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View Full Version : Tendinite de Quervain vs Imobilização com Gesso



cambalacho
29-08-08, 21:59
Boa noite,
gostaria de saber se alguém possui literatura sobre a utilização de imobilização com gesso em casos de tendinite de Quervain?
Obrigado

Miguel Faria
06-09-08, 00:09
Não possuo mas parece-me ir um pouco (muito) em contra das minhas convicções! Que tipo de sintomatologia indicaria tal procedimento (extremo)??? :confused:

cambalacho
19-11-08, 21:09
Boa noite,
à pouco tempo recebi uma paciente com este diagnóstico e o tratamento realizado em Inglaterra foi o de injecção de corticoesteróide + imobilização gessada. Nunca tinha ouvido falar nesta possibilidade e foi esta a razão que e levou a pedir bibliografia. Na pesquisa que realizei na internet não consegui obter informação sobre o assunto e pensei que alguém poderia ter.
A verdade é que o tratamento realizado lá não teve qualquer efeito positivo e agora esta paciente está a braços com incapacidade quase total da mão lesada.

Obrigado pela atenção,
Sara Correia

M.A.
19-11-08, 22:08
Boa noite,
à pouco tempo recebi uma paciente com este diagnóstico e o tratamento realizado em Inglaterra foi o de injecção de corticoesteróide + imobilização gessada. Nunca tinha ouvido falar nesta possibilidade e foi esta a razão que e levou a pedir bibliografia. Na pesquisa que realizei na internet não consegui obter informação sobre o assunto e pensei que alguém poderia ter.
A verdade é que o tratamento realizado lá não teve qualquer efeito positivo e agora esta paciente está a braços com incapacidade quase total da mão lesada.

Obrigado pela atenção,
Sara Correia

Cara Sara, é um bom exemplo de que nem sempre o que vem "Lá de fora" é bom! :wink:

gramendes
19-11-08, 22:33
Olá

Em algumas fases agudas desta patologia, o procedimento feito poderá ter sido o correcto. Quando a desnervação de musculos ocorre, sobretudo no território do mediano (normalmente é o mais afectado) e a rede vascular está muito comprometida, opta-se por tentar minimizar os efeitos negativos da inflamação sinovial "generalizada" através de uso de corticiodes injectáveis e imobilizaação, no sentido de "tentar salvar" a mão. Em casos extremos, a amputação tem que ser realizada.
Graças ao grande avanço ao nível da intervenção cirurgica ortopédica ao nível das fracturas do antebraço, o nº dos Quervains têm diminuído muito, contudo ainda aparecem alguns. Numa fase precoce de desenvolvimento e uma boa abordagem terapêutica (normalmente passa pela "faca") costuma ter muitos bons resultados, contudo nas fases crónicas,.... é deveras muito complicado evitar a necrose tecidular originada pelo défice de aporte sanguíneo.
Por isso é que talvez a terapêutica feita em Inglaterra pode não ser tão "descabida" assim,...mas em que fase é que o paciente se encontra?
Avaliar com muito cuidado e um conselho especial: cuidado com a manipulação tecidular/articular; qualquer pequeno trauma é..... um "BIG" trauma.

gramendes
19-11-08, 22:59
E.... pessoalmente, acho que nós somos muito bons!!!!
Não temos os equipamentos que Inglaterra tem, nem as instalações duma suécia, nem a satisfação dos filandeses,....mas temos algo muito superior,...talvez a melhor da Europa,...somos dos povos mais humanitários.
Observamos e intervimos mais nessa vertente e isso faz toda a diferença para o utente.

