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View Full Version : Diagnóstico em fisioterapia



rafaelafsousa
21-04-09, 18:04
Boa tarde.

Alguem me pode dizer quais as regras para formular correctamente o diagnóstico em fisioterapia numa ficha de avaliação?
Sou estagiaria de fisio e em cada local de estagio os coordenadores nunca estão satisfeitos com a forma como o elaboro, isto porque cada um tem regras difrentes para o elaborar. :confused:

Cumprimentos.

Rafaela Sousa

xaralos
26-05-09, 21:03
Ola :)

Bem, como deves saber, o diagnóstico em fisioterapia ainda não está bem definido no mundo actual da fisioterapia... no entanto, se conseguires relacionar de uma forma correcta os "impairments" com as limitações na participação dessa pessoa com o seu dia-a-dia, então estarás no caminho certo... Relaciona IMPAIRMENTS com LIMITAÇÃO DE ACTIVIDADE (incapacidade de realizar marcha ou diminuição da tolerância ao esforço) com PARTICIPAÇÃO (o que é que ficou impedido de fazer no seu dia-a-dia com aquela limitação física)... Não sei se te ajuda, também sou estudante ainda de fisio :) bj*

Alves-Guerreiro
27-05-09, 17:09
Boa tarde.

Alguem me pode dizer quais as regras para formular correctamente o diagnóstico em fisioterapia numa ficha de avaliação?
Sou estagiaria de fisio e em cada local de estagio os coordenadores nunca estão satisfeitos com a forma como o elaboro, isto porque cada um tem regras difrentes para o elaborar. :confused:

Cumprimentos.

Rafaela Sousa

Cara Rafaela,

O processo classificativo (diagnóstico) está associado a quadros de referência, ou seja, dependente das crenças dos clínicos, nomeadamente no que diz respeito a imagens de saúde e doença.

No sentido de ilustrar as minhas palavras, junto encontrarás dois artigos que ilustram a matéria em análise.

Saudações,
Alves Guerreiro

Saramartins
27-05-09, 22:19
Olá Rafaela. Eu sei que existe um livro muito bom para fisioterapeutas sobre como elaborar uma ficha de diagnóstico mas não me recordo do nome. Num diagnóstico há erros a evitar e que muitos estagiários e mesmo profissionais experientes cometem. Exemplo: não se deve fazer goniometria em pacientes cuja amplitude articular seja "normal" porque nada vais concluir e o goniómetro universal tem um erro de 5º. Também não faz sentido avaliar se o teste Babinski é positivo num paciente com AVC... Se o AVC já está instalado, é óbvio que o Babinki é positivo. Nunca se deve fazer o que agrava a patologia ou o que é patológico. Por exemplo, quando um paciente já tem o resultado de uma ressonância magnética a dizer conflito subacromial eu evito fazer a elevação lateral e anterior que aprendemos em Cyriax pk a partir dos 90º de elevação estamos a reproduzir o conflito e a dor que provocamos no paciente durante o teste pode comprometer o tratamento da mesma sessão. Contudo, estas indicações adquiri com a prática e a forma de avaliar e apresentar os resultados varia de sítio para sítio. Informa-te com os teus professores e orientadores de estágio pk os relatórios têm que ser apresentados na escola e nem eles chegam a um consenso. Somos técnicos de diagnóstico e terapêutica, muito bem, concordo. Uma avaliação bem feita pode-nos levar quase à mesma conclusão que uma ressonância, só não sabes qual o tamanho ou grau; no entanto, visto que os nossos pacientes vêm quase sempre encaminhados por médicos e têm exames complementares feitos, não os deves menosprezar. Tens que fazer o exame subjectivo e o exame objectivo. Nunca escrevas num relatório que fizeste a avaliação segundo Cyriax ou segundo Maitland ou que trataste com Bobath. É um erro. Todos os grandes mestres da fisioterapia desenvolveram e aperfeiçoaram técnicas que são muitas vezes comuns entre eles. Escreves o nome da técnica que usaste (ex: teste resistido de flexão do cotovelo) mas não lhe atribuas rótulos.:wink:

gramendes
28-05-09, 00:31
Olá Saramartins

Cuidado com isto: "Também não faz sentido avaliar se o teste Babinski é positivo num paciente com AVC... Se o AVC já está instalado, é óbvio que o Babinki é positivo."
Faz sentido "SEMPRE" a pesquisa dos reflexos cutâneos e osteotendinosos em qualquer lesão de compromisso neurológico, quer central quer periférico, pois a "evolução reflexa" é um bom instrumento de avaliação e de prognóstico do nosso trabalho. Mesmo "já instalado um AVC", por vezes há um reflexo plantar indiferente ou até mesmo "negativo". Isto poder-te-á indicar a " qualidade da reactividade/integridade" duma via piramidal, por exemplo. Se pesquisar sempre, antes e depois do treino, de certeza que encontrará alterações na produção do mesmo. Verificará que nos dias em que obteve melhor "resposta ao treino", mas que em não atingiu a fadiga, a resposta do babinsky é "negativa", ou seja em flexão.

Obrigado

scarmo
31-05-09, 22:59
Rafael, como tu próprio referiste cada fisioterapeuta elabora o diagnóstico de forma diferente, em parte porque nao existe regras fixas para tal...
Na minha opinião (e partilhada pelos meus professores enquanto estudante) faz sentido que o diagnóstico por nós elaborado englobe informação como as limitaçoes funcionais e os dados relevantes da avaliaçao objectiva que concorrem para a existencia dessa limitação nos AVD´s do utente, como complemento e sempre que se considere pertinente pode ainda englobar o diagnostico médico. Na minha opiniao é importante o que consta do diagnóstico mas também a ordem com que a informação surge, uma vez que a sequência revela a importância que cada informaçao assume para nós fisioterapeutas...

Saudações,

Sónia Carmo