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View Full Version : Preparação para o nascimento/ reabilitação I. U.



sara vilao
28-09-04, 23:16
olá

No meu local de trabalho irão começar as aulas de preparação para o nascimento e a reabilitação de mulheres com incontinência urinária.
Estes dois projectos irão ser realizados somente pelos fisioterapeutas do serviço. Agradecia a quem tem ja formação e experiência neste campo para nos elucidar sobre como estão a decorrer as sessões e de casos importantes a ter em conta para o melhor êxito destes projectos.
Todas as informações são úteis e dão-nos mais força para lutar contra aqueles que acham que os fisioterapeutas não podem estar a frente de projectos :evil:

Obrigada

mfonseca
02-10-04, 19:17
Caríssima Sara,

Estarei ao seu dispor para qualquer ajuda que necessitar para o seu projecto.
Um abraço,
Fst. Marco Fonseca

cristina
03-10-04, 03:56
Carrissimos!

acho que para se trabalhar com toda a segurança e competência em areas tão especificas da fisioterapia, como a ginecologia e obstetricia, uma area na qual a nossa formação base é muito pobre, trocar dicas e informações não chega, se bem que possa ajudar!
é muito importante fazer formação especifica na area!
acho cada vez mais que deviamos remeter os nossos esforços de formação para uma area especifica, deviamos começar a tentar não fazer de tudo só porque dá jeito lá na clinica que se faça de tudo!
era muito importante que o nosso caminho, o de todos, fosse o da especialização, e isso só vamos conseguir á custa de formação formação formação!!!

os meus comprimentos

mfonseca
03-10-04, 11:06
Cara Cristina,

Referiu, e muito bem, que era necessário a especialização nestas áreas. Sem dúvida.
A maior parte dos cursos de especialização dentro desta área são feitos em Espanha e em França. Tornando-se bastante dispendiosos. Uma das jornadas de Electroterapia em Incontinência com o Prof. Juan Jioja Toro, custava a cada participante cerca de 1250€ por 3 dias de congresso.
Trabalhei 3 anos nesta área e, para além da experiência lectiva e profissional, tive o prazer de trabalhar com médicos altamente qualificados que, de um certo modo, me conduziam no processo de integração.
Por isso, mantenha-no informados acerca de novos cursos de especialização aqui em Portugal. Estaremos à espera...

Marco Fonseca

cristina
03-10-04, 14:57
Fico muito admirada com os valores que refere! Mas de qualquer forma não me parece que seja necessário ir pra espanha ou frança fazer formação, em portugal o grupo de interesse de saúde da mulher da associação portuguesa do fisioterapeutas realiza imensas acções de formação, sendo mesmo um dos grupos mais activos da associação! Além disso os exercicios do pavimento pelvico por si só são suficientes para resolver a grande maioria das incontinências de esforço, não sendo necessário recorrer á electroestimulação!
quanto á formação existente cá em portugal, é sempre divulgada no boletim da apf e para quem não recebe boletim no site da associação!

os meus comprimentos

cristina

Adérito Seixas
03-10-04, 15:18
Por acaso notei que esse GI é bem activo, o que é óptimo, todos deviam ser assim. Num dos boletins da APF dizia que era o GI que mais acções de formação organizava, ou era dos que mais organizava.

sara vilao
04-10-04, 13:31
ao ler de "enxurrada" todas estas mensagens só me ocorreu uma ideia:
isto não é uma batalha campal!
é claro que é preciso formação, é claro que nos tornaríamos mais competentes e reconhecidos com uma especialidade, mas é necessário ter formação onde quer que ela seja (desde que válida, claro).
fiz os principais cursos na área da mulher que o GI da APF tem organizado e brevemente irei ao curso de Peripartum com fisioterapeutas estrangeiras :shock:
é que tal se as pessoas que têm mais formaçao nesta área não se candidatem também a dar formação?

Só sou fisioterapeuta há cinco anos e duma coisa tenho a certeza: somos das profissões mais desunidas que eu conheço. por vezes até tenho vergonha.

PARTILHEM, NÃO PROVOQUEM!

Adérito Seixas
04-10-04, 15:38
Só sou fisioterapeuta há cinco anos e duma coisa tenho a certeza: somos das profissões mais desunidas que eu conheço.

Tens toda a razão, eu já disse isso várias vezes... é isso que nos separa de outros grupos profissionais.

