View Full Version : Electroterapia e reparação tissular
Artigo: Electroterapia e Reparação Tissular
Resumo: O autor, apoiado em revisão bibliográfica, enumera, e descreve resumidamente princípios, e
bases fisiológicas das técnicas electroterapicas mais utilizadas em fisioterapia para a reparação tissular,
sugerindo a sua aplicação na recuperação desportiva.
Artigo Completo: Electroterapia e Reparação Tissular (http://www.fisiozone.com/artigos/regenerar.pdf) (PDF - 20 Kb)
Autor: Ft. Luís Ferreira
Adérito Seixas
03-10-04, 21:21
Já que estamos na onda da reparação tecidular através do uso de electroterapia, o que acham do uso dos ultrasons no tratamento de fracturas?
Helder Fonseca
04-10-04, 18:06
Sempre pensei que era uma contra-indicação do uso de US...
Adérito Seixas
04-10-04, 18:43
Era aí que eu queria chegar... segundo um artigo que eu li, deste mês, essa foi a conclusão de estudos antigos (muitos deles realizados em animais) que disseram que o uso de ultrasons atrasava o processo de consolidação ósseo. Segundo o artigo que li, estudos recentes dizem que dependendo da intensidade usada podemos acelerar a consolidação (estudos em animais e humanos).
Segundo o artigo, eles conduziram uma revisão sistemática e meta-análise de estudos randomizados controlados em humanos. Após a análise efectuada encontraram 3 estudos que defendiam que o uso de ultrasons de baixa intensidade, pulsátil, levava à redução do tempo de reparação de uma fractura quando comparados com o placebo. De qualquer forma a bibliografia é ainda inconclusiva.
Helder Fonseca
04-10-04, 18:45
é um estudo interessante e parece-me bem conduzido, mas quais os mecanismos para justificar tal facto??
Adérito Seixas
04-10-04, 18:53
Este estudo não descreve o processo, ele apenas fez uma análise acerca do que se pensava acerca do assunto. O título é:
Therapeutic ultrasound and fracture healing - A survey of beliefs and practice
A revista que o publicou é a Arch Phys Med Rehab
Vou tentar arranjar os 3 estudos que estão referidos neste artigo ;)
Helder Fonseca
04-10-04, 18:57
Ah, era uma systematic review, oops :?
Adérito Seixas
04-10-04, 19:23
Mas pode ser que arrange os outros 3 ;)
Gonçalo Trafaria
05-10-04, 14:19
Estamos perante um tema de bastante pertinência à discussão na actualidade.
Vou comentar segundo a minha opinião e experiência.
Na minha opinião o ultra-som poderá ser uma boa alternativa para o tratamento de fracturas, com índices terapêuticos de 1,5 ou 3 MHz, pulsátil e de 0,5 w/cm2, tendo revelado a frequência de 1,5 MHz melhores resultados. Denote-se contudo, a aplicação do ultra-som deve ser feita numa fase imediata pós lesão, a sua aplicação numa fase mais tardia poderá ter o efeito contrário e através da estimulação do crescimento de cartilagem irá retardar o reparo ósseo.
Recentemente tive um atleta (futebol), com uma fracturas do 2º, 3º e 4º metatarso com possível indicação cirúrgica... evitou-se e conseguimos um bom trabalho com uma terapia conservativa onde a Radiografia foi dando mostras de boa consolidação óssea sempre em evolução.
(Nota: Cabe ao Fisioterapeuta, Médico.. e restante equipa de colegas clínicos terem uma boa capacidade de avaliação para perceber se esta terapêutica poderá ser aplicada. Bom senso)
Já li o artigo, eles não dizem concretamente que acelera o processo de consolidação. Dão a possibilidade de tal acontecer. Nunca conseguindo provar.
O problema da delineação de hipóteses é esse mesmo. O que se tenta encontrar é a rejeição da hipótese nula. Se se rejeita a hipótese nula, aceita-se H1. Mas não é bem assim, existem muitas variáveis parasitas no estudo em questão que podem alterar os resultados. Como por exemplo:
- Idade do sujeito
- Grau de maturação osteo-articular
- Tipo de fractura
- Velocidade de consolidação
- Estrutura fracturada (diferentes tempos de consolidação)
- Etc...
Mesmo assim é bom manter informado.
Marco Fonseca
Gonçalo Trafaria
05-10-04, 14:28
Já li o artigo, eles não dizem concretamente que acelera o processo de consolidação. Dão a possibilidade de tal acontecer. Nunca conseguindo provar.
O problema da delineação de hipóteses é esse mesmo. O que se tenta encontrar é a rejeição da hipótese nula. Se se rejeita a hipótese nula, aceita-se H1. Mas não é bem assim, existem muitas variáveis parasitas no estudo em questão que podem alterar os resultados. Como por exemplo:
- Idade do sujeito
- Grau de maturação osteo-articular
- Tipo de fractura
- Velocidade de consolidação
- Estrutura fracturada (diferentes tempos de consolidação)
- Etc...
Mesmo assim é bom manter informado.
Marco Fonseca
Aí pesa o bom senso que referi e que é sempre o melhor ponto de partida.
Não há receitas para determinados fins, uma boa avaliação, seguida de um bom planeamento de tratamento e se possível, com discussão entre colegas clínicos, é e sempre será o melhor.
Há que ter umaboa base teorica/prática para tomar essa decisão.
:)
Caro Gonçalo,
Não posso de deixar de concordar consigo. Sinceramente, em parte, essa também é a minha opinião.
