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View Full Version : Doenças Neuromusculares - Breves Informações



Dos Santos
22-10-04, 19:49
GUIA PRÁTICO DE FISIOTERAPIA PARA AS DOENÇAS NEUROMUSCULARES

As doenças neuromusculares, com início na infância, representam um dos problemas mais difíceis para o fisioterapeuta, pois o seu tratamento exige grande empenho e habilidade, ainda que, em contrapartida, proporcione grande satisfação.

A EAMDA (Aliança Europeia das Associações de Distrofia Muscular), porque esta não é uma situação frequente no quotidiano do fisioterapeuta, acha que este pequeno guia pode ser uma ajuda, ao propor as linhas básicas a seguir no tratamento físico. As causas e a cura dos problemas neuromusculares são desconhecidas.

No entanto, pode-se fazer muito por estes doentes. É importante recordar que a falta de cura não é sinónimo de falta de tratamento, pois, neste tipo de doença, podem-se prevenir os problemas mais angustiantes ou incapacitantes como a deformidade e a falta de mobilidade.

OBJECTIVOS DO TRATAMENTO

1. – Melhorar / manter / retardar a perda de força muscular

2. – Evitar / reduzir contracturas e deformações

3. – Promover / estimular / prolongar a marcha

4. – Manter / melhorar a função respiratória

5. – Estimular a independência e as funções físicas

6. – Promover a educação pais – filhos

7. - Melhorar a qualidade de vida social, fomentando uma plena participação em actividades de lazer.

Um diagnóstico específico, correcto e precoce é essencial para melhor tratar uma pessoa afectada com uma doença neuromuscular. Uma vez confirmado o diagnóstico, a equipa de reabilitação deverá informar os familiares dos problemas com os quais a família e o paciente se irão debater.

É de vital importância que os interessados saibam que cuidados deveriam receber, compreendam que decisões se deverão tomar e porquê, e ainda saibam onde dirigir-se para terem apoio e aconselhamento especializados.

As doenças neuromusculares têm um padrão previsível e conhecido de progressão ou regressão e as várias etapas ou fases da doença podem ser previstas de forma a que se possa planear a conduta a seguir. Mesmo assim, devemos recordar-nos que as diferenças individuais no decurso da doença podem ser grandes.



Em todos os países da Europa, pode ser fornecida informação e ajuda de especialistas. A APN (Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares) está disposta a ajudá-lo.

Este pequeno texto pretende proporcionar-lhe bases gerais uma panorâmica de vários aspectos que necessitam atenção e acção. Sem dúvida que cada paciente é um caso individual e para planificar o seu tratamento deve ter-se em consideração o seguinte:

à a debilidade muscular

à a presença de contracturas

à a eficácia e comodidade de aparelhos (talas e coletes indicados)

à o grau de progressão

à a motivação para levar a cabo todo o tipo de actividade

à a aceitação da incapacidade e as suas consequências psicossociais.

O que serve para uma criança, não serve necessariamente da mesma maneira para outra. O factor determinante é a sua personalidade, mas todos devem ter acesso à melhor ajuda profissional que se Ihes possa dar.

Embora o tratamento e os conselhos devam estar perfeitamente estruturados, é de vital importância não esquecer que as características emocionais, educativas e sociais da criança e da sua família não devem ser alteradas.

OS TEMAS Específicos PARA A EQUIPA DE REABILITAÇÃO SÃO:

Métodos usados:

1. - Exercício

2. - Estiramento passivo

3. - Talas

4. - Ortóteses

5. - Ajudas respiratórias

6. - Actividades recreativas; educação física adequada

7. - Educação paciente/ família

Avaliação:

Uma avaliação global quantitativa e correcta das capacidades físicas da criança é a contribuição mais importante para chegar a um tratamento adequado. Uma história clínica correcta e cuidadosa da evolução permitirá, à equipa de profissionais que cuidam da criança, prever possíveis problemas e planear programas de tratamento duma forma realista. A evolução das doenças (por exemplo, a distrofia muscular tipo Duchenne e a distrofia muscular congénita) é bastante diferente uma da outra e portanto os cuidados e o tipo de tratamento são também diferentes. A adopção frequente da denominação "distrofia" faz com que o fisiatra tome decisões que nem sempre são as melhores para o doente. Mas é ao Fisioterapeuta que cabe questionar e alterar essas decisões.

