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View Full Version : Incapacidade Motora Cerebral - "Paralisia Cerebral" - Parte II



Vitor Azevedo
10-10-04, 18:23
As crianças com espasticidade tendem a desenvolver deformidades articulares porque o músculo espástico não tem crescimento normal. Flexão e rotação interna das ancas, flexão dos joelhos e equinismo são as deformidades mais frequentes nas crianças que adquirem marcha. Além destas, as crianças com tetraplegia espástica podem desenvolver ainda, luxação paralítica das ancas e escoliose.

ATETOSE

Quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, tracto extrapiramidal, a criança apresenta movimentos involuntários, movimentos que estão fora de seu controle e os movimentos voluntários estão prejudicados.

Esta condição é definida como paralisia cerebral com movimentos involuntários forma coreoatetósica ou distónica. O termo coreoatetose é usado para definir a associação de movimentos involuntários contínuos, uniformes e lentos (atetósicos) e rápidos, arrítmicos e de início súbito (coreicos). A criança com PC tipo distónica apresenta movimentos intermitentes de torção devido a contracção simultânea da musculatura agonista e antagonista, muitas vezes comprometendo somente um lado do corpo. A PC com movimentos involuntários está frequentemente relacionada com lesão dos gânglios da base (núcleos localizados no centro do cérebro, formados pelos corpos dos neurónios que compõem o tracto extra-piramidal), causada por hiperbilirrubinemia neonatal. A bilirrubina é um pigmento amarelo liberado das hemácias (células do sangue que transportam o oxigênio) quando elas se rompem. Nas incompatibilidades sanguíneas, este pigmento pode ser liberado em grande quantidade. O recém-nascido torna-se ictérico (a pele e as conjuntivas assumem uma cor de tonalidade amarela). Assim como esse pigmento se deposita na pele, pode se depositar também nos gânglios da base. Os movimentos involuntários podem ser leves ou acentuados e são raramente observados durante o primeiro ano de vida. Nas formas graves, antes desta idade a criança apresenta hipotonia (tónus muscular diminuído) e o desenvolvimento motor é bastante atrasado. Muitas crianças não são capazes de falar, andar ou realizar movimentos voluntários funcionais e são, portanto, dependentes para a alimentação, locomoção e higiene.

HIPOTONICIDADE

A hipotonicidade é outra categoria de PC, mas pode também mascarar condições degenerativas não diagnosticadas. O quadro hipotónico num bebé jovem pode também ser um percursor de atetose.

ATAXIA

A paralisia cerebral atáxica está relacionada com lesões cerebelares ou das vias cerebelares.

Como a função principal do cerebelo é controlar o equilíbrio e coordenar os movimentos, as crianças com lesão cerebelar apresentam ataxia, ou seja, marcha cambaleante por causa da deficiência de equilíbrio, e apresentam, ainda, incoordenação dos movimentos com incapacidade para realizar movimentos alternados rápidos e dificuldade para atingir um alvo.

Por exemplo, se a criança for apertar um botão que liga/desliga um aparelho eléctrico com o seu indicador, ela tem dificuldade para comandar o movimento de maneira a colocar o dedo exatamente sobre o botão e no final do movimento observa-se um tremor grosso. Quando a lesão é muito extensa, o atraso do desenvolvimento motor é importante e é possível que a criança nunca seja capaz de andar sem apoio. Assim como nas formas extrapiramidais de PC, durante o primeiro ano de vida, a alteração observada é a hipotonia. A alteração mais frequentemente encontrada é ataxia associada a sinais piramidais (tónus muscular aumentado e reflexos tendinosos exacerbados). Ataxia pura em crianças com PC é rara.

O termo paralisia cerebral implica alterações do movimento, mas a presença de outros distúrbios deve ser investigada e o sucesso do tratamento depende da abordagem correcta de todos os problemas associados:

atraso mental
epilepsia
alterações visuais
deficiência auditiva
perturbação da alimentação
obstipação
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABPC, "Paralisia Cerebral - aspectos práticos", editora Memnon, S. Paulo, 2001.

UNPRED, Darcy Ann, "Fisioterapia Neurológica", 1ª Edição, S. Paulo, Ed. Manole, 1994.

PAVAN, Lianza S, "Diagnóstico e Tratamento da Espasticidade", S. Paulo, 2001.

BOBATH, K, "A deficiência motora em pacientes com Paralisia Cerebral", editora Manole, S. Paulo, 1989.

Adérito Seixas
10-10-04, 19:00
Um excelente trabalho Vitor mas por favor inclui as referências bibliográficas :wink:

Vitor Azevedo
10-10-04, 19:03
Sem dúvida, my mistake. emendado. dankë :wink:

AnaFrancisco
01-02-05, 10:32
Ola Vitor
Parabéns pelo excelente trabalho:sintético e no entanto bastante abrangente sobre a Paralisia Cerebral..Não sei se o que o Adérito queria dizer, era para incluires o nome do autor ou autores ao longo do texto.

Adérito Seixas
01-02-05, 22:09
Não, era só para colocar a bibliografia, mas isso já foi corrigido :wink:

ftnunosilva
25-03-05, 02:17
Muito interessante... foi um trabalho teu? Não arranjas em pdf?

mfonseca
26-03-05, 12:31
PDF, PDF, PDF!
Mts parabéns... está bem estruturado!
Marco