Infelizmente ainda partilhamos do sindrome de "humildade" e numa 1ª observação somos sempre levados a pensar que o que é "estrangeiro" é melhor.
Para os mais atentos ao forum.... é a velha história das maçãs!

xau

M.A.
21-11-08, 23:55
Olá

Em algumas fases agudas desta patologia, o procedimento feito poderá ter sido o correcto. Quando a desnervação de musculos ocorre, sobretudo no território do mediano (normalmente é o mais afectado) e a rede vascular está muito comprometida, opta-se por tentar minimizar os efeitos negativos da inflamação sinovial "generalizada" através de uso de corticiodes injectáveis e imobilizaação, no sentido de "tentar salvar" a mão. Em casos extremos, a amputação tem que ser realizada.
Graças ao grande avanço ao nível da intervenção cirurgica ortopédica ao nível das fracturas do antebraço, o nº dos Quervains têm diminuído muito, contudo ainda aparecem alguns. Numa fase precoce de desenvolvimento e uma boa abordagem terapêutica (normalmente passa pela "faca") costuma ter muitos bons resultados, contudo nas fases crónicas,.... é deveras muito complicado evitar a necrose tecidular originada pelo défice de aporte sanguíneo.
Por isso é que talvez a terapêutica feita em Inglaterra pode não ser tão "descabida" assim,...mas em que fase é que o paciente se encontra?
Avaliar com muito cuidado e um conselho especial: cuidado com a manipulação tecidular/articular; qualquer pequeno trauma é..... um "BIG" trauma.

Caro gramendes, não acha algo extremo a associação da desnervação, fracturas ou amputação em casos de "Tenossinovite Estenosante de De Quervain"??? :confused: Penso que a pergunta inicial não se deveria referir a casos traumatológicos (caso contrário estaria relatado). Pessoalmente os casos que tenho encontrado são resultado unicamente de uma sobrecarga funcional que evoluem favoravelmente com a fisioterapia. Nesses casos a imobilização apenas irá resultar num aumento dos entrecruzamentos patológicos a nível da estrurura de colagénio com a progressiva perda de elasticidade e resistência dos tecidos. Aí sim a vascularização também ficará implicada!

Abraço!

gramendes
22-11-08, 19:17
Olá M.A. :biggrin:

Pois, pela abordagem que foi feita.... a mim parece-me mais um "Volkman"! Mas como é habito chamar-se "quervain" ao volkman e ao Guino,...
Esperemos que o nosso colega que abriu o tema nos diga mais alguma coisinha sobre o caso. Depois logo tiramos as dúvidas :badgrin:!!!

Xau

M.A.
22-11-08, 21:52
Pois, agora já percebo a descrição que foi feita!!! :badgrin::lol::badgrin: :wink:

cambalacho
24-11-08, 23:20
Boa noite,
a paciente já voltou a Inglaterra uma vez que só procurou fisioterapia em portugal durante as férias pelo que não me recordo exactamente de todos os pormenores.

Esta paciente trabalhava numa fábrica no interior de Inlgaterra e o trabalho consistia em movimentos repetidos (que agora não consigo precisar). Seja como for, apresentou-se ao seguro de trabalho e foi-lhe diagnosticada uma tenossinovite de Quervain. O tratamento consisitu em imobilização gessada + injecção de corticoesteróides. Se não me engano ainda esteve um mês ou dois com a imobilização.

Após este tratamento, e como não teve melhorias queriam dispensá-la da empresa sem lhe reconhecerem a doença como sendo profissional. Ela decidiu seguir com um processo nos tribunais para a frente e precisava de provar que o tratamento não teria sido o mais indicado. Aqui entra o post. Não tendo conhecimento apenas tentei procurar informação que a pudesse elucidar sobre as possiveis técnicas de tratamento a efectuar e quais seriam as mais indicadas para o diagnóstico efectuado.

O caso só chegou às minhas mãos com alguns meses de evolução mas não havia sinais de comprometimento nervoso e apresentava dor ao alongamento e contracção do longo abdutor mas também de toda a região envolvente do punho. A doente apresentava grande incapacidade funcional. Nos poucos dias que esteve cá reagiu bem ao tratamento: gelo, ultra-sons e massagem (se não me engano).

Obrigado desde já pela atenção,
Sara