Contracturas:

As contracturas tendem a aparecer nos tornozelos, joelhos e ancas. São necessários os esforços combinados do fisioterapeuta e da família para prevenir estas contracturas.

Métodos que se podem usar:

à Estiramentos passivos

à Prevenção do desequilíbrio muscular

à Posicionamento correcto das extremidades

à Manutenção da mobilidade e do funcionamento das articulações

à Uso de aparelhos para verticalizar.

As técnicas especificas destes métodos estão bem descritas na literatura, que está na base da formação do curso de licenciaturas em FISIOTERAPIA.

Devem fazer-se todos os esforços para que, tanto o paciente como a sua família, compreendam os objectivos que se pretendem alcançar com a fisioterapia. Também é importante que o fisioterapeuta esteja consciente da situação socio-económica da família de modo a que as suas sugestões de tratamento não sejam demasiado exigentes. No entanto, é importante ter a consciência de que as necessidades quotidianas exigem um esforço considerável. Os programas a executar devem ser, na medida do possível, agradáveis.

Deformações de postura:

As deformidades posturais podem ser consideradas como contracturas. É essencial ensinar e estabelecer o que é uma postura correcta, o que deve ser feito desde o início. Como qualquer outro problema físico, as deformações podem repercutir-se noutras funções, tais como a respiratória, pois, por exemplo, as contracturas assimétricas da musculatura axial podem favorecer a predisposição para a escoliose.

Medidas a tomar:

à Vigiar a posição do corpo quando está sentado e deitado

à Suporte do corpo quando está sentado

à Precauções gerais, como as tomadas para as contracturas

à Tomada de consciência das posturas correctas e, na medida do possível, mobilidade postural.

Perda de força:

A perda da função muscular é, directa ou indirectamente, a causa da maioria dos problemas. O exercício e a recuperação da mobilidade são elementos essenciais no tratamento.

Educação do paciente e da sua família:

A maioria das medidas a tomar devem ser quotidianas e tornar-se parte da rotina diária. Os aspectos a considerar são:

à Levantar e mover a criança

à Uso de aparelhos

à Técnicas de tracção e exercícios

à Exercícios respiratórios

à Posicionamento do corpo e dos membros

à Informação geral

à Alimentação equilibrada.



________________________________________

Dado esta ser uma área onde em vazio neste fórum decidi "introduzir" pequenas informações com algumas correções ou acertos feitos por mim.

Texto origianal: "Guia Prático de Fisioterapia Para as doenças Neuromusculares - Secretariado Nacional para a Reabilitação e integração das pessoas com deficiência"

Alterações feitas por: Ft. Joseph Dos Santos

Atenciosamente.

Fysio
22-10-04, 20:14
Excelente iniciativa Dos Santos. Obrigado :wink:

O texto está muito bom.

Um Abraço

Helder Fonseca
22-10-04, 21:02
Gostaria de saber até que ponto é que considera na sua experiência até que ponto será benéfica a Hidroterapia. O único utente que recebi na clínica com uma patologia neuro-muscular veio com indicação para realizar Hidroterapia.

Esta paciente encontrava-se a realizar tratamento domiciliário e deslocava-se em cadeira de rodas, e reportou "melhorias significativas" depois de ter iniciado a hidroterapia.

Dos Santos
22-10-04, 21:40
olá.

Até este ponto não tive qualquer caso com indicação para hidroterapia.
Os casos mais específicos foram distrofia de duchene e distrofia do 2º neurónio, na área da pediatria, mas nenhum com indicação para hidroterapia.

Vou investigar mais um pouco, mas sem querer estar a "errar", não sei até que ponto a hidroterapia será vantajoso na grande maioria dos casos de doenças neuromusculares. Mas é provável que alguns deles tenham vantagens.