Vamos lá tentar esclarecer uma coisa, o facto de trocarmos dicas não invalida a necessidade de fazer formação... pelo contrário. O objectivo deste fórum é mesmo trocar ideias de forma a que a nossa intervenção seja maximizada... até era giro apresentarmos casos clínicos e discuti-los aqui, porque não?

cristina
04-10-04, 18:48
Eu nunca quis com a minha intervenção ser mal interpretada!

" uma area na qual a nossa formação base é muito pobre, trocar dicas e informações não chega, se bem que possa ajudar! é muito importante fazer formação especifica na area! acho cada vez mais que deviamos remeter os nossos esforços de formação para uma area especifica,
Estava apenas a comentar a necessidade que eu acho que existe de fazermos formação, independentemente de ser trocarem dicas ou não!
Alias trocar ideias e experiencias é muito importante e uma coisa não invalida a outra!

Quando o moderador mfonseca referiu valores tão elevados de formação " 1250€ por 3 dias de congresso" apenas referi que a apf realiza cursos bem mais acessiveis, basta consultar a pagina da apf para constactar isso mesmo!
limitei-me a dizer o que pensava e a dar uma informação que julgo ser util!

Concordo com o Manbeleth e acho que seria giro discutir casos clinicos aqui!

Adérito Seixas
04-10-04, 19:26
No boletim deste mês vêm anunciados mais 2 cursos na área.

mfonseca
05-10-04, 15:52
Cara Cristina,

Não volto a escrever mais sobre o assunto que não é meu hábito, assistir a forums para "lavar roupa suja".
Volto a frisar todo o meu apoio para a Ft. Sara Vilao dentro desta área.
Foi isso que escrevi, e volto a escrevê-lo.

Manbeleth, muito obrigado pela informação.
Marco Fonseca

Adérito Seixas
05-10-04, 21:08
Então? Calma... este é um dos problemas de comunicarmos pela net... os mal entendidos surgem com mais frequência. Penso que não foi intenção de ninguém "lavar roupa suja"... vá lá... unam-se... não se "desunam" ;)
Voltando ao tópico ;)

mfonseca
05-10-04, 21:14
Caro Manbeleth,

Penso que houveram pessoas que mal entenderam a minha boa vontade.
Mesmo assim continuemos com o assunto do tópico.
Um abraço,
Marco Fonseca

Francisco Neto
09-10-04, 01:57
Olá, colegas! Sinto-me aqui como um "intruso" porque nunca trabalhei em pretendo trabalhar na área da Saúde da Mulher.
Uma das áreas da Terapia Manual que me suscita grande interesse é a reabilitação de disfunções ao nível lumbo-pélvico e, mais especificamente, ao nível do controle motor. Daí ter decidido participar neste fórum, com o objectivo de conhecer as vossas experiências nesta área, associadas à vossa área de intervenção e interesse.
Terapeutas manuais que se ocupam do restauro da função ao nível do sistema local da lombar e cintura pélvica (transverso do abdómen, multifido, diafragma e soalho pélvico) e fisioterapeutas que se dedicam à reabilitação de disfunções do soalho pélvico estão, no fundo, a tratar a mesma coisa, ou seja, a diminuição da transferência de carga através da região lumbopélvica, manifestada quer através da perda de force closure eficaz das articulações ao nível das articulações da lombar e pélvis, ou perda de uma force closure eficaz da uretra.
O tratamento de disfunções da região lumbopélvica requer uma abordagem integrada, que contemple o restauro da force closure e form closure e controle motor das estruturas da região.
Por último, a função requer estabilidade e mobilidade (e não rigidez) articular e dos órgãos.
Algum dos colegas tem experiência na aplicação deste tipo de abordagem? Acho fantástico áreas tão diferentes terem tantos pontos em comum...

Raquel Af.
16-11-04, 16:54
Olá! Sou estudante do 4º ano e agradecia se alguém me pudesse ajudar pois procuro bibliografia sobre fisioterapia aplicada na obstetrícia.
Desde já agradeço a atenção

Adérito Seixas
16-11-04, 23:01
Bem, fiz uma pesquisa rápida e se fores a estes link:
http://manole.locaweb.com.br/index.php?destino=categorias&categoria=24
http://www.megabook.com.br/fisio_apli_obste.htm

encontras vários livros que podem ser do teu interesse

Raquel Af.
18-11-04, 20:22
Muito obrigada pelos links professor Adérito!
A verdade é k pretendo fazer a minha monografia sobre este tema, mas ainda ando um bocado indecisa sobre o tema exacto que vou abordar.
É uma área que me cativa porém apenas tive contacto com esta área pelas aulas k tive na faculdade e k foram apenas uma abordagem. Daí achar interessante se pudesse ouvir opiniões de terapeutas k se dedicam a esta área.

