Dos Santos
22-10-04, 19:49
GUIA PRÁTICO DE FISIOTERAPIA PARA AS DOENÇAS NEUROMUSCULARES
As doenças neuromusculares, com início na infância, representam um dos problemas mais difíceis para o fisioterapeuta, pois o seu tratamento exige grande empenho e habilidade, ainda que, em contrapartida, proporcione grande satisfação.
A EAMDA (Aliança Europeia das Associações de Distrofia Muscular), porque esta não é uma situação frequente no quotidiano do fisioterapeuta, acha que este pequeno guia pode ser uma ajuda, ao propor as linhas básicas a seguir no tratamento físico. As causas e a cura dos problemas neuromusculares são desconhecidas.
No entanto, pode-se fazer muito por estes doentes. É importante recordar que a falta de cura não é sinónimo de falta de tratamento, pois, neste tipo de doença, podem-se prevenir os problemas mais angustiantes ou incapacitantes como a deformidade e a falta de mobilidade.
OBJECTIVOS DO TRATAMENTO
1. – Melhorar / manter / retardar a perda de força muscular
2. – Evitar / reduzir contracturas e deformações
3. – Promover / estimular / prolongar a marcha
4. – Manter / melhorar a função respiratória
5. – Estimular a independência e as funções físicas
6. – Promover a educação pais – filhos
7. - Melhorar a qualidade de vida social, fomentando uma plena participação em actividades de lazer.
Um diagnóstico específico, correcto e precoce é essencial para melhor tratar uma pessoa afectada com uma doença neuromuscular. Uma vez confirmado o diagnóstico, a equipa de reabilitação deverá informar os familiares dos problemas com os quais a família e o paciente se irão debater.
É de vital importância que os interessados saibam que cuidados deveriam receber, compreendam que decisões se deverão tomar e porquê, e ainda saibam onde dirigir-se para terem apoio e aconselhamento especializados.
As doenças neuromusculares têm um padrão previsível e conhecido de progressão ou regressão e as várias etapas ou fases da doença podem ser previstas de forma a que se possa planear a conduta a seguir. Mesmo assim, devemos recordar-nos que as diferenças individuais no decurso da doença podem ser grandes.
Em todos os países da Europa, pode ser fornecida informação e ajuda de especialistas. A APN (Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares) está disposta a ajudá-lo.
Este pequeno texto pretende proporcionar-lhe bases gerais uma panorâmica de vários aspectos que necessitam atenção e acção. Sem dúvida que cada paciente é um caso individual e para planificar o seu tratamento deve ter-se em consideração o seguinte:
à a debilidade muscular
à a presença de contracturas
à a eficácia e comodidade de aparelhos (talas e coletes indicados)
à o grau de progressão
à a motivação para levar a cabo todo o tipo de actividade
à a aceitação da incapacidade e as suas consequências psicossociais.
O que serve para uma criança, não serve necessariamente da mesma maneira para outra. O factor determinante é a sua personalidade, mas todos devem ter acesso à melhor ajuda profissional que se Ihes possa dar.
Embora o tratamento e os conselhos devam estar perfeitamente estruturados, é de vital importância não esquecer que as características emocionais, educativas e sociais da criança e da sua família não devem ser alteradas.
OS TEMAS Específicos PARA A EQUIPA DE REABILITAÇÃO SÃO:
Métodos usados:
1. - Exercício
2. - Estiramento passivo
3. - Talas
4. - Ortóteses
5. - Ajudas respiratórias
6. - Actividades recreativas; educação física adequada
7. - Educação paciente/ família
Avaliação:
Uma avaliação global quantitativa e correcta das capacidades físicas da criança é a contribuição mais importante para chegar a um tratamento adequado. Uma história clínica correcta e cuidadosa da evolução permitirá, à equipa de profissionais que cuidam da criança, prever possíveis problemas e planear programas de tratamento duma forma realista. A evolução das doenças (por exemplo, a distrofia muscular tipo Duchenne e a distrofia muscular congénita) é bastante diferente uma da outra e portanto os cuidados e o tipo de tratamento são também diferentes. A adopção frequente da denominação "distrofia" faz com que o fisiatra tome decisões que nem sempre são as melhores para o doente. Mas é ao Fisioterapeuta que cabe questionar e alterar essas decisões.
Contracturas:
As contracturas tendem a aparecer nos tornozelos, joelhos e ancas. São necessários os esforços combinados do fisioterapeuta e da família para prevenir estas contracturas.