Acho que cada caso deve ser analisado, não só no global, mas assim como no caso específico.

Logo que tenha mais informações prometo comunicar.

Atenciosamente.

Adérito Seixas
22-10-04, 23:28
Eu acho que a Hidroterapia é muito importante para esses doentes... facilita a sua actividade... mas existem pessoas com mais experiencia do que eu nesta área que podem falar com mais exactidão.

Helder Fonseca
23-10-04, 10:51
O paciente ao qual me reportei, e como já tinha referenciado, deslocava-se de cadeira de rodas. Tinha uma mobilidade e uma força mt reduzida nos MI's. Depois de ter iniciado a Hidroterapia reportou ter tido aumentos de força nos MI's e um aumento de qualidade de vida.

No entanto começou a hidroterapiaum pouco tarde, logo não obteve aumentos significativos na funcionalidade. A questão será saber até que ponto a hidroterapia poderá ter efeitos benéficos sobre a funcionalidade em estádios iniciais, já que está provado que os ganhos funcionais na água também actuam como ganhos funcionais fora da água.

Adérito Seixas
23-10-04, 15:24
Ora lá está, num doente com problemas neuromusculares devido à falta de força é extremamente importante trabalhar na água onde os movimentos estão facilitados pela impulsão. O paciente pode activamente fazer movimentos que seriam impossíveis fora de água, era precisamente a isso que me referia.

Miguel Gonçalves
24-10-04, 00:21
Olá a todos.
Fico contente por algúem se ter lembrado destes doentes, cujo tratamentos de Fisoterapia são fundamentais para o aumento da qualidade de vida e mesmo da sua sobrevivência.

Todos os aspectos neuro-músculo-esqueléticos, já referidos são muito importantes e a abordagem da Fisioterpia (cuja hidroterapia tem um papel muito importante) nessas disfunções é fundamental.

No entanto penso que não deverá ficar esquecido a ENORME importãncia que a Fisoterapia tem no tratamento das disfunções respiratórias que a grande maioria destes doentes sofre e que nem sempre a abordagem é a mais correcta.

Nestes últimos anos tenho dedicado grande parte da minha prática clínica e académica á abordagem das disfunções respiratórias nestes doentes em contextos agudos e crónicos tendo publicado alguns artigos, e capítulos de livros e revistas nesta área. Espero que este tema interesse aos colegas participantes deste fórum visto ser uma área muito pouco "explorada" em Portugal e uma área onde a FT Respiratória se pode impôr como primeira linha de intervenção.

Deixo-vos o primeiro de 3 capítulos que escrevi há já algum tempo para a revista da APN (Associação Portuguesa doentes Neuromusculares) para introduzir este tema e também deixo aqui algumas referências que relatam o meu trabalho nesta área nos últimos dois anos.

Espero que vos seja útil:smile: .

Cumprimentos,

Miguel R. Gonçalves


Reabilitação Pulmonar em Doenças Neuromusculares

Capitúlo 1 “a evidência de uma nova abordagem”



Por: Miguel R. Gonçalves





È um facto que as doenças neuromusculares podem afectar qualquer pessoa em qualquer altura. São tão comums que, hoje em dia praticamente toda a gente conhece alguém com Esclerose Lateral Amiotrófica, Distrofias Musculares, Atrofias espinais ou Myasthenia Gravis. As doenças neuromusculares podem causar fraqueza de todos os músculos do corpo, incluíndo o músculo do coração, tronco e membros, da deglutição e dos músculos respiratórios. A fraqueza do músculo do coração pode ser fatal, no entanto é uma causa pouco frequente de morte. A fraqueza dos músculos do tronco e membros, afectam significativamente a qualidade de vida do paciente, devido ás incapacidades inerentes, no entanto essa qualidade de vida poderá ser aumentada com o auxílio de inúmeros auxiliares disponíveis no mercado. A fraqueza dos músculos da deglutição poderá criar um défice nutricional bem como alguns problemas respiratórios. È de facto a fraqueza dos músculos respiratórios a principal causa de repetidos internamentos hospitalares e morte, nos doentes neuromusculares (Bach, 1999).