Adérito Seixas
18-11-04, 23:32
Ainda bem que gostas, se queres mesmo fazer o trabalho na área vai em frente. No que eu te puder ajudar já sabes...

Helder Fonseca
20-11-04, 17:44
Menina Raquel :badgrin: , caso queiras saber mais sobre esta área estarei disposto a fornecer material de estudo, e algumas explicações, se bem que a minha "especialidade" é reeducação do pavimento pélvico em homens.

Se quiseres, também poderias passar pela Clínica do Movimento (onde Trabalho), No HC Solinca do Hotel Porto Palácio, e poderias assistir a uma sessão de reabilitação do pavimento pélvico, numa mulher, caso a minha colega esteja disposta a isso.

Raquel Af.
21-11-04, 18:53
Desde já gostaria de agradecer ao Prof. Adérito a disponibilidade se precisar de ajuda.

Queria também agradecer ao Viciouzzz a disponibilidade porém (não que a reabilitação genito-urinária também não seja uma área do meu interesse) o que pretendia para o meu projecto tem a ver mais com a preparação para o parto. Não sei se o Viciouzzz está dentro desta área, mas se sim seria excelente trocar opiniões com alguém que trabalhe ou já tenha trabalhado neste campo.

Em relação à reabilitação do pavimento pélvico, apenas tive umas noções nas aulas da faculdade mas aplicada à mulher. O tratamento em homens difere mto?

Visto também ser uma área do meu interesse, gostaria de saber se para trabalhar, posteriormente, nesta área é necessário algum curso específico ou basta tirar um dos da APF?

Helder Fonseca
22-11-04, 18:41
Em relação à reabilitação do pavimento pélvico, apenas tive umas noções nas aulas da faculdade mas aplicada à mulher. O tratamento em homens difere mto?
Difere Um Pouquito... :rolleyes:


Visto também ser uma área do meu interesse, gostaria de saber se para trabalhar, posteriormente, nesta área é necessário algum curso específico ou basta tirar um dos da APF?
Eu estou a trabalhar nessa área e ainda não tirei nenhum curso... aquilo que sei foi-me ensinado pelo meu irmão (parte Prática) e a parte teórica estudei por alguns livros dessa área.
Quanto à preparação para o parto, já houve na nossa clínica, mas as aulas eram ministradas pela terapeuta Mariana, e eu não cheguei a assistir a nenhuma.

Raquel Af.
22-11-04, 21:21
Provavelmente expressei-me mal. O que eu gostaria de saber é se para além da reeducação manual da musculatura do pavimento pélvico, biofeedback, electroestimulação (os princípios devem ser os mesmos tanto para mulheres como para homens) se também fazem exercícios para a adaptação às AVD's no caso dos homens?

Helder Fonseca
28-11-04, 15:32
Era isso o que eu queria dizer, mesmo... Difere um pouco. No caso dos homens não existe estimulação manual. Passa só pelo biofeedback e electroestimulação. No caso das mulheres já necessita de estimualção manual, visto o pavimento pélvico ser mais complexo, há a necessidade de ensinar e reeducar o mevimento correcto (compressão com "empuxe" superior).

Quanto às AVD's existem os exercícios de reforço e a reeducação da bexiga.

Raquel Af.
28-11-04, 22:03
ok fiquei esclarecida. Obrigada Viciouzzz!

Helder Fonseca
01-12-04, 12:20
De nada. DE qualquer forma o convite mantém-se, se quiseres assistir a uma sessão de reeducação do pavimento pélvico, avisa, que eu vejo se poderás aparecer...

Raquel Af.
02-12-04, 21:17
Agora está mto complicado pk ando c mtas freq. De kk maneira agradeço, e se um dia se proporcionar aviso com antecedência.

mfonseca
20-03-05, 11:58
Cara Raquel,

O tratamento no homem torna-se muito semelhante do que na mulher. Bem... o local de introdução da sonda é diferente! E o trabalho de reeducação manual pode ser alterado por alguns exercícios de coordenação e fortalecimento do soalho pélvico.
Conselho... Assiste a umas sessões de tratamento com o Viciouzzz.

Um abraço,
Marco Fonseca

ftnunosilva
25-03-05, 02:42
Vi um programa na 2 que dizia que, ao interromper o fluxo de urina seis vezes durante a micção, ao fim de alguns meses a incontinência nas mulheres pós menopausa diminuia significativamente... já para não falar na performance sexual dos homens!