Métodos que se podem usar:
à Estiramentos passivos
à Prevenção do desequilíbrio muscular
à Posicionamento correcto das extremidades
à Manutenção da mobilidade e do funcionamento das articulações
à Uso de aparelhos para verticalizar.
As técnicas especificas destes métodos estão bem descritas na literatura, que está na base da formação do curso de licenciaturas em FISIOTERAPIA.
Devem fazer-se todos os esforços para que, tanto o paciente como a sua família, compreendam os objectivos que se pretendem alcançar com a fisioterapia. Também é importante que o fisioterapeuta esteja consciente da situação socio-económica da família de modo a que as suas sugestões de tratamento não sejam demasiado exigentes. No entanto, é importante ter a consciência de que as necessidades quotidianas exigem um esforço considerável. Os programas a executar devem ser, na medida do possível, agradáveis.
Deformações de postura:
As deformidades posturais podem ser consideradas como contracturas. É essencial ensinar e estabelecer o que é uma postura correcta, o que deve ser feito desde o início. Como qualquer outro problema físico, as deformações podem repercutir-se noutras funções, tais como a respiratória, pois, por exemplo, as contracturas assimétricas da musculatura axial podem favorecer a predisposição para a escoliose.
Medidas a tomar:
à Vigiar a posição do corpo quando está sentado e deitado
à Suporte do corpo quando está sentado
à Precauções gerais, como as tomadas para as contracturas
à Tomada de consciência das posturas correctas e, na medida do possível, mobilidade postural.
Perda de força:
A perda da função muscular é, directa ou indirectamente, a causa da maioria dos problemas. O exercício e a recuperação da mobilidade são elementos essenciais no tratamento.
Educação do paciente e da sua família:
A maioria das medidas a tomar devem ser quotidianas e tornar-se parte da rotina diária. Os aspectos a considerar são:
à Levantar e mover a criança
à Uso de aparelhos
à Técnicas de tracção e exercícios
à Exercícios respiratórios
à Posicionamento do corpo e dos membros
à Informação geral
à Alimentação equilibrada.
________________________________________
Dado esta ser uma área onde em vazio neste fórum decidi "introduzir" pequenas informações com algumas correções ou acertos feitos por mim.
Texto origianal: "Guia Prático de Fisioterapia Para as doenças Neuromusculares - Secretariado Nacional para a Reabilitação e integração das pessoas com deficiência"
Alterações feitas por: Ft. Joseph Dos Santos
Atenciosamente.
As doenças neuromusculares, com início na infância, representam um dos problemas mais difíceis para o fisioterapeuta, pois o seu tratamento exige grande empenho e habilidade, ainda que, em contrapartida, proporcione grande satisfação.
A EAMDA (Aliança Europeia das Associações de Distrofia Muscular), porque esta não é uma situação frequente no quotidiano do fisioterapeuta, acha que este pequeno guia pode ser uma ajuda, ao propor as linhas básicas a seguir no tratamento físico. As causas e a cura dos problemas neuromusculares são desconhecidas.
No entanto, pode-se fazer muito por estes doentes. É importante recordar que a falta de cura não é sinónimo de falta de tratamento, pois, neste tipo de doença, podem-se prevenir os problemas mais angustiantes ou incapacitantes como a deformidade e a falta de mobilidade.
OBJECTIVOS DO TRATAMENTO
1. – Melhorar / manter / retardar a perda de força muscular
2. – Evitar / reduzir contracturas e deformações
3. – Promover / estimular / prolongar a marcha
4. – Manter / melhorar a função respiratória
5. – Estimular a independência e as funções físicas
6. – Promover a educação pais – filhos
7. - Melhorar a qualidade de vida social, fomentando uma plena participação em actividades de lazer.
Um diagnóstico específico, correcto e precoce é essencial para melhor tratar uma pessoa afectada com uma doença neuromuscular. Uma vez confirmado o diagnóstico, a equipa de reabilitação deverá informar os familiares dos problemas com os quais a família e o paciente se irão debater.
É de vital importância que os interessados saibam que cuidados deveriam receber, compreendam que decisões se deverão tomar e porquê, e ainda saibam onde dirigir-se para terem apoio e aconselhamento especializados.
As doenças neuromusculares têm um padrão previsível e conhecido de progressão ou regressão e as várias etapas ou fases da doença podem ser previstas de forma a que se possa planear a conduta a seguir. Mesmo assim, devemos recordar-nos que as diferenças individuais no decurso da doença podem ser grandes.
Em todos os países da Europa, pode ser fornecida informação e ajuda de especialistas. A APN (Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares) está disposta a ajudá-lo.