Os doentes neuromuscuulares sofrem um processo de enfraquecimento progressivo dos músculos respiratórios tendo um ponto mais forte á media idade de 19 anos, para depois diminuir em média 1 % por ano (Bach 1999). Assim este tipo de doentes mais cedo ou mais tarde irão sofrer uma falência respiratória, necessitando de uma avaliação objectiva e uma correcta interpretação dos seus sintomas.

Então, podemos facilmente colocar a pergunta; Quando é que acontece uma falência respiaratória, nos doentes neuromusculares?

Fala-se em falência respiratória, quando um doente atinge valores elevados de CO2 (hipercápnia) e valores baixos de O2 (hipoxémia). A Hipercápnia é inicialmente detectada durante o sono e mais tarde estende-se a todo o dia.

Assim, quando acontece uma falência respiratória, devido a um aumento percentual dos níveis de CO2, os valores ácidos no sangue aumentam o que provoca uma disfunção metabólica devido a uma compensação por parte dos rins que retém os níveis de bicarbonato em vez de os expulsar para manter um equilíbrio ácido-base no organismo. Por sua vez os níveis de bicarbonato irão provocar uma disfunção cerebral na “drive ventilatória” que aumentam a retenção de CO2 e provocam problemas respiratórios a longo prazo, tais como a dispneia, as cefaleias e o síndrome de apneia do sono.

Em doentes neuromusculares a falência respiratória normalmente surge em forma de agudização. Este tipo de doentes sofrem de fraqueza generalizada dos músculos respiratórios, mas os seus níveis respiratórios (O2 e CO2) poderão encontrar-se normais. No entanto se estes doentes normalmente entram em falência respiratória devido a uma infecção respiratória ( gripe, pneumonias etc..), que surge devido á acumulação de secreções visto que, estes doentes não têm força para as expelir e estas acabam por infectar. Nestes casos, os doentes terão que recorrer ás urgências hospitalares e ao internamento onde nem sempre os procedimentos são os mais correctos.

Em regra geral os procedimentos clínicos não são os mais eficazes devido a uma série de factores :



1 – Má interpretação dos sintomas :

Nestes casos, os clínicos preocupam - se principalmente com a hipoxémia do doente que provoca sintomas de dispneia, ansiedade dores de cabeça etc.., o que levam á prescrição de oxigeneoterapia, broncodilatadores e por vezes sedações. No entanto menosprezam a importância da monitorização da hipercápnia. Estes doentes normalmente têm baixas saturações de O2 devido ao cansaço muscular provocado na maioria das vezes por dificuldade no sono. Dificuldade esta que advém dos valores elevados de CO2 durante o sono e da falta de força dos músculos respiratórios na posição de deitado, o que exige um maior esforço respiratório deste tipo de doentes durante o sono, que na maioria das vezes só acontece com o auxilio de 3 a 4 almofadas.

Assim se houver uma correcta interpretação dos valores de CO2, estes doentes poderão descansar os seus músculos durante a noite através da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva nocturna reduzindo a hipercápnia e aumentando as saturações de O2 durante o dia, o que naturalmente irá reduzir os sintomas de hipoxémia.





2- Provas Funcionais Respiratórias inadequadas :

Muitas das vezes os doentes neuromusculares são encaminhados para os laboratórios de função pulmonar, onde são sujeitos a uma série de avaliações respiratórias por vezes invasivas. Todas estas provas não se justificam neste tipo de doentes visto que eles não têm um problema respiratório de raiz, têm sim uma fraqueza dos músculos respiratórios o que provoca um síndrome respiratório restritivo. Ao realizar tantos testes e provas os clínicos poderão interpretar de uma forma errada os verdadeiros problemas destes doentes, o que poderá originar terapêuticas inadequadas. Existe um protocolo de avaliação respiratória para este tipo de doentes que mais adiante irei descrever, que incide objectivamente, somente nos sintomas apresentados e nas disfunções respiratórias mais comuns nos doentes neuromusculares.



3 - Realização excessiva de provas gasimétricas:

È muito frequente sujeitar os doentes neuromusculares a exames que exigem uma punção arterial para analisar os gases no sangue, nomeadamente o O2 e o CO2. Alguns estudos revelam que a dor provocada pela punção arterial provoca um aumento da frequência respiratória que poderá levar a uma fadiga dos músculos respiratórios por trabalho excessivo. Assim neste tipo de doentes é aconselhável monitorizar os níveis de O2 e CO2 através de um óximetro e de um capnógrafo respectivamente, podendo em determinadas alturas confirmar os valores com uma prova gasimétrica.



4- Utilização de traqueostomia como estratégia de tratamento.

Não há indicações específicas e gerais sobre a realização de traqueostomia. Com o advento das novas técnicas ventilatórias chamadas não invasivas, o que se encontra descrito é que a traqueostomia deverá ser realizada apenas, quando todo o suporte fornecido por aquelas técnicas, deixa de ser eficaz, quando são necessárias mais de 15h/dia de Ventilação não Invasiva(com máscara nasal ou facial), ou então se há história de episódios graves e repetidos de Insuficiência Respiratória Aguda com declínio franco da função respiratória e que um novo episódio pode conduzir à morte, realizando-se assim a traqueostomia de forma programada (Bach, 1999).

As complicações da traqueostomia como as hemorragias, aspirações, enfisema, lesão tecidular e infecção podem ocorrer de forma precoce. Mais tardiamente há a possibilidade de aparecimento de estenose traqueal, traqueomalácia, hemorragia, infecções brônquicas recorrentes, obstrução e/ou desconexão da cânula, especialmente durante a noite.

Vàrios estudos provaram que, com as actuais técnicas não invasivas de avaliação e de tratamento, não se deve colocar a hipótese de recorrer a uma traqueostomia num doente neuromuscular, a não ser que haja compromisso dos músculos bulbares, como acontece em alguns casos de Esclerose Lateral Amiotrófica (Bach, 1999). No caso dos doentes já terem um tubo de traqueostomia, hoje em dia com as mais recentes técnicas de Ventilação Mecânica Não Invasiva, é possível fazer um desmame seguro para a máscara nasal ou peça bucal.



È objectivo desta pequena revisão, tentar divulgar aos doentes neuromusculares, suas familias e seus profissionais de saúde que novas abordagens devidamente suportadas pela evidência existem na área da Reabilitação Pulmonar em Doenças Neuromusculares, e que hoje em dia é possível com uma avaliação detalhada e objectiva da sintomatologia respiratória, fornecer um programa de Reabilitação Respiratória de modo a melhorar a condição respiratória, reduzir e evitar os internamentos hospitalares e consequentemente aumentar a qualidade de vida do doente.

È urgente que os profissionais de saúde, deixem de encarar o doente neuromuscular como um doente respiratório de raiz, aplicando assim as devidas terapeûticas. O doente neuromuscular não tem qualquer problema intriseco do pulmão, tem sim uma fraqueza dos músculos respiratórios que o impede de realizar sozinho a sua função respiratória normal. Assim se estes doentes tiverem uma ajuda externa que os permita realizar essa função, não terão problemas do foro respiratório. A experiência que tenho nesta área, diz-me que essa ajuda externa, quando é realizada de um modo não invasivo, permite ao doente neuromuscular realizar uma função respiratória eficaz e sem complicações.

Hoje em dia, com as diversas modalidades ventilatórias, a grande variedade de interfaces (máscaras, peças bucais etc..), as técnicas de fisioterapia respiratória e de insuflação pulmonar, bem como de tosse assistida ao serviço dos doentes neuromusculares, não há razão para que o doente neuromuscular sofra de problemas respiratórios.