Desculpem mas eles não disseram a bibliografia, portanto...

mfonseca
26-03-05, 17:05
Já não se utiliza essa técnica à imenso tempo (interrupção da micção). Quanto à performance sexual dos homens... não comento. Será que é o que chamam de "tesão do mijo"? (bolas! eu disse q não iria comentar!!!!)

Marco

Helder Fonseca
26-03-05, 21:15
Vi um programa na 2 que dizia que, ao interromper o fluxo de urina seis vezes durante a micção, ao fim de alguns meses a incontinência nas mulheres pós menopausa diminuia significativamente... já para não falar na performance sexual dos homens!

A técnica da micção interrompida foi abandonada há uns anos, quando se fez um estudo que comprovava que esta técnica (apesar de ser lógica, devido à funcionalidade da contracção) tem efeitos nefastos sobre o reflexo de micção.
Este é um reflexo que é activado através do estiramento do detursor. Por sua vez este envia um sinal ao córtex a dizer que temos necessidade de reter, caso a situação não seja adequada. Este envia um sinal excitatório aos músculos do pavimento pélvico, que por sua vez enviam um sinal inibitório para o 2º neurónio, na espinal medula.

Caso isto aconteça durante o acto de micção, poderá provocar uma diminuição no tónus do detursor e consequentemente a possibilidade de retenções urinárias.

Agora esta técnica é utilizada apenas como forma de avaliação da evolução da incontinência, e deverá ser efectuada apenas 2/3 vezes por semana.

ftnunosilva
26-03-05, 22:49
hummm... muito bem!

mfonseca
27-03-05, 11:45
Exactamente, Viciouzzz.
Marco

Adérito Seixas
27-03-05, 14:52
Este é um reflexo que é activado através do estiramento do detursor. Por sua vez este envia um sinal ao córtex a dizer que temos necessidade de reter, caso a situação não seja adequada. Este envia um sinal excitatório aos músculos do pavimento pélvico, que por sua vez enviam um sinal inibitório para o 2º neurónio, na espinal medula.


Só uma questão... tens a certeza que o sinal vai ao córtex??? É que segundo o que me lembro de um pequeno trabalho que fiz para o estágio no S. João, há uns tempitos, o sinal vai apenas à medula e é enviaa logo uma resposta a partir daí...
À medida que a bexiga se enche são activados os receptores de estiramento que enviam o sinal por uma via aferente, activando um reflexo espinal que aumentam a inibição simpática do detrusor e do esfincter interno e estimulam a contracção do esfincter externo (por activação das fibras motoras do podendo).
Agora... quando o volume da bexiga estiver num ponto, digamos, "exagerado", aí sim são enviados impulsos para o cérebro, criando a necessidade de urinar.
As contracções da bexiga vão-se tornando cada vez mais frequentes e mais "urgentes" e quando for conveninete urinar (situação definida pelo nosso córtex)... pronto, resolvese o problema.
Corrige-me Viciouzz se estiver errado, percebes mais disto do que eu.

Helder Fonseca
28-03-05, 17:55
Foi isso que eu disse, só que não fui tão explícito. O reflexo de micção é regulado pela espinal medula. Mas nós temos capacidade de controlar esse reflexo (Felizmente). Quando a informação de que a bexiga está cheia chega ao cérebro (e caso não queiramos urinar) este envia um sinal aos músculos do pavimento pélvico para aumentarem a presão intrauretral e consequentemete evitarem a saída da urina.
Para além disto, os músculos vão por sua vez enviar um sinal inibitório para a medula, para que haja diminuição da pressão intravesical (pressão dentro da bexiga).
Isto à partida seria lógico (já que a incontinência se caracteriza pela incapacidade de aumentarmos a pressão intrauretral de modo a exceder a pressão intravesical) porque teriamos um exercício funcional.
No entanto, caso a micção tenha já sido iniciada, o detursor está já em contracção e vamos interromper o fluxo, não através do relaxamento do detursor, mas através do fecho dos músculos do pavimento pélvico, e logo estaremos a aumentar muito a pressão intravesical, podendo levar a longo prazo a flacidez do detursor.

Eu emprestei o livro onde li isto, mas assim que o tiver vou tentar referenciar o artigo.

Adérito Seixas
28-03-05, 18:03
Ok ok, eu é que fiquei com a ideia que tinhas dito que o reflexo era regulado pelo córtex :wink: sendo assim ok, estamos de acordo :wink: