente me disse:

"Uma vez que está aqui sozinha, não tem quem lhe faça reparos no sentido de melhorar a sua performance, e assim sendo não pode aprender, nem desenvolver-se como profissional, o que nesta fase de início de carreira, era essencial. Porque depois somos nós, doentes, que também saímos prejudicados."

Estas palavras ficaram-me na cabeça, porque sei que o sr. tem toda a razão no que disse, mas eu tento o máximo possível discutir aspectos nos quais tenho dúvidas com outros colegas, com a mesma e com mais experiência que eu, e pesquisar o máximo possível. Mas isto parece não ser suficiente...

Gostaria de saber, de colegas que também passem ou já passaram por esta situação de "isolamento no local de trabalho", e saber se é mesmo normal este meu sentimento de "incompetência", e caso seja, como fizeram para o ultrapassar, uma vez que de momento, é a única oportunidade que tenho de ganhar experiência e assim vejo que não ganho mas é nada...

Mas isto anda tão mau, que nem me passa pela cabeça abandonar este emprego...

Se puderem ajudar, agradecia! Obrigada a todos

Monica Romao
27-08-07, 22:19
Caro colega,

A vida vai-nos ensinando e nós vamos ter de reflectir sobre as experiências.Todos nós passamos por situações estranhas.

A situação é negativa mas, eu não falava mal do trabalho de um outro profissional de saúde. NAO É ÉTICO!
O melhor seria, esse médico, ter dito numa carta a explicar as suas razões e não passar a palavra pelo o doente.

Um conselho:
Vá perguntando diariamente ao doente que melhorias vai sentindo. Se não estiver sentir melhoras então, desafiar o método de tratamento para mais eficaz.

Espero ter ajudado!
Até breve.

luis silva
28-08-07, 12:53
esse comentário do medico podera ter sido por influencia do utente...o utente diz que ta pior o medico culpa o fisioterapeuta...mas lembre-se que muitas vezes os utentes nao se apercebem das melhorias que tiverem e cabe a nos demonstra-las...por outro lado sendo um medico da cuf tem todo o interesse em ter o utente a ser tratado na cuf...

nao sei que tratamento fez ou se o fez bem ou mal...se calhar op medico pode ter razao nao sei...mas lembre-se anda meio mundo a engar outro meio...e € sao mais importantes que os utentes para quem ta a frente das clinicas...infelizmente é esta a realidade...

pense nisso e nao baixe a sua auto estima...

fisio85
30-08-07, 13:37
Obrigada pelas palavras de incentivo, embora de consciência tranquila quanto à minha intervenção (fiz o que sabia, da melhor forma que pude), entristeceu-me como profissional a falta de comunicação que existiu (e existe ainda...) entre os profissionais de saúde que acompanham este e outros doentes.

Faço sempre relatórios de reavaliação dos doentes para o médico assistente, mas nunca tenho resposta, o que sei é apenas pelo que os doentes me dizem...

Os exames complementares de diagnóstico também nunca são partilhados (nem mesmo uma fotocópia do resultado, ou uma mera folha com a opinião do médico acerca dos mesmos), o que dificulta o acompanhamento da evolução clínica (especialmente quando falamos de condições do foro respiratório, nem um raio-x me é "emprestado"...).

Enfim, tento sempre ouvir o mais possível aquilo que o doente sente, é ele o principal elemento deste processo, mas já que todos nós trabalhamos para o mesmo fim (supostamente, os médicos também desejam a recuperação do doente...), custa muito trocar impressões e opiniões clínicas??

Cumprimentos a todos

patroska
18-09-07, 00:09
Mas isto anda tão mau, que nem me passa pela cabeça abandonar este emprego...




Cara colega!

Entendo a situação complicada por que passou, mas faz parte... acredito que mais tarde vai agradecer pela oportunidade de aprender.

Quero comentar esta frase em específico para lhe dizer que não tenha medo.
Se não estivermos bem num local de trabalho não vamos conseguir ajudar ninguém. Para podermos ajudar os outros temos que estar muito bem connosco próprios.

não quero com isto dizer que, se um dia acordamos mal dispostos e nos aborrece ter que ir trabalhar nos devemos despedir!!!!!

Procure o seu bem estar porque assim pode tratar verdadeiramente do outro e entender que nem sempre é erro nosso, mas só o facto de questionarmos o nosso trabalho faz-nos evoluir, pois pesquisamos mais, trocamos ideias, exploramos técnicas...


Um conselho a todos: trabalhem em prol da saúde e não contra a doença.

fisio85
22-09-07, 16:23
Se não estivermos bem num local de trabalho não vamos conseguir ajudar ninguém. Para podermos ajudar os outros temos que estar muito bem connosco próprios.



Esta semana tive a confirmação de que a situação pela qual passei foi definitivamente uma grande aprendizagem: o doente foi visitar-me à clínica, levou os exames complementares de diagnóstico mais recentes, colocou-me a par da evolução dele (vai ter de ser submetido a cirurgia, a intervenção da Fisioterapia continuou a não ser suficiente para a sua recuperação) e adiantou-me ainda que o tratamento que faz diariamente na CUF é igual ao que realizava comigo.

Fiquei bastante satisfeita, como ser humano e como profissional, com a visita do senhor, porque me veio trazer mais calma de espírito, sabendo que não desiludi o meu doente.

A minha intervenção fui julgada sem me darem oportunidade de me defender, mas sei que os meus doentes estão conscientes de que tento fazer sempre o meu melhor, ignorando as interposições que só revelam interesses monetários e pessoais e que tentam "mascarar" com acusações gratuitas e cobardes, e a consideração que este doente teve por mim (embora não o tratanto, continuo a sentir-me sua Fisioterapeuta) ao me pôr ao corrente da sua evolução.

Espero que esta minha história possa servir também de encorajamento a outros colegas, pois o nosso doente é sempre o primeiro a reconhecer-nos, sempre que sabe que É PARA ELE QUE TRABALHAMOS!

ana maria
23-09-07, 19:17
Pensei bastante na sua historia porque passei pelo mesmo... e fiquei contente com a consideraçao que o seu doente teve por si ao regressar e contar a evoluçao da sua condiçao.
Nos meus primeiros anos de pratica houve bastantes ocasioes em que me questionava sobre os meus tratamentos, se eram adequados e eficazes. Acho que é uma boa maneira de se auto-avaliar e progredir na nossa profissao, porque nos puxa a pesquizar em livros/net, perguntar e aconselhar com os nossos colegas com mais experiencia e desse modo melhorar a nossa eficiencia.
So que vai sempre haver doentes que pelas suas condiçoes nao poderemos fazer mais do que foi feito. Nao nos podemos culpabilizar por isso. Fazer o nosso melhor e explicar ao doente as varias hipoteses da nao evoluçao do caso, também ajuda o doente a perceber que pode nao ser nossa culpa e ter outras explicaçoes. Quando tenho duvidas, falo diretamente com o medico ou envio-lhe uma nota da re-avaliaçao e proponho que ele peça outros exames para excluir problemas que podem existir.
Espero ter ajudado... :)