È deveras importante que as instituições hospitalares, as clínicas privadas e demais instituições que lidam diáriamente com estes doentes, tomem conhecimento destas novas abordagens de avaliação e de tratamento. Para além disso, é urgente que o Estado Português, através dos seus inúmeros gabinetes e secretariados nacionais estejam atentos a estas técnicas, visto que têm um papel preponderante na sua aplicação, através das comparticipações e ajudas na aquisição dos materiais por parte dos doentes.

Penso que mais do que um alerta, é um dever ético divulgar estas abordagens e seus principios fundamentais, visto que a avaliação precoce e o estabelecimento de objectivos são a base para o sucesso da intervenção. Nos próximos capítulos irão ser descritas as principais técnicas que compõem esta abordagem não invasiva.



Refererências :
Bach, -J.Bach and M. Goncalves, Ventilatory weaning by lung expansion and decanulation. Am J Phys Med Rehabil, 2004. 83: p. 560-8.

-Bach,- Bach JR, Goncalves, MR, Noninvasive ventilation or paradigm paralysis. Eur Respir J, 2004. 23: p. 651-654.

-Winc-JC Winck, MR Gonçalves. et al., Effects of Mechanical Insufflation-Exsufflation on Respiratory Parameters for Patients With Chronic Airway Secretion Encumbrance. Chest, 2004. 126: p. 774-780.

- Gonçalves MR.Winck JC Managing Non-Invasive Ventilation - a Portuguese experience. IVUN news. 2002;Winter edition

-Gonçalves MR,Winck JC Lourenço C, Viana P, Almeida J. Effects of Mechanical In-Exsufflation in Chronic Ventilatory Failure- a preliminary evaluation. Rev Port Med Intens. 2002;11:S12

- Gonçalves MR,Winck JC Lourenço C, Viana P, Almeida J. Effects of Mechanical In-Exsufflation in Chronic Ventilatory Failure; Eur Respir J 2003, 18, 756-58.

-Gonçalves MR.Winck JC ;Mouthpiece Intermitent Positive Pressure Ventilation for neuromuscular disease patients. IVUN news. 2003;Spring edition.

- Gonçalves MR; Winck JC; Nadais G; Oliveira e Silva A; Almeida J; Agostinho Marques J; Acute Respiratory Failure in Amyotrphic Lateral Sclerosis: management with non invasive respiratory aids; Eur Respir J, 2004, 27 643-45.

Adérito Seixas
24-10-04, 08:34
Em primeiro lugar parabéns por seres uma pessoas que se dedica à investuigação e por teres contribuído para a mudança de perspectiva que devemos ter face a estes doentes. Eu já tinha tido contacto com esta informação quando o Dr. Bach este cá no Porto, no S. João, e falou acerca da sua experiência e inde tu também estavas. Adorei, a informação era relativamente nova para mim e sobre determinadas perspectivas era completamente nova. A partir daí fui lendo algumas coisas acerca do assunto e hoje a minha maneira de ver as coi sas mudou um pouco.
Gostaria de te pedir uma coisa, quando dizes
Alguns estudos revelam que a dor provocada pela punção arterial provoca um aumento da frequência respiratória que poderá levar a uma fadiga dos músculos respiratórios por trabalho excessivo baseias-te em artigos, será que me podes deixar essas referências?

Miguel Gonçalves
25-10-04, 00:24
Caro Adérito,


Ainda bem que te tens lido coisas nesta área e te interessas por esta abordagem. Fico feliz de teres gostado da sessão com o John Bach no HSJ. Ele é o meu orientador de Doutoramento e está previsto o regresso dele a Portugal para mais iniciativas.

Em relação á tua pergunta relativo á punção arterial nos doentes neuromusculares, posso dizer-te que de acordo com a minha experiência não é a melhor maneira de avaliar os valores de CO2, visto que devido á dor intensa provocada pela picada, os doentes hiperventilam e como consequência os valores de CO2 baixam. Essa hiperventilação pode também provocar fadiga muscular respiratória principalmente nestes doentes que já sofrem de fraqueza desses músculos.Atenção que isto é verdade nos doentes neuromusculares estáveis. Quando eles estão em agudização a gasometria é importante para ver os valores de pH (monitorizar a acidose respiratória) e também os valores de compensação metabólica.