Este pequeno texto pretende proporcionar-lhe bases gerais uma panorâmica de vários aspectos que necessitam atenção e acção. Sem dúvida que cada paciente é um caso individual e para planificar o seu tratamento deve ter-se em consideração o seguinte:
à a debilidade muscular
à a presença de contracturas
à a eficácia e comodidade de aparelhos (talas e coletes indicados)
à o grau de progressão
à a motivação para levar a cabo todo o tipo de actividade
à a aceitação da incapacidade e as suas consequências psicossociais.
O que serve para uma criança, não serve necessariamente da mesma maneira para outra. O factor determinante é a sua personalidade, mas todos devem ter acesso à melhor ajuda profissional que se Ihes possa dar.
Embora o tratamento e os conselhos devam estar perfeitamente estruturados, é de vital importância não esquecer que as características emocionais, educativas e sociais da criança e da sua família não devem ser alteradas.
OS TEMAS Específicos PARA A EQUIPA DE REABILITAÇÃO SÃO:
Métodos usados:
1. - Exercício
2. - Estiramento passivo
3. - Talas
4. - Ortóteses
5. - Ajudas respiratórias
6. - Actividades recreativas; educação física adequada
7. - Educação paciente/ família
Avaliação:
Uma avaliação global quantitativa e correcta das capacidades físicas da criança é a contribuição mais importante para chegar a um tratamento adequado. Uma história clínica correcta e cuidadosa da evolução permitirá, à equipa de profissionais que cuidam da criança, prever possíveis problemas e planear programas de tratamento duma forma realista. A evolução das doenças (por exemplo, a distrofia muscular tipo Duchenne e a distrofia muscular congénita) é bastante diferente uma da outra e portanto os cuidados e o tipo de tratamento são também diferentes. A adopção frequente da denominação "distrofia" faz com que o fisiatra tome decisões que nem sempre são as melhores para o doente. Mas é ao Fisioterapeuta que cabe questionar e alterar essas decisões.
Contracturas:
As contracturas tendem a aparecer nos tornozelos, joelhos e ancas. São necessários os esforços combinados do fisioterapeuta e da família para prevenir estas contracturas.
Métodos que se podem usar:
à Estiramentos passivos
à Prevenção do desequilíbrio muscular
à Posicionamento correcto das extremidades
à Manutenção da mobilidade e do funcionamento das articulações
à Uso de aparelhos para verticalizar.
As técnicas especificas destes métodos estão bem descritas na literatura, que está na base da formação do curso de licenciaturas em FISIOTERAPIA.
Devem fazer-se todos os esforços para que, tanto o paciente como a sua família, compreendam os objectivos que se pretendem alcançar com a fisioterapia. Também é importante que o fisioterapeuta esteja consciente da situação socio-económica da família de modo a que as suas sugestões de tratamento não sejam demasiado exigentes. No entanto, é importante ter a consciência de que as necessidades quotidianas exigem um esforço considerável. Os programas a executar devem ser, na medida do possível, agradáveis.
Deformações de postura:
As deformidades posturais podem ser consideradas como contracturas. É essencial ensinar e estabelecer o que é uma postura correcta, o que deve ser feito desde o início. Como qualquer outro problema físico, as deformações podem repercutir-se noutras funções, tais como a respiratória, pois, por exemplo, as contracturas assimétricas da musculatura axial podem favorecer a predisposição para a escoliose.
Medidas a tomar:
à Vigiar a posição do corpo quando está sentado e deitado
à Suporte do corpo quando está sentado
à Precauções gerais, como as tomadas para as contracturas
à Tomada de consciência das posturas correctas e, na medida do possível, mobilidade postural.
Perda de força:
A perda da função muscular é, directa ou indirectamente, a causa da maioria dos problemas. O exercício e a recuperação da mobilidade são elementos essenciais no tratamento.
Educação do paciente e da sua família:
A maioria das medidas a tomar devem ser quotidianas e tornar-se parte da rotina diária. Os aspectos a considerar são:
à Levantar e mover a criança
à Uso de aparelhos
à Técnicas de tracção e exercícios
à Exercícios respiratórios
à Posicionamento do corpo e dos membros
à Informação geral
à Alimentação equilibrada.
________________________________________
Dado esta ser uma área onde em vazio neste fórum decidi "introduzir" pequenas informações com algumas correções ou acertos feitos por mim.
Texto origianal: "Guia Prático de Fisioterapia Para as doenças Neuromusculares - Secretariado Nacional para a Reabilitação e integração das pessoas com deficiência"
Alterações feitas por: Ft. Joseph Dos Santos
Atenciosamente.