Eu disse em parte, pois quando o malefício se sobrepõe ou pode sobrepor ao benefício, pura e simplesmente não executo a técnica.
E o que é uma boa avaliação? Que meios a maior parte das clínicas tem para fazer uma correcta avaliação?
Enquanto não existir uma base científica suficientemente forte (e aqui eu pretendo investir!!!) e credível, é muito difícil de se mudar muitas mentalidades já "pré-programadas".
É tudo, como anteriormente referiu, uma questão de cuidadosa ponderação.
Marco Fonseca
Adérito Seixas
05-10-04, 21:21
mentalidades já "pré-programadas"
Nem mais... o estudo que referi analisava precisamente isso, a ideia que as pessoas têm acerca da utilização de ultrasons no tratamento de fracturas... as pessoas acham que é contra-indicado e no entanto ainda nada está definido...
Gonçalo:
Na minha opinião o ultra-som poderá ser uma boa alternativa para o tratamento de fracturas, com índices terapêuticos de 1,5 ou 3 MHz, pulsátil e de 0,5 w/cm2, tendo revelado a frequência de 1,5 MHz melhores resultados.
Gostaria de saber a referência do estudo que referiram, se possível.
Gonçalo Trafaria
05-10-04, 21:28
Gonçalo:
Na minha opinião o ultra-som poderá ser uma boa alternativa para o tratamento de fracturas, com índices terapêuticos de 1,5 ou 3 MHz, pulsátil e de 0,5 w/cm2, tendo revelado a frequência de 1,5 MHz melhores resultados.
Gostaria de saber a referência do estudo que referiram, se possível.[/quote]
Estudo by me! :lol:
Kidding, como referi lá em cima... é tão somente tendo por fudamento a minha experiência, as discussões com os médicos e o nosso trabalho de "campo". Mas vou tentar saber alguma literatura a esse nível. Mas essa informação é apenas o espelho da minha pratica clinica e dos fisiatras e ortopedistas que me acompanham.
:)
Adérito Seixas
05-10-04, 21:37
Ok :) como já referi existem estudos que falam disso, vou tentar arranjar durante a semana.
Helder Fonseca
09-10-04, 11:33
Desculpem lá, mas tenho que fazer aqui um parêntesis.
Eu sei que a experiência é importante, e o bom senso também, e é assim que se resolvem muitos problemas e que se fazem novas descobertas.
Contudo e como adepto da "Evidence based practice" acho que nos deveriamos debruçar sobre dados científicos.
Como disse o meu Brother:
"Já li o artigo, eles não dizem concretamente que acelera o processo de consolidação. Dão a possibilidade de tal acontecer. Nunca conseguindo provar. "
Por isso, apesar de considerar que seria um enerome "Breakthrough", deveriamos utilizar com cuidado este tipo de aplicação e esperar dados mais concretos.
Ou melhor ainda, porque não fazem disto uma monografia??, vou já sugerir isto no fórum das monografias. Pode ser que alguém aproveite :)
Adérito Seixas
10-10-04, 18:23
Calma, o artigo que referi dizia mesmo que existem artigos que provam que o uso de ultrasons diminui o tempo de consolidação, um deles diz até que diminui em 37 dias. Leiam o artigo, está em ficheiro .txt, só assim consegui anexar o ficheiro e mesmo assim tive que tirar as referências porque dizia que o ficheiro era grande de mais :confused: :
Calma, o artigo que referi dizia mesmo que existem artigos que provam que o uso de ultrasons diminui o tempo de consolidação, um deles diz até que diminui em 37 dias. Leiam o artigo, está em ficheiro .txt, só assim consegui anexar o ficheiro e mesmo assim tive que tirar as referências porque dizia que o ficheiro era grande de mais :confused: :
Pronto.. já alterei. Realmente o máx. eram 20 Kb :lol:
Já podes meter o artgio completo..
Adérito Seixas
10-10-04, 19:29
Ora deixa cá ver...
Francisco Neto
13-10-04, 00:22
Seria melhor retirares este artigo por causa dos direitos de autor...
Adérito Seixas
13-10-04, 07:47
Feito... pensei até que ele já cá não estava. Como tiraram o outro artigo (deco) pensei que tivesse sido o Fysio e que tivesse retirado também este.
Vitor Santos
03-02-05, 01:38
Quando eu era jovem inconsciente e os estudos não eram o que são hoje utilizei ultra sons numa doente idosa com pseudartrose no rádio. Dado estar na altura a trabalhar na melhor Unidade de Fisioterapia do Mundo ( CUF Infante Santo):badgrin: ( parabéns Ter. Rocheta):wink: consegui fazer controle RX e a evolução foi positiva com imagens de radiopacidade cada vez mais nitidas, entretanto a doente desapareceu.O estudo vinha publicado ou na Kinésitherapie scientifique ou na revista da Chartered ( revistas de leitura obrigatória à época +/- 20anos) teorizava o estudo a hipótese de os ultra sons destruirem a camada de fibroblastos que se formavam nos topos da # impedindo o processo de osteoblastia e estimulando alguma forma de osteoclasia.
Será que os colegas foruenses conseguem saber mais algo sobre o assunto ( dado serem mais novos e navegarem melhor que eu) ou será que eu já estou GáGá e arranjam-me uns comprimidos para a andropausa.
Bom trabalho
vBulletin v4.1.9, Copyright ©2000-2012, Jelsoft Enterprises Ltd.