De acordo com a nossa experiência e prática em doentes neuromusculares nós usamos o óximetro de pulso para medir a SatO2 e o Transcutaneo para medir o CO2 (por vezes tembém usamos o capnógrafo), visto que ao contrário da gasimetria que mede os valores no momento da picada atrávés destes métodos não invasivos podemos analisar o comportamento dessas saturações durante um periodo de tempo, mudando o doente de posição e de ritmo respiratório e pode também ser usado durante o sono (Kang e Bach, Chest 1993).

Estes métodos não invasivos não são completamente fiáveis em doentes com doença intrinseca do pulmão com fraca perfusão (DPOC, ASMA, Fibrose Quistica, TP etc...), mas com boas medições em doentes com fraqueza muscular e pulmões saudáveis.

Para mais informações deixo-te esta refererência que analisa os parametros respiratórios durante a realização de uma GSA.

Cinel D, Markwell K, Lee R, Szidon P; Variability of the respiratory gas exchange ratio during arterial puncture; Am Rev Respir Dis 1991, 143; 217-218.

Cumprimentos,

Miguel R. Gonçalves

Adérito Seixas
25-10-04, 23:40
Era essa referência que precisava, obrigado!

Carlinha
14-12-04, 17:03
Muito interessante sim, Miguel, o teu trabalho !
Mas sabemos que um exame dos gases sanguínios é sempre doloroso...
Na minha prática de UCI, observamos doentes miastênicos em fase aguda, e tentamos nos basear pela clínica (que é sempre soberana), e na medição de PImax.
Quando ele entrava em falência respiratória, e era procedida a IOT, avaliávamos o teor CO2 pela capnografia (assim tb com os doentes monitorados por PIC).

um abraço,
Carla

nortas
20-04-05, 16:05
boas!!! Será K alguem me pode indicar algum artigo sobre paraparesia flácida e ja agora sobre neuropatia periferica? obrigada

saudaçoes fisioterapeuticas

rita afonso
20-04-05, 17:37
Neuropatias periféricas:
http://www.wgate.com.br/fisioweb/neuro.asp
http://ids-saude.uol.com.br/psf/medicina/tema5/texto88_definicao.asp
http://www.amb.org.br/projeto_diretrizes/100_diretrizes/NEUROPAT.PDF (electroneuromiografia)
http://www.mywhatever.com/cifwriter/library/48/cpg2251.html
http://www.bvs.sld.cu/revistas/san/vol7_4_03/san07403.htm
http://www.drscope.com/privados/pac/generales/neurologia/neuropa.htm.

rita afonso
20-04-05, 17:41
Paraparesia flácida:
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=7&materia_id=265&materiaver=1.

mfonseca
21-04-05, 22:54
Cuidado com alguns destes artigos.... Poderão não ser de sites muito fidedignos!
Marco Fonseca

nortas
22-04-05, 12:28
brigada Rita

rita afonso
23-04-05, 22:11
Pois, foi os que eu arranjei um bocado à pressa, não me responsabilizo pelo que está escrito. O fisioweb pelo menos parece de confiança. boa sorte...

mcquadrado
05-02-06, 12:08
Oi!

Relativamente à hidroterapia nos doentes neuromusculares, é aconselhável, tanto para manter a mobilidade, como para a parte respiratória. Existe um artigo sobre o assunto publicado no boletim informativo da Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares.
Da minha prática, tenho obtido bons resultados, contudo recomenda-se que a temperatura da água esteja mais baixa do que para a reabilitação de outras situações.
Existe um site com alguma informação sobre estas doenças: www.apn.pt (http://www.apn.pt)
Os dirigentes da APN estão abertos a sugestões de artigos e agradacem qualquer tipo de colaboração.

flordonorte
19-11-08, 23:07
olaa
estou muito confusa sobre ser ou nao fisioterapeuta, ainda estou para acabar o secundario. nao sei para qe lado me virar, eu adorava ser fisioterapeuta mas nao sei se estou a seguir a area certa. alguem que me ajude ?